quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lido: História de Gente Grada com Bandidos Pelo Meio

História de Gente Grada com Bandidos Pelo Meio é uma noveleta de António Cabral sobre andanças e desandanças sociais na alta sociedade duriense do século XIX. Exclusivamente histórica, a noveleta socorre-se de personagens e, pelo menos até certo ponto, julgo, de acontecimentos reais, para relatar com profusão de pormenores a tentativa do Duque de Saldanha, uma das mais poderosas figuras de todo o século XIX português, de combinar casamento entre o seu filho e a filha da Ferreirinha, célebre e riquíssima (e que parece estar a tornar-se também legendária) empresária vinícola duriense, empresa com a qual a empresária não está pelos ajustes. Bastante bem escrita, à parte uma ou outra vírgula a mais, e também bastante bem contada, se fecharmos os olhos a uma ou outra divagação que em nada enriquece o fluir da história, antes pelo contrário (em especial uma intromissão do autor na história, plena de nostalgia, sobre os barcos rabelos), é, pareceu-me, um bom conto que relata as peripécias, as insistências, as teimosias, os jogos de interesses, as promessas, as desilusões e até as sacanices que terão rodeado a frustrada tentativa de união.

Apesar de me parecer boa, esta não é das histórias que mais agrada ao meu gosto — não sou grande amigo de ficção histórica — mas o que menos me agradou foi algo que não creio que tenha a ver com gosto pessoal. Antes, é algo que já noutras histórias me incomodou e de que já aqui falei: a emulação dos escritores do passado.

É que esta história, publicada em 2005, se lê como algo escrito no século XIX. Não só o tema é oitocentista, como o próprio estilo o é, em boa medida. Ora, não creio que seja boa ideia estar-se a escrever hoje como se escrevia há mais de cem anos, a menos que se pretenda fazer um pastiche, o que não creio que seja o caso; de então para cá muita literatura passou por baixo das pontes, por assim dizer. E isso, julgo, diminui o valor das histórias. Portanto sim, creio que esta é uma boa história, mas não julgo que o seja muito.

Texto anterior deste livro:

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