segunda-feira, 23 de maio de 2011

Lido: O Homem que Perdeu o Cérebro

O Homem que Perdeu o Cérebro (bib.) é mais um caso de coletânea que tem o mesmo título de um dos contos que a constituem. Trata-se de um conjunto de três histórias escritas por Reinaldo Ferreira, o Repórter X original, e datadas, suponho eu, dos anos 20 do século passado. São histórias folhetinescas, movimentadas e aventurosas, num estilo muito próximo do pulp, mas com mais elaboração estilística do que é hábito encontrar neste. Embora não seja propriamente esse o objetivo, Ferreira tem uma prosa interessante, com alguns verdadeiros achados linguísticos, embora tenha também uma característica que me irrita bastante: um grande abuso nos estrangeirismos. A ideia parece-me ser dar uma ideia de cosmopolitismo aos ambientes e enredos, mas a mim tantos estrangeirismos só me transmitem uma impressão de provincianismo armado aos cágados, embora tenha de reconhecer que parte deles acabaram por ser aportuguesados e incorporados na língua mais tarde.

Para aquilo que é pretendido com elas, as histórias são bastante boas, movidas sempre por um mistério que o repórter vai desvendar de uma forma caracteristicamente apressada. Nada de tempos mortos, nada de gorduras indesejáveis, os textos saem magros e diretos ao ponto. É, portanto, um livro eficaz, que cumpre bem o que dele se pretende. Nesse sentido é bom livro. Mas tenho de voltar a dizer isto: incluí-lo numa coleção de literatura fantástica foi um erro porque só muito de onde a onde e com grande boa vontade se pode encontrar nestas histórias algo de fantástico. Estas são no essencial histórias de aventuras e mistério, não histórias fantásticas. E o leitor que pegue no livro à procura de um homem mesmo desprovido de cérebro ou de criaturas realmente anfíbias a passear-se pelo Tejo, fecha-o sentindo-se defraudado. E isso não é bom. Culpa, obviamente, do editor, não do Repórter X; este fez o que lhe competia e fê-lo bem, aquele julgo que não.

Eis o que eu disse de cada uma das histórias:

- O Homem que Perdeu o Cérebro
- As Azagaias da Princesa Mulata
- Os Anfíbios do Tejo

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