sexta-feira, 29 de junho de 2012

Lido: A Cabeleira

A Cabeleira, de Guy de Maupassant, é um daqueles contos fantásticos que pretendem deixar o leitor na dúvida sobre se o que é nele contado é ou não verdade. Tem a curiosidade de ser narrado ao mesmo tempo na primeira pessoa, na terceira e de novo na primeira. Confusos? É caso para isso. É que o narrador, que obviamente fala de si próprio na primeira pessoa, quase se limita a passar ao papel uma história que lhe é transmitida por um médico psiquiatra, ao qual se refere na terceira pessoa. Mas este não conta a história de memória; lê-la de um depoimento escrito pelo punho de um dos seus pacientes. E este, o verdadeiro protagonista do conto, descreve uma relação que terá tido com um fantasma, o fantasma de uma mulher que se mantém presa à sua antiga cabeleira (daí o título). Descreve-a, está bom de ver-se, na primeira pessoa.

A história de fantasmas (d)escrita pelo louco — e será mesmo louco? — tem o seu interesse, mas o que realmente se destaca neste conto é a sua estrutura, particularmente complexa para história tão curta. Maupassant era um escritor e peras, e esta história é disso prova. Muito bom.

Conto anterior desta publicação:

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