sexta-feira, 21 de abril de 2006

O Zé Pacheco fez das suas

O Zé Pacheco vltou a fazer das suas. Na sua coluna no Público, e dando mostras de um sentido de oportunidade a todos os títulos notável, entreteve-se a discorrer sobre as caixas de comentários e seus comentadores (está-se mesmo a ver que nesta altura do campeonato, em que nada se passa de relevante na nossa terra e nas dos outros, o tema mais adequado para uma página de jornal quase inteira são... as caixas de comentários).

Mas enfim, o homem é livre de escrever o que bem entende, parece, e se lhe pagam para escrever aquilo, pois que escreva.

O problema, que não é novo, antes é característica do personagem, é que o Pacheco não mente, propriamente, mas anda perto, a rondar a mentira como um abutre ronda uma carcaça enquanto ela é devorada por um grupo de hienas, cheio de vontade de ferrar o bico, mas sem ter coragem de chegar-se com medo de levar uma dentada. O Pacheco é assim e, parece, não há nada a fazer. Tem uma relação com a verdade feita de metades que nunca se juntam num todo inteiro, usando os fragmentos de verdade que escolhe cuidadosamente como meio de confundir em lugar de esclarecer, tantas vezes em benefício próprio, aproveitando-se para isso da generalizada ignorância sobre as coisas de que fala.

Desta vez fala das caixas de comentários. Fala dos "especialistas" dos comentários, daqueles a quem alguns chamam os parasitas das caixas de comentários, aquela pequena meia-dúzia de personagens que usam as caixas de comentários de meia-dúzia de blogues políticos com ampla visibilidade como pequenas tribunas pessoais. Cita nomes, ou melhor, cita nicks, escolhendo também aqui com cuidado os nicks que cita, não vá algum deles ter por hábito dizer coisas que lhe agradam. E fala dessa gente, ou dessas máscaras se preferirem, como se todo e cada um dos comentários na blogoesfera portuguesa fosse escrito por um ou outro desses casos que apresenta quase como clínicos. Clínicos psiquiátricos, entenda-se.

Das caixas de comentários que servem de ponto de encontro de amigos de carne e osso não fala; as caixas de comentários que servem como espaços de criatividade (e estou-me a lembrar dos comentários aos desenhos do Bordalo, no extinto Barnabé, por exemplo) não lhe interessam; os comentadores que em vez de habituais e obsessivos são ocasionais e só comentam quando têm de facto alguma coisa a dizer de relevante para o tema do post não existem. A verdade, estilo Zé Pacheco, a pseudo-verdade feita dos seus estilhaços preferidos de verdade verdadeira, é que as caixas de comentários são microcosmos cheios de gente doida. E, como diria o outro malcriadote, mainada.

O povéu, que não lê blogues mas até lê as coisas que o Zé Pacheco debita nos jornais, porque o homem (ena pai!) até aparece de vez em quando na televisão, fica assim esclarecido sobre este tema tão mais importante que a subida do preço do petróleo: as caixas de comentários dos blogues portugueses estão cheias de gente doida. Este homem é um senhuêre, carago!

Ah pois é! Então não é?

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