quarta-feira, 2 de março de 2016

Lido: Sharaz-De

Sharaz-De é um assombro. Sim, eu sei que ao longo destas opiniões sobre os álbuns de BD da Levoir que comprei (não comprei a coleção completa; este é o último) fui dizendo e repetindo que não me sentia avalizado para opinar mais detalhadamente sobre a parte gráfica da coisa, mas este álbum de Sergio Toppi torna completamente impossível não o fazer. Porque ele é, sobretudo, grafismo. E que grafismo, caramba!

Mas vamos voltar um pouco atrás.

Sharaz-De é uma compilação de onze histórias retiradas das Mil e Uma Noites, e Sharaz-De, a Sherazade de Toppi, é quem as conta ao seu rei cruel, salvando-se assim noite após noite. Histórias fantásticas, quase todas, cheias de magia, de djinns, de gigantes e de uma espécie crudelíssima de justiça, o tipo impiedoso de justiça que prevalece em terras e tempos impiedosos.

As histórias têm um fascínio muito próprio, o que não é de espantar sendo como são as 1001 Noites a mais célebre obra literária proveniente da cultura árabe. Mas Toppi soma a esse fascínio uma arte a que só posso chamar deslumbrante. Quase sempre em página inteira, pouco ligando à tradição da banda desenhada que manda dividir as páginas em quadrados e retângulos, contendo cada qual a sua cena (na verdade, quando usa os típicos quadrinhos da BD rara é a ocasião em que a cena neles contida não os extravasa, ligando-os aos outros ou a alguma cena de fundo), umas vezes a cores, outras a preto e branco, Toppi cria um luxo de livro que é uma delícia para os olhos.

Não sei quão inovador é isto, esta espécie de transformação de um álbum de BD num livro de ilustrações por vezes quebradas em quadros e ocasionalmente acompanhadas por um ou outro balão. O texto introdutório, infelizmente, não ajuda a ficar a saber. Não sei se tem percursores, se tem outros cultores, anteriores ou posteriores, se tem resultados ainda melhores. Mas sei que cada uma destas imagens me fascinou, mais até, muito mais até, do que o texto das histórias que, de resto, acompanham na perfeição. Acompanham? Não, a palavra não é essa. A palavra é interligam, pois palavra e imagem entretecem-se de uma forma que também me pareceu rara.

Eu já disse várias vezes, e repito, que pouco percebo de BD. Mas achei este livro absolutamente soberbo. Que belíssima compra!

2 comentários:

  1. foi por causa deste livro que fiz toda a colecção... não me arrependo, claro, há lá outras obras boas. mas sharaz-de, resume-se em apenas wow. um deslumbre.

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    1. É realmente um deslumbre. E eu fui apanhado de surpresa, o que ainda melhora a reação.

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