sábado, 29 de agosto de 2015

Lido: A Porta no Muro

A Porta no Muro (bibliografia) é um conto de H. G. Wells que, curiosamente, está muito radicado no estilo típico do conto fantástico vitoriano, mostrando o muito característico relato por via indireta de uma história vivida por um amigo do narrador, que este conta por lhe ter sido contada. E digo curiosamente porque não se vê nada disso nos escritos mais conhecidos de Wells, os quais, apesar de precederem este relato em cerca de uma década, são bastante mais modernos.

Trata-se de um conto fantástico, claro, e a história que o amigo conta ao narrador é a de uma estranha porta verde que lhe aparece invariavelmente incrustada num largo muro branco, sempre quando ele está sozinho, e que, aberta, dá acesso a um jardim mágico, exterior ao mundo comum, uma espécie de dimensão extradimensional. Uma fuga.

Pois é de uma fuga que se trata. Lá dentro, esquecem-se todos os problemas, desaparecem todas as crises, afastam-se todas as desilusões e frustrações. Por isso a porta é uma tentação, sempre presente em recordação, quando não sob a forma de porta sólida num muro sólido. A história é a dos vários episódios de tentação de fuga e de busca dessa tentação. A das razões para o protagonista cair na tentação ou (mais frequentemente) não o fazer. E ao mesmo tempo a de uma vida.

É um bom conto, apesar de me parecer demasiado antiquado para um autor que publicou antes histórias muito mais modernas. Um conto sobre a alienação, mais um. Nos últimos tempos, têm sido um fartote.

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