quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Verbos na nova ortografia

Os verbos são um tipo de palavra muito particular, na medida em que tipicamente se expandem num conjunto de algumas dezenas de formas vocabulares diferentes consoante os seus vários tempos e pessoas. Assim, achei que seria interessante isolá-los do resto do Vocabulário da Mudança, para ver se as tendências que se encontram na "população geral" (chamemos-lhe assim) de palavras aí existentes também se verificam entre os verbos.

Para tal, identifiquei automaticamente, na minha folha de excel com as minhas formulazinhas, um conjunto de palavras com probabilidade de serem verbos, ou seja, as que terminam em -ar, -er ou -ir. São ao todo 232. Entre estas, fui de seguida isolar os verbos. Isto fiz à mão, e é a única coisa feita à mão de toda esta análise; ou seja, se houver algum erro será decerto neste passo. Assumindo que não há, que nem deixei nenhum verbo de fora nem chamei verbo a nada que o não seja, o total de verbos no Vocabulário de Mudança é de apenas 178. O que, já agora, é uma boa indicação de quão limitadas são as mudanças introduzidas pela nova ortografia: há larguíssimos milhares de verbos na língua portuguesa.

Mas adiante.

Fiz, para os verbos, uma análise idêntica à que fiz para todo o vocabulário e que apresentei neste post. Como a análise é semelhante, apresento os resultados também de forma semelhante. Ei-los:
  • O Vocabulário da Mudança contém um total de 178 verbos
  • Entre esses, contam-se 70 casos de grafias anteriormente divergentes que hoje são duplas.
  • Contam-se 36 casos de grafias anteriormente idênticas que continuam hoje a ser idênticas (mas diferentes das anteriores).
  • Contam-se 60 casos de convergência, grafias anteriormente diferentes que passaram a ser iguais.
  • Contam-se 12 casos de divergência, verbos que anteriormente se escreviam de forma igual mas passaram a aceitar dupla grafia.
Ou seja, e de novo, a convergência bate a divergência por larga margem, ainda que um pouco inferior à da população geral. São "só" 5 vezes mais casos de convergência do que de divergência. Mais curioso, a meu ver, é que enquanto a razão entre grafias divergentes/duplas e idênticas/idênticas é semelhante ao que acontece na população geral (3703 para 1421 na população geral, ou seja, 2,6 para 1; 70 para 36 nos verbos, ou seja, 1,9 para 1), a proporção de casos tanto de divergência como, sobretudo, de convergência é muito maior. O motivo para isto é simples: os verbos são sobretudo afetados pelas mudanças na grafia das consoantes mudas, tendo as outras mudanças instituídas pela nova ortografia muito pouco efeito sobre eles, ou mesmo nenhum. E o que isso quer dizer é que mesmo nas tão mal-afamadas supressões de consoantes mudas, por critérios fonéticos, o efeito genérico é sobretudo de convergência ortográfica, ao contrário do que tão propalado tem sido por aí.

Era gajo para jurar que isto é mais um pequeno prego no caixão de certas ideias. Que vos parece?

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