sexta-feira, 14 de março de 2014

No reino do ah, e tal

Hoje irritei-me politicamente. Não é coisa inédita, longe disso — em especial nos últimos tempos — mas hoje foi um pouco mais do que tem vindo a ser triste hábito.

Poderão pensar por esta altura que essa irritação teve algo a ver com o chumbo da coadoção por casais homossexuais. Pensam bem. Mas não foi pelo chumbo em si, mesmo pensando eu, como penso, que só um pulha poderá opor-se a que crianças que existem em famílias que existem possam ter formalmente como pais os únicos pais que conhecem. Que 112 pessoas se tenham vindo agora declarar com toda a clareza pulhas já nem me surpreende nem irrita: era precisamente essa a ideia que eu já tinha sobre a nossa direita (salva-se nela um punhado de pessoas com coluna vertebral, a que aproveitaria para tirar o chapéu se usasse tal coisa), e vindo de gente daquela nada me surpreende. Absolutamente nada.

Não, o que me irritou foi outra coisa.

O que irritou foi deparar logo com as conversas da treta do costume a falar de "os deputados" isto, "os políticos" aquilo, vindas de gente que acha (corretamente) que o resultado da votação foi uma vergonha.

Recordo: o diploma foi votado por 223 deputados, com liberdade de voto basicamente por todo o lado. Houve quem faltasse à votação, a Dama Inconseguida não votou apesar de estar lá devidamente empoleirada no seu varandim, e quatro deputados abstiveram-se. Ou seja: 107 votaram a favor. Todos os do BE, todos os do PCP, todos os dos Verdes, a grande maioria dos do PS e alguns do PSD.

Por isso, por que carga de água me vêm com merdas sobre "os deputados" ou "os políticos"?!

Que deputados? Que políticos?

Se há coisa que votações como esta provam sem deixar qualquer margem para dúvidas é que eles não são todos iguais. Que há diferenças. Que embora haja 112 pulhas, há quase igual número de pessoas que não o são. Que os pulhas estão bem circunscritos numa determinada área política. Por isso que raio tem na cabeça quem me vem, a este propósito, com a conversa estafadíssima do "ah e tal, e os políticos"?!

Há limites, caraças!

A sério? Parem de arranjar desculpas para a forma estúpida como votam ou como deixam para outros as decisões sobre quem eleger para o parlamento. Se os deputados em que votaram ou que deixaram eleger não votam como vocês acham que deviam votar não é porque "ah e tal, os políticos", é porque vocês votam mal.

Se não se sentem representados por aqueles 112 pulhas, a solução é simples: votem nos outros. Eu senti-me representado por aqueles em quem votei. Votaram como eu votaria. Votaram na decência. Votaram na humanidade.

Porque, muito decididamente, não são todos iguais.

2 comentários:

  1. que existem em famílias que existem?

    bolas existem mesmo....

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  2. e que raio interessa isso a 9.990.000 portugueses que num cu adoptam nem querem ser in putados com putos

    com tanto puto em institutos que ninguém quer adoptar a solo e podia fazê-lo

    como é que a pares vão cu adoptare mais putos

    que em Putocale se ande a discutir merdas destas dize muito du paiz en que se bibi

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