segunda-feira, 27 de junho de 2005

As imperfeições da democracia

São posts como este (excelente, diga-se de passagem) que abalam a confiança no sistema que toda a gente sabe que é imperfeito mas ninguém nunca aceita discutir, com medo de ser rotulado de antidemocrático ou de ser alvo de insultos piores. É que se o Pedro tem razão e a maioria das pessoas não tem na cabeça opiniões mas sim "uma série de considerações", mais ou menos vagas e mais ou menos cambiáveis, e se isso é suficiente para tornar "frágeis" os estudos de opinião, que dizer do voto? Não se aplicará precisamente o mesmo raciocínio? Não estará o destino de todos nós dependente de considerações vagas e frágeis na cabeça de pessoas que nunca dedicaram uns minutinhos a reflectir seriamente sobre aquilo que está em causa quando vão colocar o papelinho na urna?

Talvez seja essa a explicação para termos os dirigentes que temos e não vermos nenhum sinal de melhoras. Talvez seja por isso que fraudes como a do "líder da oposição" fizeram escola e foram aceites por tanta gente. Talvez seja assim que surgem nos comentários dos blogues políticos tantos papagaios a repetir patacoadas inanes como se tivessem pensado nelas. Talvez. Não sei.

Mas uma ideia vai tomando forma na minha cabeça: a de que se calhar (é bom fazer notar desde já antes que apareçam os insultos que a expressão se calhar significa uma dúvida e uma especulação) seria mais democrático um sistema que não funcionasse com base em "um homem, um voto", mas sim segundo uma forma qualquer de ponderação da capacidade electiva segundo os graus de informação e conhecimento dos assuntos em causa na eleição ou, no mínimo, do modo como funciona o sistema político e as instituições.

Seria na mesma um sistema imperfeito, mas talvez reduzisse a demagogia barata, a manipulação e a mentira. Talvez fizesse subir a qualidade média dos políticos que temos. Talvez melhorasse a governação e certamente melhoraria o nível de informação cívica dos cidadãos. Talvez.

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