domingo, 6 de abril de 2014

Lido: As(os) Noivas(os) de Santo(a) António(a)

As(os) Noivas(os) de Santo(a) António(a) é mais um textículo-barra-missiva de Henrique Monteiro, desta feita endereçado por "um grupo de apoiantes do Sr. Deputado Sousa Pinto" (que, depois de perguntar a si próprio "quem?!", o leitor lá tem uma vacuíssima lembrança de uma estrela cadente do Partido Socialista, um dos muitos carreiristas com mais ambição do que talento que de vez em quando nos entravam casa dentro matraqueando palavreado oco por via televisiva) ao presidente da câmara de Lisboa. Um textículo com uma única característica de monta: é parvo. Piada, nem sombra dela se vislumbra. Aparentemente tenta, a propósito das noivas de Santo António, gozar com alguma proposta que eventualmente terá existido à época para reconhecer formas de organização familiar alternativas ao casamento. Daquelas polemicazinhas que hoje nem se percebem tão pacíficas se tornaram entretanto as soluções encontradas. Imagino que, à época, o conservadorismo troglodita talvez tenha visto nisto alguma graça, mas confesso que tenho de forçar a imaginação quase ao limite para conseguir imaginar tal coisa.

Henrique Monteiro é um completo erro de casting neste livro. Não há qualquer espécie de graça no que dele aqui se apresenta. Um zero total. E a culpa não é apenas dele: os organizadores deviam ter percebido que estes textos estão tão amarrados aos factoides politiquícios do tempo que, mesmo que alguma graça tivessem tido na altura certa, hoje já não têm nem sombra dela, não só mas também porque já ninguém se lembra daquilo a que fazem referência.

É que há coisas que são intemporais, há coisas que são importantes e há coisas que marcam a memória dos povos. Mas, aparentemente, não é sobre essas coisas que Henrique Monteiro gosta de escrever.

Textos anteriores deste livro:

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