sábado, 16 de janeiro de 2016

Três fechos em quinze dias? Algo se passa.

Mesmo a encerrar o ano passado, foi o Infinitamente Improvável que encerrou portas, embora o encerramento ainda se tenha prolongado 2016 dentro com a colocação online da versão PDF da derradeira antologia II, no passado dia 3. O zine tinha aparecido em 2012 e, depois de um início razoavelmente movimentado, depressa o material começou a escassear, levando à paralisação de atividades logo em 2013. O fim, em 2015, acontece como pouco mais que uma formalização de um ato já antes consumado.

Dias depois do Infinitamente Improvável, a 8 de janeiro, cerra portas o Quotidianos, um projeto brasileiro que publicava histórias fantásticas ilustradas, baseadas no corriqueiro da vida. Surgido em 2013, começou a dar sinal de desgaste logo em 2014, com uma parte considerável (e crescente) da atividade a ser constituída por republicações de textos já anteriormente publicados. Ao contrário do II, o Quotidianos, além de fechar, vai mesmo desaparecer da rede em meados de fevereiro.

Hoje, 16, é o Ao Sugo, outro projeto brasileiro, que anuncia o fim da sua secção de publicação de ficção online. O percurso é precisamente idêntico: "tivemos uma aderência bastante legal no começo," escrevem eles, "mas, com a falta de material enviado para publicação, julgamos melhor fechar a iniciativa." Não sei bem se o material lá publicado vai ficar online, mas parece que sim. (Adenda de horas mais tarde: afinal não. Destes três projetos, o único que fica online é o Infinitamente Improvável.)

Três fechos de iniciativas de publicação online de ficção científica e fantástico em português, em pouco mais de quinze dias, mostrando todas elas uma curva de interesse por parte dos autores muito semelhante, e cada uma com características distintivas fortes. Pode ser mera coincidência, mas parece-me improvável que seja. Desconfio que isto tem mais a ver com as redes sociais que, como autênticos eucaliptos, estão a secar tudo à volta, e/ou com coisas como o Smashwords, que tornam simples (demasiado simples?) a autoedição de ebooks, mas estou longe de ter certezas.

Se assim for, parece-me uma evolução muito negativa. A internet só se manterá um espaço de liberdade enquanto for um espaço também de diversidade. Os monopólios, sejam do Facebook, sejam do Smashwords, sejam da Amazon, podem parecer muito atrativos a curto prazo, mas a médio e a longo prazo vão acabar por nos estoirar na cara. É fatal como a morte.

Se não for... é o quê? Alguém tem ideias?

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