sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Lido: A Romãzeira do Macaco

A Romãzeira do Macaco, mais uma historinha popular, continua sem sair do domínio da lengalenga. Um macaco, ao comer romãs empoleirado numa oliveira, deixa cair um grão de romã, que germina. E o macaco, que prefere romãs a azeitonas, vai pedir ao dono da oliveira para arrancar a árvore a fim de que a romãzeira tenha possibilidade de crescer, o que o dono recusa. Mas o macaco não se fica, e vai pedindo a um e a outro bicho, personagem ou força da natureza um novo favor para pressionar o anterior a responder-lhe favoravelmente. Todos recusam até que chega a um que aceita, a morte. E desse ponto em diante, volta tudo para trás e todos os que lhe tinham antes negado os favores agora foram-nos concedendo.

Se as histórias populares são um espelho das culturas que as geram e perpetuam, o que esta indica sobre a nossa é muito pouco agradável. Porquê? Ora, porque o que há por aí de macacos à procura de favorzinhos não tem descrição. E o que há de bicharada sem coluna vertebral, que a qualquer pressãozinha verga e logo desdiz o que pouco antes dissera, menos ainda.

Algumas destas histórias são divertidas. Esta, no entanto, é sobretudo deprimente.

Contos anteriores deste livro:

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