quarta-feira, 8 de abril de 2009

Gosto... não gosto

Atenção, atenção. O que se segue é uma tentativa de lançar um meme. Mas um meme invulgar porque completamente livre e voluntário, que não espicaça ninguém para passar adiante. As regras são simples, e convém mantê-las mais ou menos constantes, senão o meme deixa de o ser e passa a ser outro (o que também talvez tivesse o seu interesse de seguir. A evolução do meme, e tal. Mas isso fica para uma próxima oportunidade, parece-me). Basta indicar 5 coisas de que se gosta e 5 coisas de que não se gosta. Só isso, nada mais. Seria útil e faria sentido também republicar as regras, ou fornecer um link para algum sítio onde se possa encontrá-las. Mas para além disso, é à vontade do freguês. Querem explicar porquês? Expliquem. Não vos apetece? Não expliquem. Entendam "coisas" como muito bem vos aprouver. Para mim, a definição é a mais lata possível. Dá para gente, objectos, sentimentos, acções, tudo e mais alguma coisa (lá está). Para vocês será o que entenderem que seja. Ah, e não se passa adiante. Convida-se toda a gente a participar da disseminação do meme não se convidando ninguém. Boa? Vamos lá.

Não gosto de...
Gente presunçosa.
Irritam-me, mexem-me com os nervos. Especialmente quando têm poucos ou nenhuns motivos para a presunção, o que é quase invariavelmente o caso. Quando nada fazem ou o que fazem é mal feito, quando dizem ou escrevem mais asneiras do que coisas acertadas. Quando entre a opinião que têm de si próprios e a realidade se abre um fosso. Quando não uma fossa.

Gosto de...
Rir.
Gosto mesmo de me rir. Gosto tanto de me rir, que no período mais tenebroso da minha vida escrevi uma história como esta.

Não gosto de...
Esparregado.
Não gosto de nada que diga respeito a esparregado. Não gosto do nome, não gosto da cor, não gosto da consistência, nada. Odeio de tal modo o esparregado que a única vez na vida que meti tal lamentável alimento à boca não estive com meias medidas: vomitei. Blhuergh!

Gosto de...
Ficção científica.
Não que goste de toda a ficção científica. Mas sei que gosto de FC porque consigo dela tirar prazer mesmo quando sei perfeitamente que a FC que estou a ler ou a ver é medíocre. Da que é mesmo má não gosto. Mas a medíocre, a mediana menos, a que se esquece imediatamente depois de fechar o livro ou de acabar o filme, essa marcha com gosto. E quando é mesmo boa, oh, delícia das delícias! E já que estamos com a mão nesta massa...

Não gosto de...
Fantasia épica.
É o fenómeno inverso. É preciso que uma obra de fantasia épica seja mesmo muito boa ou excelente para eu gostar dela, e mesmo assim não são todas. As que são meramente boas deixam-me indiferente; as que são medíocres só leio com grande dificuldade. As outras, vade retro, Satanás!

Gosto de...
Aprender.
Adoro aprender. Alimentar o cérebro com informação nova é dos maiores prazeres que a vida traz, e aquilo que mais me entristece na noção de que não estarei vivo para sempre é saber que haverá, por esse motivo, uma imensidão de coisas interessantes que nunca poderei aprender.

Não gosto de...
Promessas não cumpridas.
Especialmente quando quem não as cumpre sou eu. E especialmente quando há outras coisas envolvidas na realização da promessa. A sério: cada promessa não cumprida é uma fonte de frustração para alguém, uma fonte de entropia em algum sistema, um grão na engrenagem. Sempre que se diz "eu faço" e depois não se faz está-se a funcionar como peça defeituosa, e muitas vezes a desencadear uma sucessão de incumprimentos, sempre que há outras coisas ou pessoas dependentes daquilo que não se cumpre. É péssimo.

Gosto da...
Língua portuguesa.
Embora a ache por vezes demasiado perra e inflexível, acho a língua portuguesa um portento de criação colectiva. Pensem bem. Esta nossa língua foi sendo construída, camada após camada, mudança atrás de mudança, ao longo de milhares de anos, por milhões dos seus falantes e escreventes. E hoje, quando bem empregue, consegue ser sublime. Um portento. Qualquer língua o é, provavelmente, mas a portuguesa tem o especial condão de ser a minha.

Não gosto de...
Vizinhos barulhentos.
Vizinhos barulhentos são a escumalha da terra. E está tudo dito.

Gosto de...
Mim.
Não, descansem, não me acho a sétima maravilha do mundo. Mas gosto de mim. E quanto mais amadureço mais de mim gosto. Acho que tenho mais qualidades do que defeitos, e que com o passar do tempo alguns dos defeitos se vão atenuando e algumas das qualidades se vão aprimorando. Gosto particularmente do modo como a minha cabeça funciona. Na maior parte das coisas, pelo menos. Chama-se a isto auto-estima, e suponho que tenho uma quantidade saudável de tal qualidade (sim, é uma qualidade). Não de mais, mas a suficiente. A suficiente, pelo menos, para achar que sou capaz de fazer as coisas e meter mãos à obra. E geralmente até tenho sido.

E pronto, é isto. Não passo o meme a ninguém, mas tu que o leste considera-te convidado a participar neste gosto... não gosto.

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