sábado, 11 de junho de 2016

Lido: A Magia dos Ventos

A Magia dos Ventos (bibliografia) é o terceiro e último romance que compõe A Saga de Alex 9, de Bruno Martins Soares, e vem muito na continuidade da parte anterior, não só em termos de história propriamente dita, mas também das qualidades e características da escrita e da elaboração do enredo. O que digo de A Coroa dos Deuses é, portanto, praticamente o mesmo que poderia dizer desta terceira parte. Existem diferenças, mas poucas, e em geral para melhor. A qualidade do português continua a melhorar; embora ainda subsistam algumas falhas elas são menos abundantes que na segunda parte e muito menos que na primeira. O núcleo de personagens secundárias (a protagonista é desde o início só uma) continua a solidificar-se e a ganhar textura e substância, mesmo que algumas se mantenham até ao fim bastante unidimensionais e por vezes ainda aconteça ao leitor ser confrontado com uma personagem que não sabe bem de onde vem e como chegou ali.

E a história, claro, não se afasta por aí além do que ficou claro em partes anteriores: estamos num mundo medieval, atrasado, habitado por humanos, ao qual chegaram em épocas diferentes outros humanos vindos de outros sítios (nomeadamente da Terra), na posse de tecnologia avançada, e por algum motivo há uma guerra sem quartel entre dois grupos, sem que ninguém, em especial a própria Alex 9, pareça saber ao certo porquê.

Esta, para mim, é a principal falha deste último romance: se é certo que vai explicando uma coisinha ou outra, a verdade é que o grosso das explicações é relegado para um epílogo que consiste no fundamental de um grande infodump. E mesmo assim ainda ficam pontas soltas o que, mesmo que se trate de ganchos para a eventualidade de outras explorações deste universo ficcional, é sempre pouco satisfatório.

Por outro lado, o texto flui bastante bem e a leitura acaba por ser agradável. As fragilidades que ainda se vão encontrando aqui e ali não são sérias o suficiente para impedir o pleno desfrute da história que, como é à partida evidente para qualquer pessoa que reconheça as influências pulp que aqui se encontram, acaba numa grande apoteose de violência cujo desfecho nunca chega a estar em dúvida. Este é, para mim, outro problema do livro, do qual falarei mais aprofundadamente quando falar do conjunto dos três romances, mas há nisso a intromissão do gosto pessoal; enquanto representante do género da FC pulp, o romance funciona, moderniza-o (em vez da tradicional donzela em perigo, pronta a ser salva pelo macho alfa, temos uma donzela kick-ass e um macho alfa que se reconhece inferior e o aceita sem problemas, o que não é propriamente original — encontramos o mesmo tipo de duo nos livros de fantasia do Brandon Sanderson, por exemplo — mas ainda vai causando por aí umas irritações machistas) e para muitos leitores é precisamente o que procuram num livro destes.

Em suma, o romance funciona. Não creio que seja muito bom, e para as minhas preferências ficcionais certamente não o é, mas funciona bem. E tenho mais umas coisas a dizer sobre ele, mas ficarão para quando falar do livro como um todo.

Romances anteriores deste livro:

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