domingo, 5 de julho de 2009

E dura, e dura...

E continua a novela dos profissionais vs. amadores, no twitter e agora também aqui nas caixas de comentários, até trazendo à baila definições (parciais, claro) de dicionário. OK, seja. Por uma última vez voltemos ao assunto. E vejamos o que diz um dicionário decente sobre o que é um profissional: o Houaiss.

Como geralmente acontece na língua portuguesa, a palavra profissional tem vários significados, e até é aplicada em duas funções gramaticais. Aqui estão todos os que o Houaiss lista:

adj 2g
1. Relativo a profissão
2. Próprio de uma determinada profissão
3. Responsável e aplicado no cumprimento dos seus deveres de ofício
4. joc. Que dá carácter de profissão a um modo de ser, seja por praticá-lo sistematicamente, seja por auferir lucros dele.

adj 2g s 2g
5. Que ou aquele que exerce por profissão determinada actividade.

No texto em causa, este, interessava-me separar as editoras que são obrigadas a vergar-se aos ditames do mercado porque se não o fizessem não seriam capazes de prover ao sustento dos editores e funcionários daquelas que nem por isso, porque os seus editores mantém outras actividades. O post é absolutamente cristalino quanto ao que entendo por profissional neste contexto (corresponde ao significado 5), mas certas pessoas preferiram partir do princípio de que era o 3, e vá de insulto para baixo.

O que é realmente patético é eu praticamente ter dito nesse mesmo post que achava que editores não profissionais (semi-pro ou amadores) têm mais liberdade para editar bem. Citando:

Como consequência, estas editoras são bem mais livres no que toca ao que editam e ao modo como editam, embora o reverso da medalha seja estarem geralmente em franca desvantagem no momento de negociar direitos. Mas tirando este detalhe, têm muito mais possibilidade de fazer uma edição de gosto, de prazer, do que as profissionais. E têm muito mais liberdade para editarem precisamente o quê e como lhes apetecer.


Isto porque são mais ágeis e estão menos agrilhoadas ao que vende ou não vende, logo não precisam de seguir modas, fazer edição baseada em fama, editar muito e depressa, etc. Se não querem perder dinheiro, podem espaçar edições e esperar que a última se pague antes de se meterem na próxima. Precisamente porque os editores não dependem unicamente do resultado financeiro da editora para manter o pão na mesa. E era só isto. Mas há quem não saiba ler bem o que se escreve, o que não deixa de ser tremendamente irónico se tivermos em conta o meio em causa.

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