sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Lido: A Fórmula

A Fórmula é um conto de Arsénio Mota que namorisca com aquelas antigas histórias de ficção científica centradas na figura do inventor/cientista louco. E fá-lo tão seriamente que até inclui alguns dos defeitos comuns nesse tipo de contos, como o uso do "como-sabes-Bob", isto é, de um recurso estilístico (a que os apreciadores modernos do género torcem o nariz) no qual uma das personagens explica a outra algo que ambas sabem, para benefício do leitor, que não possui essa informação. A história centra-se à volta de um amigo do protagonista, teórico da conspiração inveterado e inventor excêntrico, que terá descoberto uma forma radical para poupar vastas quantidades de gasolina e se sente perseguido por aqueles que têm interesse em manter o status quo. Mota, contudo, não nos revela se assim é ou não, ou sequer se a invenção extraordinária é real ou imaginada; limita-se a sugerir. Prefere deixar-nos na dúvida, numa abordagem muito todoroviana aos temas fantásticos. Em parte por isso, e apesar do "como-sabes-Bob" e de mais alguns diálogos inverosímeis por pouco naturais, é um conto com algum interesse.

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