quarta-feira, 24 de maio de 2017

Lido: Eucaristia

Algumas destas historinhas de Luiz Bras são mais poemas do que contos, tanto pela forma como a prosa poetiza como pela sua brevidade, que por vezes é tanta que obriga a sugerir muito mais do que é narrado. Este Eucaristia, que tem como subtítulo "mini-romance em vinte e um capítulos" e é o texto mais extenso de todo o livro (embora certamente não seja aquele com maior número de palavras), é um pouco diferente, ainda que também aqui a poesia esteja bem presente. O título torna óbvia a inspiração: Bras cria aqui uma história de fantasia sobre uma sociedade de caçadores de gigantes que transformam essa caça numa experiência mística e religiosa, e explica-a de uma forma muito lírica, especialmente em alguns dos "capítulos" do seu "mini-romance". Estes existem mesmo mas não passam de parágrafos, alguns dos quais muito curtos (uma linha, duas linhas). Ao lê-lo, lembrei-me de alguns dos textos publicados por Braulio Tavares no seu blogue, nos quais sistematiza, parágrafo a parágrafo, romances que com grande probabilidade nunca desenvolverá. Este conto (perdão: mini-romance) de Luiz Bras é mais ou menos assim, mas mais poético e palavroso e menos sistemático.

É uma história com o seu interesse, mais na forma do que no conteúdo mas, em parte por essa disparidade, não creio que seja das melhores do livro e do autor.

Textos anteriores deste livro:

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