quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Lido: Os Sapatinhos Encantados

Alguns dos contos recolhidos por Adolfo Coelho neste volume mostram alguma elaboração literária, fazendo suspeitar da possibilidade de ter existido um certo trabalho relativamente àquilo que se contaria popularmente, quer tenha sido feito por ele, quer (o que me parece mais provável) tenha tido origem nas fontes. Outros há, no entanto, que se leem quase como esqueletos apressados do que seria uma história razoavelmente elaborada, não consigo perceber se por terem sido simplificados em extremo pelo contador ou por quem os contou ao contador, se por já terem nascido assim esboçados.

Este Os Sapatinhos Encantados é um continho de página e meia que pertence claramente ao segundo grupo. Conta as desventuras de uma filha de mãe cruel e ciumenta da sua beleza e salta a uma velocidade tremenda de acontecimento em acontecimento até ao desfecho final, típico dos contos de fadas. Sim, que embora aqui não haja fadas existem encantamentos. O conto é fantástico, vertente maravilhoso, e como que anseia por alguém que lhe pegue e revista o esqueleto que ele é com carnes literárias suficientes para o transformar numa obra "a sério". Tem potencial para tal. Mas fica-se pelo potencial.

Contos anteriores deste livro:

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