sábado, 29 de dezembro de 2012

Lido: Auto do Extermínio

Auto do Extermínio (bib.) é uma longa noveleta de Cirilo S. Lemos que se pode enquadrar naquele retrofuturismo mais fiel à história alternativa, apesar de conter alguns elementos de outros géneros. E é, diga-se desde já, uma excelente noveleta. Ambientada no Brasil, como aliás tem sido quase sempre o caso no livro em que se insere, mostra-nos o país em plena convulsão política, nos últimos estertores de uma monarquia prolongada até bem dentro do século XX, agitado por comunistas por um lado e fascistas pelo outro, com o exército, republicano, a constituir uma quarta fação, talvez a mais poderosa, talvez a que mais cordelinhos puxa, dominada por um tal general Protásio Vargas que além de ambição pessoal pode, ou não, ser também movido por interesses estrangeiros.

A história em si mesma é uma história sobre a conquista do poder, sobre atentados e movimentações de bastidores, sobre armas secretas sofisticadas (para o nível tecnológico de meados do século XX, entenda-se, embora também haja um clone metido ao barulho) e assassinos orientados por capacidades premonitórias especiais. Uma história cheia de peripécias e reviravoltas, como costumam ser as histórias de todas as revoluções, e que portanto tem do princípio ao fim esse interesse, o interesse de se saber quem sairá vencedor. Mas é, sobretudo, uma história muito bem escrita — salvo um par e meio de erros de revisão —, com um magnífico ritmo e pormenores cheios de algo a que só posso chamar literatura. Tudo, ou quase, muito bom.

Contos anteriores deste livro:

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