segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Lido: Três Horas Entre Dois Aviões

Três Horas Entre Dois Aviões é um pequeno conto de F. Scott Fitzgerald sobre as partidas que a memória às vezes prega às pessoas. A história é singela. Um homem bem-sucedido, a meio de uma viagem de avião pelos Estados Unidos, tem uma escala de três horas na sua terra natal e, para não desperdiçar essas três horas no aeroporto, decide ir à procura de velhos conhecidos. Ou melhor: de uma velha conhecida em especial, uma antiga paixão dos tempos de rapaz, que o rejeitara. A ideia não é inteiramente benévola — afinal, ele depois de ser rejeitado e de sair da cidadezinha encontrara o sucesso, e ela limitara-se a ficar ali, mergulhada em mediocridade. Seja como for, procura-a. E encontra-a. E ela acolhe-o com uma vivacidade que ele não esperava. Aliás, nada corre bem como nenhum deles esperava.

No fim, há mal-entendidos, há embaraço, há ilusões e desilusões, há montes de coisas. Humor é que não me parece que haja muito. Este conto, francamente bom, até por conseguir conter tanto em tão poucas páginas, parece-me ser muito mais melancólico do que humorístico, mesmo com mal-entendidos e tudo. As situações são muito mais patéticas que patetas, e as duas personagens, enredadas em idealizações e memórias imperfeitas, vão magoar-se mutuamente quase sem dar por isso. Ao lê-lo, não sorri sequer uma vez.

Mas gostei do conto. Terá sido muito mal escolhido para uma antologia de contos humorísticos, mas é um bom conto.

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