quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Lido: La Triple Muerte de Moffo Mönnly

Nas minhas caóticas leituras às vezes acontecem sincronicidades engraçadas. Uma dessas sincronicidades apareceu com esta noveleta, lida logo a seguir ao conto pulp lovecraftiano do Carqueija e que partilha com ele uma série de características. Não é lovecraftiano, mas é igualmente pulp, baseando-se fortemente em referências da literatura dita popular americana da primeira metade do século XX. Num e noutro há um herói que é investigador e que é contratado para resolver um mistério, num e noutro o mistério é solucionado a contento, como não podia deixar de ser e, também como não podia deixar de ser, num e noutro o herói acaba com a garota. Mas à parte isso, dificilmente seriam mais diferentes.

La Triple Muerte de Moffo Mönnly, de Fabio Ferreras, é um conto de ficção científica pulp, que brinca com o policial negro — o protagonista chama-se Ray M. Chandler, referência óbvia a Raymond Chandler — e com o seu velho cliché do detetive privado sem um tostão furado no bolso, que é subitamente contratado para resolver um assassínio. Neste caso, o assassínio de Moffo Mönnly, um alienígena muito peculiar, que chega ao escritório do detetive já morto. Ou por outra, já ressuscitado, pelo que é ele próprio a contratar o herói, identificando de imediato o seu próprio assassino. Parece fácil. Só que a trama complica-se quando Chandler é de novo contratado, quase de imediato, para descobrir o paradeiro de Mönnly... precisamente por quem o matou.

Ou seja, apesar de também ter algumas daquelas características típicas do pulp que mais me desagradam, incluindo alguns disparates astronómicos (gente a viver na superfície de Saturno, coisas do género), esta história é muitíssimo melhor do que a do Carqueija. Porque tem espaço para se desenvolver e desenvolve-se com reviravoltas no enredo que o mantém interessante. Não é uma grande história, mas é uma história muito aceitável, dentro do género. Provavelmente é capaz de agradar quer aos fãs de FC mais ligados ao pulp, quer a fãs de policial. A mim, entreteve com eficácia.

Se alguém estiver interessado, pode ler a noveleta aqui.

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