sábado, 30 de abril de 2016

Lido: Dom João

Dom João é uma peça de Molière que constitui, como o título sugere, a abordagem do dramaturgo francês ao mito do impenitente mulherengo Don Juan. O Dom João de Molière é, claro, um fidalgo hedonista, incapaz de resistir a um rabo de saia com uma cara laroca, mas tem a peculiaridade de ser francês e vaguear de um lado para o outro, sempre perseguido por uma nuvem de credores e familiares de donzelas desonradas, acompanhado pelo fiel (embora não muito) criado Esgaranelo. O texto tem todas as características de uma moralizadora comédia de costumes, bastante próxima do texto espanhol que lhe deu origem, na qual Esgaranelo, apesar de também lhe cair o pé para a canalhice com alguma frequência, representa o papel de consciência crítica do amo, frequentemente com respostas ou apartes cheios de espírito, enquanto Dom João se vai sucessivamente escapulindo, com uma dificuldade sempre crescente, a situações embaraçosas.

Um detalhe curioso, que eu desconhecia até ler esta peça mas depois vim a saber que já está presente no texto original de Tirso de Molina, é ela ser também uma obra fantástica, contando com uma estátua falante e com um fantasma como personagens. E pensar que peguei neste livro para variar dos estilos e géneros que geralmente leio só para dar comigo de volta a eles, pelo menos no que ao género diz respeito. Ele persegue-me.

Texto anterior deste livro:

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