sábado, 11 de fevereiro de 2012

Lido: O Tesouro da Rainha do Sabá

O Tesouro da Rainha do Sabá (bib.), do meu quase conterrâneo Nuno Júdice (é da terra do meu pai, uma das freguesias aqui do concelho, a uns 6 ou 7 km da cidade), é uma noveleta surrealista e onírica que, apesar de estar bem escrita, não me agradou. Júdice é mais poeta que contista, e isso significa que entre a história e a formosura da frase escolhe sempre esta. Os fãs de escrita automática, aquela escrita em que o escritor vai para onde a pena o leva, sem qualquer controlo sobre o destino, ou sequer sobre a viagem, provavelmente gostarão deste texto. Eu não o sou. O surrealismo de que gosto é um surrealismo controlado, no qual se sente que o autor tem um mínimo de noção do que está a fazer, e quer alcançar com o texto mais do que simplesmente ver onde ele o leva.

Júdice, parece-me, não tem aqui mais interesses do que a viagem propriamente dita. Leva o seu protagonista a deambular pela Primeira Guerra Mundial, por Paris, Berlim e Nápoles, pelo Egito, por aqui e por ali, sem propósitos que cheguem alguma vez a ficar realmente claros, e depois como que abandona o conto sem chegar a pôr-lhe fim. Sim, percebo bem que é essa a natureza dos sonhos, que deles não se espera coerência, que acordamos sempre antes de vermos a palavra FIM a encerrá-los, sempre a meio, que talvez tenha sido emular essa sua natureza o objetivo do autor ao escrever esta história e que, se foi, esse objetivo está plenamente conseguido. Mas compreender tudo isto não me levou a gostar mais da leitura. Para sonhos bastam-me os meus; das histórias que leio quero mais estrutura, mais significado. Quero terminar a leitura com a sensação de que não desperdicei o meu tempo, e foi precisamente com a sensação oposta que acabei de ler este livrinho. A sensação de tempo perdido, de que a leitura não adiantou nem atrasou, que nem me distraiu nada que se visse, nem lucrei com ela coisa alguma. E isso é mau.

Este livro foi comprado.

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