terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Lido: Escola de Mulheres / Dom João

Ler teatro é sempre uma experiência com o seu quê de bizarro: temos as palavras, temos um punhado de indicações cénicas, mas falta-nos tudo o resto. O texto, se visto sob o ponto de vista estrito da literatura, tende a ficar algo coxo. Havendo imaginação suficiente, ou talvez seja mais adequado dizer havendo experiência suficiente de teatro e do que lhe é inerente, calculo que seja possível suprir mentalmente o que falta ao texto, mas isso não invalida que ao texto falte mesmo alguma coisa. Sempre.

Mesmo assim, as duas peças de que se constitui este livro, Escola de Mulheres e Dom João, duas comédias de costumes mais ou menos moralistas, constituíram, cada uma à sua maneira, uma surpresa para mim. Uma por ser quase um texto feminista com mais de trezentos anos, escrito por um Molière que pelos vistos estava bem à frente do seu tempo. Outra por conter algo que não esperava de todo encontrar aqui: elementos claros de fantástico.

No final da leitura, percebi por que motivo Molière é tido como o pai do teatro moderno. Mesmo sabendo eu muito pouco sobre teatro. Mesmo tendo um apreço limitado pela arte (sempre me desagradou um certo artificialismo que parece ser inerente ao teatro). O facto é que, tendo em conta a época em que foram escritas, estas peças são de se lhe tirar o chapéu. E o gosto pessoal que vá dar uma voltinha pelo quarteirão.

Eis o que achei mais desenvolvidamente sobre as duas peças:
Este livro foi rapinado à biblioteca dos meus pais (para onde voltará de seguida).

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