quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lido: Only Friends

Philip Harris é o autor que se segue, apresentando uma história fantástica que conta a vida de dois amigos (só amigos, diz-nos o título de Only Friends, ainda que eu reserve o direito de nutrir as minhas dúvidas) desde a escola primária. Almas gémeas, dir-se-ia, vivendo vidas paralelas desde o momento em que se conheceram até que a um deles lhe começa a dar para desaparecer sem deixar rasto. Literalmente.

Parece-me bastante evidente que o fantástico é aqui usado como parábola para a forma como se desenvolvem e deterioram as relações humanas, para o afastamento que tantas vezes ataca até os mais íntimos. E tudo o resto é mais ou menos cenário, ainda que um cenário bastante bem construído, um cenário que ajuda a sublinhar a mensagem principal. A boa construção é, de resto, o que mais ressalta desta história. É um conto contado em bom ritmo, com segurança, com alguma ironia, que sustenta o interesse até ao fim e consegue um remate em final semiaberto bastante peculiar e também muito bem feito: Harris termina o conto de uma forma que o deixa cerrado para quem achar que sim e em aberto para quem achar que não. E isso a meu ver basta para tornar o conto bastante bom. Poderia ser estragado se, ao fazê-lo, Harris maltratasse a língua inglesa. Mas não maltrata, portanto o resultado é de qualidade.

Contos anteriores deste livro:

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