quarta-feira, 3 de junho de 2015

Lido: As Torres de Vigia

As Torres de Vigia (bibliografia) é uma noveleta de J. G. Ballard, ambientada numa cidade (num mundo?) que está sob a omnipresente vigilância de umas estranhas "torres" que, aparentemente, estão suspensas sobre as casas e as vidas das pessoas, em fileiras regulares e ordenadas que se prolongam até perder de vista. Nunca se chega a perceber bem o que são as torres, ficando no ar a hipótese de serem algo de alienígena ou pelo menos algo pertencente a uma casta distinta da humanidade que vive, ou apenas sobrevive, cá em baixo à superfície.

Na verdade, toda a noveleta tem uma certa qualidade onírica, em parte motivada pela falta de explicação do que se passa. A curiosidade sobre o que são, ao certo, as torres, qual o seu objetivo, quem está lá dentro, todos os comos, quandos e porquês, é boa parte do que faz a história sustentar o interesse até ao fim e para lá dele. Isso e a rebeldia do protagonista, isolado (ou quase) numa cidade de gente resignada e temerosa, que não está disposta a fazer nada que possa eventualmente desagradar aos vigias das torres. Ou talvez seja mais adequado dizer que não está disposta a fazer nada, ponto.

Este é um conto muito ballardiano no sentido em que nos apresenta uma sociedade desestruturada por um acontecimento traumático e, neste caso, inexplicável ou inexplicado. Também é uma história altamente paranoica, daquelas de que só a FC é capaz. Há algo de Big Brother nas torres de vigia, e também há algo de Dick em todo o ambiente, e em particular no desenlace.

Estamos, portanto, perante uma boa noveleta? Estamos, sim senhor. Muito boa, até.

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