quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Desafio 2: O Banquete

Eu sabia que me iam logo atirar com coisas escorregadias. Acho muito bem.

Pois acontece que aqui há dias escrevi um tuito em que dava conta do meu desagrado quando me deparava com descrições pomenorizadas de comida nas minhas traduções. Dá uma trabalheira e abranda a velocidade da tradução. É uma chatice. E aqui está alguém a propor-me como tema de uns quantos versos um banquete, pois que mais havia de ser? Lembrando-se de um certo autor de que eu não digo o nome (coffgeorgerrmartincoff), mas que vai falando de comida com grande profusão ao longo da série de livros de fantasia que traduzi.

Então tá bem. Cá ficam eles, os versos sobre um banquete:

O banquete

No centro da larga mesa, uma bandeja
onde um javali se derrete em gordura
à volta gritos, risos, arrotos e bocejos
a um canto um casal enovela-se em ternura
e há quem apalpe seios entre beijos
pratos tilintam, bebe-se seja o que seja

Criados circulam por ali sem serem vistos
a menos que se estatelem, imprevistos
levam pratos vazios, trazem-nos cheios
eles ligeiros e sisudos elas num vento de chilreios
trovadores dedilham harpas e trauteiam
belas melodias que os outros só desfeiam

E junto à lareira, entre as sombras oculto
um vulto monumental de imensas barbas
entre pernas de frango e tragos de cerveja
vai observando com olhos vivos o tumulto
e murmurando “é isso mesmo, é mesmo assim”
rabisca num papel, com uma pena de marfim
“No centro da larga mesa, uma bandeja…”

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