segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Lido: A Flor Sanguínea

A Flor Sanguínea é um conto de horror de Seabury Quinn com aquele ar clássico dos primeiros whodonits em que entram criaturas sobrenaturais. Com motivo: afinal, trata-se de obra quase com 100 anos, protagonizada por um francês, Jules de Grandin, reputado investigador das coisas paranormais, cheio de pontos em comum com aquelas personagens maiores que a vida que tão abundantes foram em várias ficções de género do início do século XX (e do fim do XIX, também), do Sherlock Holmes ao Hercule Poirot, do professor Challenger ao Dupin de Poe, e por aí fora. Tal como os outros, também de Grandin é senhor de um intelecto cujo funcionamento não está ao alcance dos demais, além de uma série de expressões características (pardieu!) que o individualizam. E tal como muitos dos outros, também ele tem um amigo, que narra a história e o vai acompanhando. Elementar, meus caros.

O problema, bem entendido, é que tudo isto, que à época era moda razoavelmente fresca, se transformou entretanto num surradíssimo cliché. E por isso, ao ler hoje esta história de lobisomens em que uma senhora bem de vida cai súbita e misteriosamente doente, a surpresa de que este tipo de história movida a enredo carece praticamente não existe. Tudo se torna previsível e até algo aborrecido, enquanto o excêntrico de Grandin vai sendo o único a ir compreendendo, e apenas aos poucos, algo que o leitor razoavelmente experiente já percebeu quase desde o início do conto. Mais uma vez, a pobreza literária dos velhos pulps movidos exclusivamente a enredo tem como consequência que o envelhecimento das histórias conduz à sua irrelevância. Ler isto, hoje, tem pouquíssimo interesse.

Contos anteriores deste livro:

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