quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Livros de 2017

As resoluções de ano novo são mesmo feitas para não cumprir, não é? No ano passado, tinha praticamente arrancado o post equivalente a este com a resolução de ser aquele o último ano que acaba com uma enorme pilha de opiniões por escrever e publicar. Pois é. A deste ano é ainda maior, se possível. Não só porque só consegui acabar de falar de 2016 em outubro deste ano (sim), como principalmente porque tive dois extensos períodos em que a vida se intrometeu tão violentamente em tudo o resto que escrevi muito pouco.

A vantagem (?) é que nesses períodos também li muito pouco.

Sim. O ano foi mau. Sob quase todos os aspetos.

Sob o aspeto leituras, li significativamente menos que no ano anterior e, em média, o que li foi pior. Mas disso falarei mais adiante; primeiro os números. Li um total de 28 publicações, entre livros e revistas, em papel ou digitais. Os livros lidos por lazer (que incluem aqueles que leio por curiosidades várias relacionadas com o Bibliowiki, que vão em crescimento) foram 22, com uma proporção muito elevada de material lusófono que este ano foi, e de longe, maioritário, somando 18 publicações portuguesas e brasileiras.

A lista completa é a seguinte:

1- Antologia do Conto Português Contemporâneo, org. Álvaro Salema (contos mainstream e fantásticos);
2- Adeus, Portugal!, de Paula de Lemos (novela humorística e fantástica);
3- Brinca Comigo! e outras estórias fantásticas com brinquedos, org. Miguel Neto (contos de ficção científica e horror)
4- Continhos de Alfarrobeira, de Alexandra Pereira (contos mainstream e fantásticos);
5- Starfish, de Peter Watts (romance de ficção científica);
6- Reportagem Especial, de Bruno Pinto, Penim Loureiro e Quico Nogueira (BD didática);
7- As Atribulações de Jacques Bonhomme, de Telmo Marçal (contos de ficção científica);
8- Quartos de Hotel, de Inês Pedrosa (conto mainstream);
9- A Escolha de Hobson, de João Barreiros, Ana Ferreira, Ana Margarida Gil, Ângelo Claro, Carina Figueiras, Filipa Jales, Hugo Oliveira, Marta Ribeiro (novela de ficção científica);
10- Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia 1, org. Marcelina Gama Leandro e Álvaro de Sousa Holstein (contos de ficção científica e fantástico);
11- Bajo el Signo de Alpha, de vários (contos de ficção científica);
12- Dama Polaca Voando Em Limusine Preta, de Lídia Jorge (conto mainstream);
13- Barnabé, de André Belo, Celso Martins, Daniel Oliveira, Pedro Aires Oliveira e Rui Tavares (crónicas e humor sobretudo políticos);
14- F de Foguete, de Ray Bradbury (contos de ficção científica);
15- Habitable Planets for Man, de Stephen H. Dole (exoplanetologia e exobiologia);
16- Lisboa no Ano 2000, de Melo de Matos (conto/artigo de ficção científica/futurologia);;
17- Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, de Manuel Ferreira (estudo literário);
18- A Casa do Eremita, de José Murta Lourenço (romance mainstream);
19- Acho Que Posso Ajudar, de David Machado (conto juvenil de fantasia);
20- A Cerimónia, de João Bonifácio (conto mainstream);
21- Além do Tempo e do Espaço, de vários (contos de ficção científica);
22- A Máquina de Joseph Walser, de Gonçalo M. Tavares (romance mainstream);

Li também 4 revistas, duas integral ou predominantemente lusófonas, as outras duas com material integral ou predominantemente traduzido. A lista foi:

23- Ficções, nº 7 (contos mainstream e fantásticos);
24- Isaac Asimov Magazine, nº 2 (contos de ficção científica);
25- Dagon n.º 2 (contos e artigos de ficção científica e fantasia);
26- Pulp Feek, nº 1 (contos e artigos de fantasia);

E por obrigação laboral, foram lidos dois livros, ambos valentes calhamaços:

27- Fool's Quest, de Robin Hobb (romance de fantasia);
28- Stranger in a Strange Land, de Robert A. Heinlein (romance de ficção científica)

A ficção científica predominou uma vez mais, mas desta vez não chegou à maioria absoluta: foram 12 as publicações de ficção científica ou que incluem quantidades significativas de FC. Mas a FC predomina porque o resto foi muitíssimo variado, da BD a estudos literários, do mainstream a um estudo científico, da política à fantasia. E isso é bom.

O que não é lá muito bom é a qualidade global e relativamente baixa daquilo que li. Não houve nada que me deixasse de queixo caído, houve muito menos boas leituras do que no ano passado e mais coisas que achei apenas medianas ou mesmo más. Mas houve boas leituras. A melhor talvez tenha sido os continhos do Bruce Holland Rogers que não constam desta lista por serem contos avulso (e não foi essa a única leitura avulso que houve durante o ano; está aqui uma opinião sobre outra, aqui sobre outra e houve mais algumas que "li" na diagonal, o suficiente para ficar com uma ideia geral mas não para opiniões mais sustentadas e que por isso não conto como leitura propriamente dita mas até acaba por ser, de certa forma. Ou seja, não li o que consta das listas acima) mas, à parte as coisas avulso, terei de mencionar F de Foguete de Ray Bradbury como a melhor leitura do ano, seguindo-se-lhe As Atribulações de Jacques Bonhomme, de Telmo Marçal, e Starfish, de Peter Watts. Não deixa de ser curioso que num ano em que as leituras de FC não foram maioritárias, sejam de FC todas as melhores. Também é curioso, mas num sentido menos positivo, que num ano em que a literatura lusófona dominou por completo a lista de leituras só haja um livro lusófono entre os três melhores.

É este, naturalmente, o que leva a palma do melhor livro lusófono do ano, seguindo-se Acho que Posso Ajudar, de David Machado (uma boa surpresa) e a Antologia do Conto Português Contemporâneo organizada por Álvaro Salema.

Pelo lado do mau, houve dois livros que se destacaram dos demais. Ou melhor: duas publicações. A pior leitura do ano foi sem dúvida o número 1 da Pulp Feek. A segunda pior foi Adeus, Portugal!, de Paula de Lemos. Para a terceira pior, que já não está propriamente no campo dos maus mas está no campo das leituras que me deixaram entre indiferente e insatisfeito, a competição é renhida, mas acho que vou optar por Quartos de Hotel, de Inês Pedrosa. Tudo lusófono, como se vê. Este ano, ao contrário do último, foram as leituras portuguesas e brasileiras a puxar mais a qualidade para baixo. Pelo que tenho na pilha rápida, é possível que isso mude em 2018. E também há a esperança de a vida me passar menos rasteiras e eu conseguir por conseguinte ler mais.

Daqui a um ano veremos.

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