sábado, 26 de dezembro de 2015

Eu e a BD

Esta foto cheia de grão tem quase precisamente um ror de anos. Os três putos que ali se veem, com quatro anos de diferença entre uns e outros, sou eu e os meus dois primos albufeirenses, e o trio é só parte da foto completa. Foi tirada num dos natais passados em Albufeira, velha tradição familiar, e eu ali estou numa velha tradição pessoal: agarrado a um livro. No caso, um livro de BD, não me lembro qual.

Quando eu era puto, todos os natais, ou quase, havia BD à disposição. Ou eu, ou o meu primo Pedro ou, mais tarde, o Ricardo, recebíamos de alguém um ou mais álbuns de presente e toda a família (bem, não toda, mas incluindo o meu pai e o meu tio) se refastelava na tarde fria e preguiçosa de 25, a devorá-los. Era principalmente Astérix, embora o album que eu aqui tenho na mão não seja um dos de Goscinny e Uderzo (e o facto de eu não me lembrar dele significa que o contemplado deverá ter sido o Pedro) ou, em geral, BD franco-belga. Os comics americanos não faziam parte do menu. Também os lia quando os apanhava a jeito, e acabaram por vir alguns parar-me às mãos, não sei bem como, mas nunca comprei nenhum com o meu dinheiro (sim, nesta altura eu já tinha o meu dinheiro) e creio que nunca ninguém comprou nenhum com o intuito de mo dar. Lia-os, mas nunca fui grande fã, nem dos da Disney, nem dos das casas rivais de super-heróis. Quanto a estes, ganhei certa simpatia por alguns, em especial o Batman e o Homem-Aranha, mas em geral sempre os achei fundamentalmente ridículos. E os quadrinhos brasileiros, Mónica, Cebolinha e companhia, também estão nesta categoria: lia quando os apanhava, mas sem ser grande fã. Do que gostava mesmo era de Lucky Luke, Tintim e seus "parentes" (Spirou, Estrumpfes (smurfs é o caracinhas, tá bem?), Blake and Mortimer, Alix) e, acima de todos, Astérix.

Foi assim que foi construída a minha cultura de BD. Ela não é vasta nem particularmente variada, porque nunca me dediquei a aprofundá-la. Chegou uma altura na vida em que me desinteressei das histórias aos quadradinhos; passei a achar mais complexas e estimulantes as histórias escritas em texto corrido, e a vertente gráfica da BD, que é o que mantém muitos dos verdadeiros bedéfilos presos ao género depois da adolescência, nunca me interessou muito.

Como consequência, não deixei completamente de ler BD, mas quase. De vez em quando regressava aos meus velhos álbuns do Astérix que, de tanto lidos, estão hoje praticamente desfeitos e, mais raramente, lia um ou outro livro apanhado aqui e ali. A revolução da novela gráfica adulta passou-me quase completamente ao lado, embora tenha sido nessa fase que descobri e me tornei absoluto fã de Quino. Mais de outras coisas do que da Mafalda, embora também da Mafalda.

Ah, sim, claro, e nunca deixei de ler as tiras que vinham nos jornais, pelo menos até deixar de comprar jornais. O Calvin é o maior e Hobbes a sua consciência.

A que propósito vem agora tudo isto? Bem, é que este ano foi completamente atípico: li bastante BD e tive algumas surpresas agradáveis. Essa BD irá ser comentada aqui na Lâmpada nos próximos tempos, mas achei necessário deixar a nota prévia de que eu não sou bedéfilo. Sou só um tipo que foi lendo alguma BD ao longo da vida mas estou longe de sequer começar a ser conhecedor do género. Por conseguinte, se as minhas opiniões sobre o que leio valem sempre o que valem, no caso da BD isso é ainda mais assim. Especialmente no que diz respeito à parte gráfica, que é a que sempre me interessou menos.

Esclarecidos? Então vamos lá.

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