sábado, 7 de novembro de 2009

Lido: Cepas

Cepas, de Juan Pablo Noroña, é uma noveleta de ficção científica hard ambientada num habitat espacial, constituído por um misto de tecnologia "convencional" e biotecnologia. Esta última consiste numa espécie de planta, que pode pertencer a qualquer uma de várias linhagens diferentes. A premissa da história tem a ver com o surgimento duma doença numa dessas linhagens, e a investigação subsequente.

Um dos problemas de que a ficção científica de origem não anglófona sofre é a dificuldade que causa, a nível da própria linguagem, a quem a está a ler. É que se estamos todos mais ou menos acostumados ao estilo que os neologismos ingleses tomam, a ponto de os entendermos às vezes melhor do que os que surgem na nossa própria língua, quando saimos do âmbito anglófono e temos de lidar com os neologismos de outra língua as coisas já não correm tão bem. É que mesmo quando essa língua nos é familiar (e eu tenho-me na conta, talvez benévola, de um falante bastante razoável de castelhano), os seus neologismos de FC recorrem muitas vezes a significados mais obscuros das palavras e, para piorar as coisas, intersetam-se com os anglófonos de formas que nem sempre são óbvias a quem os olha de fora.

Já perceberam certamente que é o que se passa aqui. Os neologismos típicos da FC prejudicaram bastante a minha leitura de Cepas, conjugados com uma oralidade (o conto é composto em grande medida por diálogos) que nem sempre é compreensível por inteiro. De modo que o terminei sem saber bem o que pensar, embora me pareça que se dispersa desnecessariamente por detalhes algo desinteressantes sobre relações interpessoais, sem que com isso consiga construir personagens complexas, perdendo um pouco de vista o fio condutor da história.

Quem quiser avaliar por si próprio pode encontrá-lo aqui.

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