domingo, 16 de novembro de 2014

Lido: Os Filhos do Lavrador

Os Filhos do Lavrador é um conto rural mas subversivo de Elizabeth Bishop sobre homossexualidade oculta, vergonha e a tendência que daí vem para tirar conclusões precipitadas. É uma história bastante bem contada, plena de subtileza, sobre um lavrador que de vez em quando viajava até à cidade com um seu empregado, passando lá a noite com ele, e que uma bela e fria manhã vai encontrar os filhos, a dormir no celeiro para proteger as alfaias de eventuais ladrões, coisa que faziam sempre que o pai se ausentava, numa posição que malentende.

É um conto muito bom, em especial se tivermos em conta que foi publicado na puritana América do fim dos anos 40: está muito bem concebido e levanta com eficácia uma série de questões muito pertinentes sobre a repressão da sexualidade. Mas a verdade é que para mim também acabou por ser um daqueles contos que se esquecem muito depressa. A paginação bizarra que sofreu neste número da Ficções não ajuda nada, mas o principal fator para isso terá sido não se tratar de leitura cujo tema me desperte grande interesse. No entanto, é leitura recomendável. Provavelmente é conto capaz de ensinar alguma coisa a muita gente.

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