sábado, 18 de abril de 2009

The stars, my destiny

OK, o título do post é uma brincadeira que reutiliza o título de um belíssimo romande de ficção científica de Alfred Bester, publicado em Portugal em duas traduções diferentes em 1977 e 1985. Ou de um dos títulos, porque teve dois, sendo o outro Tiger! Tiger! Vivamente recomendável. Mas não é disso que vos quero falar; é do Nuno Galopim.

O Nuno Galopim resolveu fazer uma breve visita ao centro russo de treino de astronautas, e eu acho muitíssimo bem, ainda por cima por ter feito também uma brincadeira com o título de outra obra marcante na ficção científica duma certa geração: a série Espaço: 1999.

O que já não me parece bem é ter-lhe chamado "Star City".

Não, Nuno, aquilo não se chama Star City. Se quisermos ser pernósticos e dar-lhe um nome em estrangeiro, então chamemos-lhe pelo seu nome russo: Звёздный городок, o que se poderia transcrever em português como Zviozdni Gorodok. Star City é, tão-só, a tradução inglesa desse nome, e se vamos usar uma tradução pois que se use a portuguesa, já que o resto do texto é em português. Sim, embora Звёздный городок não signifique precisamente Cidade das Estrelas, é esse o nome comum do lugar em português, provavelmente por adaptação da designação inglesa. Portanto é essa a designação que se deve usar em textos portugueses. Cidade das Estrelas, não Star City.

Mesmo no caso de não haver já uma designação comum na nossa língua, nunca seria boa ideia chamar ao lugar Star City. A Rússia não é um país anglófono. Ou se usava a transcrição do russo, ou então traduzia-se directamente para português. E a tradução mais correcta, nesse caso, seria "Vila das Estrelas", visto que cidade em russo é город (gorod), não городок (gorodok). Городок quer dizer, textualmente, "cidadezinha".

Tá bem?

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