sexta-feira, 19 de maio de 2017

Lido: Starsong

Imaginem um futuro longínquo, uma colónia planetária não menos distante, cuja sociedade se baseia na cultura mexica, a cultura pré colombiana que estava no núcleo do Império Asteca. Imaginem, nessa cultura, uma rapariga, cujo destino é tornar-se guerreira apesar de não ser de sangue puro mas misto, meio mexica, meio oriental, e certamente não é por acaso que a autora, Aliette de Bodard, é fruto de uma mistura muito semelhante (no caso, francesa e vietnamita). Imaginem que, neste futuro distante, a palavra "guerreiro" implica piloto de uma nave à velha maneira da space opera. Imaginem que é só isso o que nesta história existe de space opera, que não temos batalhas espaciais nem atos de heroísmo cometidos pelos heróis a derrotar a vilania dos vilões. Imaginem, além disso, uma prosa de grande qualidade e um enredo que se vai desenvolvendo com profusão de memórias, as quais relatam os factos mais relevantes da vida da protagonista até se encontrar na situação presente. A qual é invulgar, inaudita até.

Imaginaram?

Então fazem uma pálida ideia do que é Starsong. Trata-se de ficção científica, obviamente, mas esta é sobretudo uma história sobre racismo, bullying e superação. Com todos os elementos descritos acima e mais alguns que se tornaria fastidioso descrever. Uma história que merece muito ser lida. Uma história muito boa. A melhor história do livro.

Contos anteriores deste livro:

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