quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Lido: A Portuguesa

A Portuguesa é uma noveleta histórica de Robert Musil, parte da sua obra de 1924 Três Mulheres. Conta a história de um senhor feudal, suserano do castelo de Ketten, ou Catene, sito, presume-se, algures nos Alpes. Este senhor mantém uma antiga disputa com os Bispos de Trento, a qual domina boa parte do conto porque é essa disputa que vai fazer com que o protagonista pouco desfrute da sua mulher, mantendo-o em campanha por anos a fio. Esta mulher é a portuguesa do título, mas pouco de português um leitor português nela encontra. Para Musil, a portuguesa é mais uma pitada de exotismo do que uma pessoa que represente um povo. Para o desenrolar da trama, tanto daria que fosse portuguesa como outra estrangeira qualquer; bastaria que o fosse, estrangeira, oriunda de algum lugar com uma língua suficientemente diferente do alemão de autor e protagonista desta história para a tornar quase incompreensível. Mesmo sendo esta diferença um dos principais motores da história que, por entre as reviravoltas de um enredo que no fundamental é dramático, ainda que brando, se dedica a explorar a noção de outro. Embora, creio eu, com pouca profundidade visto que não existe realmente aqui mais que ténues vislumbres de uma cultura diferente.

Não é do tipo de história que me encha as medidas e não é história que me vá perdurar na memória. Está longe de ser uma má história, obviamente, e é pior quando aferida pelas peculiaridades do meu gosto literário do que por qualquer medida razoavelmente objetiva de qualidade, mas a verdade é que não gostei por aí além.

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