domingo, 4 de agosto de 2013

Lido: A Maldição do Almocreve

A Maldição do Almocreve (bibliografia) é mais um conto de fantasmas de Hugo Rocha. E é o pior conto do livro até agora. Não por se passar no campo, nos caminhos recônditos que outrora ligavam as aldeias da Beira Alta. Nem sequer devido ao já característico estilo enredado e submerso em vírgulas que o autor utiliza. Mas porque é uma história mal pensada e executada apressadamente.

O protagonista, de novo também narrador, é um homem que tem por hábito viajar a pé pelo pinhal entre a sua aldeia e uma vila próxima, tanto de dia como de noite. Uma bela noite, encontra a meio do caminho uma mulher caída. E benze-se, assustado, enquanto se vai aproximando a medo. Mas é só uma mulher, acha ele, e tudo fica bem. Ela pede-lhe para a acompanhar até casa que é já ali, no meio do pinhal, e ele que sim senhora, que com certeza. Depois... depois repara nas sombras que o luar gera. A sua está lá como deve ser; mas da da rapariga, que segue a seu lado nem sinal. E? E nada. O homem nem os ombros encolhe. O facto não aquece nem arrefece a mesma pessoa que pouco antes se tinha assustado e benzido ao ver um vulto no caminho.

Hã?!

Alguém se devia ter virado para o autor e dito "ó Hugo, pá, vê lá se dás um jeto aqui a isto, que não faz sentido nenhum." E a mais duas ou três coisinhas que foram aparecendo ao longo do conto. Porque este até tinha potencial para ser bom; uma boa história de maldição e vingança vagamente vampiresca, beneficiando de um ambiente rural português que até está bem conseguido. Mas com tão gritantes falhas de enredo, não. É pena.

Contos anteriores deste livro:

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