quinta-feira, 13 de abril de 2017

Lido: Gata Borralheira

Poucos dos contos dos Irmãos Grimm são tão famosos como este, Gata Borralheira, e nenhum o é mais. Contudo, aquilo que o tornou especialmente famoso, a adaptação da Disney, não lhe é inteiramente fiel. Oh, sim, temos aqui a madrasta má e as respetivas filhas, ainda piores, a pobre rapariga maltratada que sonha ir aos bailes do príncipe, e o próprio príncipe que por ela se apaixona com o estalar de um dedo. E sim, também cá existe uma peça de calçado que resolve a história. Mas quem pega neste conto esperando encontrar nele um sapatinho de cristal termina a leitura tristemente desapontado, pois o original fala, isso sim, de um chinelo dourado. E o original também é significativamente mais sanguinolento do que as adaptações suavizadas dão a entender.

Mas o que mais me surpreendeu ao ler esta história não foi nada disso: foi ter deparado com características de lengalenga, que tão comuns são nos contos populares portugueses mas têm rareado nestas reinvenções dos Grimm. Que os irmãos tenham preservado essas características nesta história, assumidamente composta a partir de três contos diferentes, leva-me a supor que provavelmente haverá bastantes mais lengalengas também nos contos tradicionais alemães do que a leitura das histórias dos Grimm pode levar a pensar.

Contos anteriores deste livro:

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