domingo, 29 de abril de 2012

Da retórica enquanto lixo

Cada vez me dou menos ao trabalho de rebater afirmações caluniosas ou aquelas insinuaçõezinhas torpes que tão frequentes são no modo de agir daquelas pessoas que, tantas vezes a coberto do anonimato, vêm para a internet destilar veneno. Hoje, excecionalmente, vou fazê-lo como meio de mostrar algumas diferenças.

Num dos comentários a este post, um tal "Mario" que finge não ser anónimo usando um nome comum, mas na verdade é-o porque tem um perfil vazio e mais nada, acusa-me dissimuladamente de ser alguém que "à primeira oportunidade tenta agradar aos "grandes", e enche-se de razão e finge-se [sic] saber mais do que sabe." Provas do que diz? Não dá, claro. É a típica acusaçãozinha rasteira, não substanciada e vazia que este tipo de gente tanto gosta de usar.

O que eles deviam fazer, para que alguma hipótese houvesse de terem a mínima relevância no debate era, para começar, terem a coragem básica de se identificarem quando estão a falar com gente identificada. E em segundo lugar, de consubstanciarem o que dizem com algo que pelo menos se assemelhe a factos.

Dou um exemplo.

O mesmo "Mario" produz a seguinte afirmação, plena de elegância: "O problema dos acordistas é fazerem olho cego ao verdadeiro problema do Acordo: É uma imposição de traços ditatoriais. Nenhum deles tem testículos para discutir esse ponto."

Ou seja, segundo ele, o Acordo Ortográfico, ratificado por larga maioria na Assembleia da República pelos deputados eleitos pelo povo, o mesmo tendo acontecido com os protocolos retificativos, o último dos quais, lembro-me bem, foi ratificado em cumprimento de uma promessa eleitoral, é "uma imposição de traços ditatoriais". Ora eu, baseando-me nos factos supracitados, digo que esta afirmação é absolutamente idiota e revela que o nosso comentador anónimo nada sabe sobre o que é a democracia. Para ele, as coisas são democráticas quando são do seu agrado; se não são, trata-se de "imposições de traços ditatoriais".

Eis o ponto discutido por um "acordista". Pelos vistos tenho testículos. Viva eu.

Mas o verdadeiro ponto que aqui quero sublinhar é este: rebater um argumento com factos faz parte da discussão. Anular uma afirmação de totalitarismo com os factos a respeito do modo como o acordo foi aprovado pelas instituições democráticas deste país é, realmente, produzir argumentos. E avaliar os conhecimentos ou a ignorância de quem faz uma tal afirmação com base no resultado desses argumentos é legítimo e inteiramente válido.

Pelo contrário, atirar retórica insubstanciada e caluniosa ao ar não passa de lixo.

Já há demasiado lixo por aí. Não façam mais. Mas se não conseguirem resistir, e bem sei que há por aí muita gente que não consegue resistir a produzir lixo, não esperem que eu me dê ao trabalho de vos dar alguma atenção. Vão ficar a falar sozinhos. Temos pena.

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