domingo, 3 de janeiro de 2016

Leituras de 2015

Em 2015 não só li mais do que no ano passado, como li mais do que em qualquer ano desde que abri conta no Goodreads, em 2010, pelo menos em termos de número de livros concluídos ao findar o ano. Não acontece o mesmo se olharmos ao número de páginas; aí foi apenas um ano mediano, que de qualquer forma é muito melhor do que o anterior.

Motivos para isso foram vários, mas o surgimento da BD nas minhas leituras teve certamente influência, tanto mais que, num período em que praticamente não li texto corrido por causa de uma tradução que me deixava bem farto dele ao fim de cada dia, consegui mesmo assim ler cerca de 3 livros por mês. BD, claro. Por contraste, outro período em que quase não li por causa da intensidade do trabalho, o início do ano, resultou em meses totalmente vazios de livros lidos. De todos, o melhor mês de leituras foi dezembro, com oito livros lidos; se tivessem sido todos assim teria concluído o ano com uns 100 livros lidos, uma média que só terei tido na época da minha vida em que li mais, a adolescência. Como não foram, o total (incluindo portanto livros e revistas) foi apenas de 39 (o Goodreads conta 40, mas um dos livros tinha dois volumes), melhor do que tem sido hábito nos últimos anos mas mesmo assim abaixo do que era a minha norma antes de me tornar tradutor.

Desses 39, os livros propriamente ditos, lidos por lazer, somaram 36, dos quais só 8 foram livros de autores lusófonos, uma percentagem muito baixa que terá de ser corrigida no ano que agora começa, e que inclui 10 álbuns de BD.

A lista completa é a seguinte:

1- Contos Comédia Urbana, de vários (contos teoricamente humorísticos);
2- O Último Anel, de Kirill Yeskov (romance de fantasia);
3- Sonho Febril, de George R. R. Martin (romance de horror);
4- Os Pescadores de Trevamar, de Roger Eldridge (romance de ficção científica);
5- Três Histórias com Final Feliz, de Maria de Menezes (contos de ficção científica e fantasia);
6- A República Nunca Existiu!, org. por Octávio dos Santos (contos de história alternativa);
7- Contos Crime, de vários (contos mais ou menos policiais);
8- A Loucura de Deus, de Juan Miguel Aguilera (romance primordialmente de horror);
9- A Cidade do Céu, de Kurt Siodmak (romance de ficção científica);
10- Ghostgirl - A Rapariga Invisível, the Tonya Hurley (romance juvenil de fantasia mais ou menos horrorífica);
11- Contos Guerra, de vários (contos mainstream em ambiente castrense);
12- O Tempo do Impossível, de John D. MacDonald (romance de ficção científica);
13- Contos a Oeste, de Ana Cristina Luz (contos fantásticos e de horror);
14- Os Vespões de Ouro, de Peter Randa (romance de ficção científica);
15- Passaporte Para o Eterno, de J. G. Ballard (contos de ficção científica);
16- Antologia do Humor Português, org. de Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos (uma variedade de prosa, textos cénicos e poesia de humor);
17- O Livro do Mr. Natural, de Robert Crumb (banda desenhada satírica, com toques fantásticos);
18- Bando de Dois, de Danilo Beyruth (banda desenhada de western caatingueiro, com toques de horror);
19- Pierre-Auguste Renoir, Meu Pai, de Jean Renoir (biografia);
20- Espíritos das Luzes, de Octávio dos Santos (romance(?) de pretensa ficção científica);
21- Beterraba: A Vida Numa Colher, de Miguel Rocha (banda desenhada entre o fantástico e o surrealismo);
22- A Arte de Voar, de Altarriba e Kim (banda desenhada biográfica);
23- Foi Assim a Guerra das Trincheiras, de Tardi (banda desenhada de guerra);
24- Em Busca de Peter Pan, de Cosey (banda desenhada);
25- A Louca do Sacré-Coeur, de Moebius e Jodorowsky (banda desenhada satírica, com elementos fantásticos);
26- Um Contrato com Deus, de Will Eisner (banda desenhada);
27- Mort Cinder, de Oesterheld e Breccia (banda desenhada fantástica);
28- A Porta no Muro, de Wells (contos fantásticos e de ficção científica);
29- Contos Memórias, de vários (contos mainstream);
30- Sharaz-De, de Sergio Toppi (banda desenhada fantástica);
31- Lisboa no Ano 2000, org. de João Barreiros (contos de ficção científica retrofuturista, com toques de horror e fantasia);
32- Relatório Sobre a Probabilidade A, de Brian Aldiss (romance de ficção científica);
33- Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe (contos de horror, policiais, fantasia, etc.);
34- Contos Comédia Social, de vários (contos irónicos);
35- VanderMeer 2005, de Jeff VanderMeer (contos e extratos de romances fantásticos e de ficção científica);
36- A Guerra dos Cibernautas, de Alex Raymond (romance de ficção científica).

A acrescentar aos livros li também duas revistas, curiosamente menos que no ano anterior. Foram elas:

37- Ficções, nº 13 (contos principalmente mainstream, mas também de fantasia)
38- Nemonymus Two (contos principalmente surrealistas, fantásticos e de horror)

E também li por obrigação laboral mas, como passei o ano quase todo a traduzir livros bastante grandes que tinha lido no fim de 2014, este ano foi apenas um livro. Ei-lo:

39- Gutenberg's Apprentice, de Alix Christie (romance histórico)

Os géneros, como se vê, foram variados, embora a preponderância da minha velha predileção, a FC, seja evidente. Li até uma biografia, género que só muito raramente leio... ou até duas, se contar também com uma das bandas desenhadas.

A qualidade, apesar de uma ou duas peúgas sujas, foi bastante aceitável. Curiosamente, o meu top-3 do ano não inclui nenhum livro convencional: o primeiro lugar cabe a uma BD, Sharaz-De de Sergio Toppi, de que ainda virei a falar aqui na Lâmpada (mais uma vez, vou muito atrasado nos comentários aos livros já lidos), no segundo vem uma revista, a Nemonymous Two, e no terceiro surge outra BD, A Arte de Voar, de Altarriba e Kim. O ano foi mesmo estranho.

E já que estamos numa de inovações, vou também destacar o top-3 de livros convencionais e de literatura lusófona (mesmo tendo sido esta tão escassa), boa? Então vamos lá.

Os livros convencionais de que mais gostei este ano foram, por esta ordem, Pierre-Auguste Renoir, meu Pai, de Jean Renoir (sim, não só li uma biografia como gostei muito dela), Sonho Febril, de George R. R. Martin, e Lisboa no Ano 2000, organizado por João Barreiros.

Quanto à literatura lusófona, além do primeiro lugar, ocupado pela antologia eletropunk organizada pelo Barreiros, temos em segundo a BD Bando de Dois, de Danilo Beyruth e, em terceiro, outra antologia, a Antologia do Humor Português, organizada por Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos.

Nem tudo foi bom, naturalmente, e também li coisas más e até uma que, de tão má, nem acabei, o que se conta pelos dedos de uma mão as vezes que fiz pela vida fora. O bottom-3 inclui, assim, o inenarrável Espíritos das Luzes, de Octávio dos Santos, em segundo lugar, mas muito acima, A Guerra dos Cibernautas, do Alex Raymond, e em terceiro Ghostgirl - A Rapariga Invisível, de Tonya Hurley. Limitando a lista a autores lusófonos o que, dada a escassa quantidade de livros lusófonos que li acaba por ser um pouco injusto, além do já referido livro do Santos a lista completa-se com Contos a Oeste, de Ana Cristina Luz e A República Nunca Existiu, organizada pelo mesmo Octávio dos Santos, ambos livros globalmente fracos mas salvos por conterem bons contos.

Tal como aconteceu no ano passado, estas leituras de 2015 ainda continuarão na Lâmpada durante algum tempo porque ainda me falta falar de cerca de metade da lista e quero fazê-lo. No ano passado só consegui livrar-me do ano anterior em junho. Este ano, espero, fecharei 2015 bastante mais cedo. Espero. A ver vamos se cumpro.

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