sábado, 19 de novembro de 2016

Lido: A Viagem de Inverno

Ao ler A Viagem de Inverno, conto do francês George Perec publicado originalmente em 1980, senti-me a caminhar por territórios não apenas conhecidos mas percorridos há muito pouco tempo. Não que já o tivesse lido, entenda-se. Mas este conto é de tal forma borgesiano, e eu tenho o Ficções de Borges tão fresco na memória, que foi quase como regressar a um lugar onde tinha estado não muito antes.

Trata-se de um conto pseudofactual centrado em questões literárias, cujo protagonista, Vincent Degraël, professor de literatura, descobre por acaso um livro de um autor que até aí desconhecia e que lhe vai alterar a vida. É que, ao lê-lo, descobre citações textuais de autores que conhece bem. E depois de um estudo mais detalhado conclui que todo o livro é composto por citações de nomes maiores, ou não tanto, das literaturas francófonas. Pastiche genial, conclui. Mas quando vai aprofundar a investigação sobre autor e obra, descobre, assombrado, que esta tinha sido publicada antes de qualquer das obras que inicialmente suposera terem sido copiadas. Depois vem a II Guerra Mundial e estraga tudo.

Fantástico borgesiano puro, como se percebe. E eu, que não gosto particularmente de histórias pseudofactuais e geralmente acho os escritores que Borges influenciou bem piores do que o original, até gostei bastante desta história. Ponto para Perec.

Contos anteriores desta publicação:

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