segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Lido: Impávido Colosso

Impávido Colosso (bib.) é uma noveleta de Hugo Vera que, no contexto de uma guerra entre a Argentina (apoiada pelo Chile e por... Inglaterra, por inverosímil que pareça) e o Brasil, apoiado pelo Paraguai, introduz a ideia dos mechas no ambiente sul-americano e retrofuturista. Para quem não sabe o que são mechas, eu explico: trata-se de robôs de grandes dimensões, geralmente de formato humanoide, por vezes tripulados, outras telecomandados, outras totalmente autónomos, e desenvolveu-se à volta deles um subgénero completo de ficção científica, muito dirigido para o público juvenil, com especial preponderância na banda desenhada e na animação. Os Transformers, por exemplo, são mechas.

Um pouco à semelhança do que Carlos Orsi fez com a sua história de super-heróis, Hugo Vera "transplanta" para o Brasil a ideia, mais habituada a outros ambientes, e sai-se razoavelmente da empreitada. Pese embora alguns excessos descritivos e principalmente explicativos (até a infame técnica conhecida como "as-you-know-Bob" faz nesta história a sua desagradável aparição na demasiado longa ambientação inicial), e um português de menor qualidade do que o utilizado pelos autores das histórias anteriores constantes do livro de que esta faz parte, chegando mesmo a incluir alguns erros (a crase! a crase!), a noveleta tem qualidades. Há cenas de ação dinâmicas e em geral bem escritas, por exemplo, e há alguns detalhes de enredo bem pensados. É previsível? Em grande medida é: a sua natureza pulpesca, que é evidente desde o início, torna boa parte do enredo bastante previsível. E no entanto, o final é surpreendente. Na verdade, o final é a melhor parte do texto, conseguindo sozinho fazer com que esta noveleta se erga da mediocridade. Não creio que chegue a transformá-la numa boa história, mas resgata parte do que de menos bom ficou para trás.

Contos anteriores deste livro:

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