sábado, 21 de março de 2009

Semana

Já todos sabem, não é? Pelo menos todos os que se interessam por tal informação. Escuso, portanto, de informar o mundo que a tradução está concluída e à espera que eu desanuvie (se os montes de esterco barulhentos que moram por cima de mim deixarem) o suficiente para me lançar a uma revisão atenta e com calma.

(Alguém conhece um mafioso simpático que parta pernas a um preço camarada? Conhecem? Sorte a vossa.)

Naturalmente, o wiki, que já andava a ficar tristonho com a falta de atenção, voltou a mexer de forma visível, embora em boa medida graças a algumas ajudas. Tem neste momento 15 981 páginas, mais 89 do que na semana passada. Mas as alterações não se resumiram a criar páginas novas: também temos uma nova forma de apresentar as colecções, exemplificada com a Bang! e já implementada em cerca de 20 outras colecções mais pequenas. Dá mais trabalho, sim, mas também fornece muito mais informação apresentada de um modo fácil de consultar, o que constitui todo o objectivo da coisa.

Nas leituras, acabei uma antologia de FC francesa lendo o artigo que a encerra, basicamente uma bibliografia daquilo que, segundo a organizadora, merece mais relevo no que foi publicado no género até ao início dos anos 70. O livro chama-se O Sexo na Moderna Ficção Científica, e é um título algo desadequado. Não que não contenha FC, embora alguns dos contos se desviem mais para outros registos, não que não tenha sido mais ou menos moderna na época em que o livro saiu, mas sexo tem muito pouco. Debruça-se sobre muitas questões relacionadas com o género, com os afectos, mas sexo propriamente dito, daquele que justifica todos aqueles pénis tentaculares da capa e das ilustrações interiores, tem muito pouco. Salvo uma ou duas excepções, é um livro francamente púdico. E também é um livro bastante irregular a todos os níveis: não havendo nenhum conto muito bom, há dois ou três bons, uma série de contos interessantes, alguns maus e um horrendo; e a tradução oscila entre o bom e o muito mau, às vezes assinada pela mesma pessoa (os tradutores são três). Somando tudo obtém-se um livro medianozinho, mais desviado para o lado mau do que para o bom, embora não deixe de ter o seu interesse. Afinal de contas, a edição de FC francesa em Portugal foi rara a partir dos anos 70 do século passado, e este é o único exemplo que eu conheço de uma antologia de autores franceses (e contém a única obra que muitos deles publicaram por cá).

Das outras leituras consta O Sapateiro Prodigioso, uma crónica de José Saramago sobre um sapateiro que terá conhecido, supõe-se, e que, apesar do título, nada tem de fantástico. O prodígio está no homem se dedicar a profundas questões filosóficas quando menos se esperaria.

Também consta Os Homens da Terra, de Ray Bradbury, um óptimo conto, cujo grande ponto forte é o modo como toda a inverosimilhança que encerra acaba por encaixar no fim. À primeira vista é um conto sobre o primeiro contacto entre terrestres e extraterrestres (neste caso, marcianos), mas vai bastante além da primeira vista.

A segunda leitura mainstream da semana foi O Homem da Luz, um conto do José Eduardo Agualusa sobre a loucura da guerra civil e a magia do cinema. Também gostei bastante.

Rejection, de Robert Reed, foi a leitura em estrangeiro da semana, um conto de ficção científica que também se debruça sobre o primeiro contacto entre nós e os ETs. Mas este é tratado duma forma curiosa, como se fosse um namoro, com as suas hesitações, idas e vindas e frustrantes investimentos emocionais. Não posso dizer que tenha gostado assim muito, mas a ideia é engraçada.

E por fim, as leituras concluíram-se com Conduzindo às Cegas, outro conto de Bradbury sobre um homem misterioso que aparece numa cidadezinha americana a vender carros com um capuz opaco enfiado na cabeça, despertando todas as curiosidades (e fartando-se de vender carros) e a amizade curiosa de um rapazinho. Outro bom conto, entre o fantástico e a americana, pendendo para aquele à superfície e para esta em profundidade.

E é isso o que tenho para vos dizer sobre a semana que passou. Portem-se bem, se for essa a vossa inclinação.

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