<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670</id><updated>2009-11-28T19:22:41.178Z</updated><title type='text'>A Lâmpada Mágica</title><subtitle type='html'>Um blogue de candeias às avessas, para agitar o conteúdo das vossas cabeças</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lampadamagica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1731</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-2049892186275970417</id><published>2009-11-28T15:02:00.004Z</published><updated>2009-11-28T19:22:41.186Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='edição'/><title type='text'>Coisas da imaginação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_XdSjDIp41IE/SxE8zc3ypmI/AAAAAAAAAMQ/Hd00m5JXv9w/s1600/imaginarios_capas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_XdSjDIp41IE/SxE8zc3ypmI/AAAAAAAAAMQ/Hd00m5JXv9w/s320/imaginarios_capas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409171482069870178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;À quase totalidade do universo, isto não interessa nada. Mas a quem está em São Paulo ou nas imediações e gosta de ler coisas cheias de imaginações, pode interessar bastante. E como talvez interesse a mais gente além dessa, cá vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que às 4 da tarde, hora local, é lançada a coleção Imaginários, da &lt;a href="http://editoradraco.com/"&gt;Draco&lt;/a&gt;, e os seus dois primeiros volumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro volume é exclusivamente brasileiro, contando com nomes conhecidos do público português graças à coleção de FC da Caminho, como Gerson Orsi-Ribeiro ou Roberto de Sousa Causo, e outros mais desconhecidos do lado de cá do Atlântico (embora alguns tenham participado numa antologia ou outra): Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales e Richard Diegues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo volume é transatlântico, contando com quatro autores portugueses e cinco brasileiros. Os portugueses são Luís Filipe Silva, João Barreiros, Sacha Ramos e eu próprio, os brasileiros são os organizadores das duas antologias, Tibor Moricz, Saint-Clair Stockler e Eric Novello e ainda Alexandre Heredia e o decano da FC brasileira (e nunca publicado em Portugal, o que tem em si um mundo de significados) André Carneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já há uma primeira resenha, de Antonio Luiz M. C. Costa, no site da revista &lt;a href="http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&amp;amp;a2=5&amp;amp;i=5521"&gt;Carta Capital&lt;/a&gt;. Para quem quiser saber de que se trata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os votos de um bom lançamento do lado de cá do oceano para o de lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-2049892186275970417?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/2049892186275970417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/2049892186275970417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/coisas-da-imaginacao.html' title='Coisas da imaginação'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_XdSjDIp41IE/SxE8zc3ypmI/AAAAAAAAAMQ/Hd00m5JXv9w/s72-c/imaginarios_capas.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-1215119255273990169</id><published>2009-11-26T16:04:00.004Z</published><updated>2009-11-26T16:20:45.269Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='media'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saúde'/><title type='text'>Por outro lado...</title><content type='html'>Por outro lado, se os valores avançados &lt;a href="http://ventosueste.blogspot.com/2009/11/vacina-contra-gripe-e-morte-dos-fetos_26.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; pelo Miguel Madeira são verdadeiros, o caso muda de figura. As notícias da comunicação social tinham-me levado a crer que a quantidade de grávidas vacinadas era significativa, e não os menos de 10% que ele refere. Julgava que por esta altura andasse pela metade. E, que eu saiba, o número de mortes de fetos referidos pelos media é de 3, não de 4. Mesmo assim, é o dobro do esperado com um nível de vacinação tão baixo. Isso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pode &lt;/span&gt;querer dizer que há realmente qualquer coisa ali, mas também pode ser simples acaso. Por mais que se publiquem livros a dizer que não há coincidências, elas existem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mesmo&lt;/span&gt;. E quando os números são muito baixos, e 3 ou 4 são números muito baixos, é praticamente impossível fazer inferências estatísticas com um mínimo aceitável de solidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, mesmo que haja algum fogacho a causar este fumo, não se justifica de forma nenhuma o alarmismo que tem sido gerado por certos media. Mesmo se todas as mortes de fetos fossem provocadas pela vacina, que comprovadamente não são, estamos a falar de 3 ou 4 mortes fetais em cinco mil grávidas. Mantendo embora em mente a advertência sobre a nula solidez de inferências estatísticas com números destes, eles parecem indicar que a probabilidade do mesmo acontecer a qualquer grávida vacinada nem a 0,1% chega.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-1215119255273990169?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1215119255273990169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1215119255273990169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/por-outro-lado.html' title='Por outro lado...'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-1308945701542609047</id><published>2009-11-24T20:16:00.002Z</published><updated>2009-11-24T20:33:15.877Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='incompetências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='media'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saúde'/><title type='text'>Péssimo jornalismo</title><content type='html'>Muitas vezes, ao assistir a telejornais ou enquanto lemos jornais, somos confrontados com informações e abordagens à informação que nos parecem duvidosas, mas somos obrigados a ficar na dúvida porque não sabemos o suficiente sobre o tema para decidir com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas noutras vezes basta fazer contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso do muito que se tem falado nas últimas semanas sobre uma "relação" entre mortes de fetos e a vacina contra a gripe A que tem sido dada às grávidas. Não raro, sugere-se que é a vacina que causa essas mortes, ou pelo menos lança-se a dúvida. Será? Não será? Não perca as notícias de amanhã para mais pormenores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora isto é péssimo jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Péssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê? Porque não se destina a informar, mas sim a vender jornais e anúncios nos intervalos dos telejornais e noticiários radiofónicos. Porque cria uma suspeita sem qualquer razão de ser, disseminando entre as pessoas a incerteza e o medo. Porque é sensacionalista, mesmo nas suas versões mais suaves. E porque basta fazer contas para se ver que o assunto é uma não-notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fetos morrem durante a gestação. Sempre morreram, e sempre morrerão. É um processo biológico inteiramente normal, e que nunca desaparecerá. Por muito que custe aos pais que não o serão, por muito que possamos solidarizar-nos com a sua dor, há fetos que simplesmente não são viáveis. Há fetos que dão nós no cordão umbilical que interrompem o fornecimento de sangue. Há fetos com doenças genéticas que não permitem um desenvolvimento normal. Há uma série de motivos que desembocam todos num resultado comum: a morte do feto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, em Portugal sabe-se que esse desfecho acontece a cerca de 300 gravidezes todos os anos. É quase um feto morto por dia. De modo que agora que se está a vacinar primordialmente as grávidas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;continua&lt;/span&gt; a morrer cerca de um feto por dia, e inevitavelmente alguns morrerão pouco depois da mãe ser vacinada. É evidente, é óbvio, é claro. De tal modo claro que a única notícia que se justifica é relatar este facto e passar à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. O péssimo jornalismo que vamos tendo tem feito disto tema de notícias atrás de notícias, reportagens, o diabo a quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois admiram-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-1308945701542609047?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1308945701542609047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1308945701542609047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/pessimo-jornalismo.html' title='Péssimo jornalismo'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-731090354874245214</id><published>2009-11-24T18:12:00.003Z</published><updated>2009-11-24T18:57:41.583Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Vénus</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vénus&lt;/span&gt; (&lt;a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/V%C3%A9nus_%28Bova%29"&gt;bib.&lt;/a&gt;) é um romance de ficção científica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hard&lt;/span&gt;, de Ben Bova, que descreve uma expedição ao segundo planeta para tentar recuperar os restos de uma malograda expedição anterior. Tal como faz em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Regresso a Marte&lt;/span&gt;, que também li &lt;a href="http://lampadamagica.blogspot.com/2009/05/semana_23.html"&gt;há relativamente pouco tempo&lt;/a&gt;, e cujo original data do ano anterior, Bova apresenta-nos em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vénus&lt;/span&gt; protagonistas em conflito com pais controladores e absurdamente ricos, e uma abordagem mais ou menos ecológica da exploração planetária, ainda que em doses diferentes. Esta última estava mais presente no romance marciano do que no venusiano, ao passo que os conflitos pai-filho, que em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Regresso a Marte&lt;/span&gt; se circunscreviam a um par de personagens secundárias (ainda que importantes), em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vénus&lt;/span&gt; transformam-se no principal motor do enredo e no motivo que leva o protagonista e narrador a embarcar na expedição. A somar a isso, temos um ambiente planetário extraordinariamente exigente, como é sabido, que acrescenta um forte elemento de perigo à missão, e uma segunda expedição liderada por uma espécie de capitão Nemo do espaço, igualmente autoritário, igualmente violento e ditador duma tripulação igualmente exótica, embora muito mais centrado em si próprio, nos seus agravos e raivas, do que a personagem de Verne. E, tal como em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Regresso a Marte&lt;/span&gt;, temos a descoberta de vida autóctone a dar um sabor especial (e mais perigo ainda) à expedição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já saberão se tiverem lido uns artigos que escrevi ultimamente, eu nada tenho contra clichés, desde que os veja a ser usados com inteligência e subtileza. A profusão de "capitães Nemos" que houve na FC do século XX em nada impede que um escritor que resolva arranjar mais um se saia bem da tentativa. O mesmo poderá dizer-se sobre os muitos milhares de histórias baseadas em relações difíceis com pais controladores, na FC e fora dela. E etc. Mas infelizmente, não encontrei essa inteligência e subtileza neste livro. Clichés, tem-nos em grande profusão (não, não falei já de todos... ainda há a única mulher que acaba como interesse romântico do herói, ainda há o fracote que se supera — e a todos os demais — quando posto à prova, e mais, e mais), mas não me parece que chegue a tratar algum com subtileza, apesar de haver uns quantos que até são tratados com uma certa inteligência. Aquilo que os clichés fazem logo prever que aconteça, acontece mesmo, apesar das reviravoltas do enredo, e isso torna o livro aborrecido. Não é um mau romance, propriamente, mas é bastante fraquinho. Um romance de aventuras, cuja principal personagem acaba por ser o planeta apesar de o livro dar mais atenção às relações humanas, talvez por ainda se saber tão pouco sobre aquele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francamente má só mesmo a tradução. De cada vez que via "asteroid belt" a ser traduzido como "Asteróide Belt" em vez do correto "cinturão de asteróides" (ou cintura), só me apetecia mandar o livro pela janela, e esse crasso disparate apareceu inúmeras vezes. E esteve longe de ser o único. É verdade que as asneiras foram mais comuns em detalhes mais ou menos básicos de cultura geral astronómica, o que é mais responsabilidade do editor do que do tradutor por não ter tido a inteligência de escolher o tradutor certo para o trabalho certo (nenhum tradutor do mundo sabe o suficiente sobre tudo), mas também existem na língua portuguesa propriamente dita. Não há desculpa nem justificação possível para coisas como "começei", por exemplo. Para esquecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-731090354874245214?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/731090354874245214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/731090354874245214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-venus.html' title='Lido: Vénus'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-4167874166612082618</id><published>2009-11-23T18:49:00.004Z</published><updated>2009-11-23T22:10:48.182Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: A Morte de Ivan Ilitch</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Morte de Ivan Ilitch&lt;/span&gt; é uma novela de Lev Tolstoi que trata daquilo que o título indica: a morte de um tal Ivan Ilitch, juiz, membro da pequena e provinciana burguesia russa da época czarista, cuja vida é passada entre repartições e cargos, a procurar por todos os meios trepar a escada social, no mais profundo respeito por todas as convenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história arranca com Ilitch já morto e a ser velado, rodeado por toda a hipocrisia de que ao longo da vida se foi cercando, e depois conta-nos os acontecimentos que o levaram até lá. O casamento feliz na aparência mas na verdade infernal, os jogos de favores que propiciaram a subida do protagonista na vida, a queda que lhe desarranja qualquer coisa no corpo na altura em que Ilitch prepara a sua nova casa na capital, que corresponde à sua chegada ao patamar mais elevado da carreira, e a doença que se desenrola a partir daí e que acaba por lhe causar a morte, etc. Ao leitor português, mostra um Ivan Ilitch com muito em comum com aquilo que pode ver todos os dias na televisão, entre as personagens mais ou menos sinistras que se movem pelos cargos, entre a política, a justiça e as empresas, públicas e privadas. E mostra-as sem contemplações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tolstoi nem tenta esconder o desprezo que sente por aquele tipo de gente. Por toda a urdidura de conveniências que as rodeia, pela falsidade de que são compostas as suas vidas, pelos pensamentos, sentimentos e ideias que os movem. Especialmente quando coloca o Ivan Ilitch moribundo a pôr tudo em causa, a fazer uma reavaliação radical da vida que viveu. Mas como Tolstoi não é um escritor de panfletos e sim de literatura, e um grande escritor, ainda por cima, o final do livro é suficientemente ambíguo para gerar as mais díspares interpretações. Mas inteiramente apropriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei muito deste livro. O suficiente para o ler de fio a pavio numa única sessão, coisa que já não fazia com nenhum há muito, muito tempo. Claro que ser tão pequeno ajudou, mas a verdade é que já tenho levado semanas a conseguir chegar ao fim de novelas deste tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito recomendável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-4167874166612082618?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4167874166612082618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4167874166612082618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-morte-de-ivan-ilitch.html' title='Lido: A Morte de Ivan Ilitch'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-4885219976195657147</id><published>2009-11-21T16:17:00.003Z</published><updated>2009-11-21T16:50:31.437Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: O Livro dos Guerrilheiros</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Livro dos Guerrilheiros&lt;/span&gt; é um pequeno livro do escritor angolano José Luandino Vieira, composto por um conjunto de narrativas focadas no lado angolano da guerra colonial, e que se segue a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Livro dos Rios&lt;/span&gt; numa trilogia dedicada ao tema, por agora ainda incompleta, intitulada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De Rios Velhos e Guerrilheiros&lt;/span&gt;. Apresenta-nos a vivência da guerrilha, e o modo como esta via a tropa colonial portuguesa que a combatia. Curiosamente, tanto as populações autóctones de Angola como as populações de colonos estão muito pouco presentes nestas histórias, que nos mostram uma guerrilha muito fundida com o mato e frequentemente muito isolada. Essa foi uma das surpresas que o livro me causou, mais pela abordagem do escritor do que por uma questão de realidade factual, pois não há qualquer dúvida histórica de que as guerrilhas nacionalistas tinham fortes ligações com as populações. Que Luandino tenha escolhido mostrar-nos pouco essa faceta surpreendeu-me, ainda mais tendo em conta as suas conhecidas convicções políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais se destaca neste livro é o uso dado à linguagem. Não é, muito longe disso, um livro de leitura fácil para o leitor português típico. A linguagem adquire por vezes um tom quase quinhentista, que remete para as epopeias narradas por um Fernão Mendes Pinto, e essa é a parte mais acessível. Pior é a profusão de termos em kimbundu que são totalmente desconhecidos a quem não tem vivência de Angola. É um choque. Um glossário ajuda a atenuá-lo, e há notas de rodapé quando surgem falas inteiras em kimbundu, mas mesmo assim é um choque. Para muita gente, pode ser um forte empecilho à leitura. Mas para quem se interessa pela língua que partilhamos é um choque com muito de saboroso, porque há como que a sensação de se estar a assistir ao nascimento de mais uma variante do português, a qual, entre vestígios de um português antigo caídos em desuso naquele que falamos hoje, e novas palavras e conceitos provenientes das línguas indígenas angolanas, se irá impor a breve trecho como mais uma fonte enriquecedora de cultura lusófona. Por mais que isso faça doer a xenofobia linguística de certos setores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, este livro valeu a pena ser lido principalmente por isso. Comparadas com o uso dado à língua, as histórias da guerrilha acabaram por ser secundárias, embora seja sempre bom ter acesso ao outro lado. Sim, que a literatura portuguesa dedicada a África e às guerras coloniais se tem focado quase exclusivamente no lado português. Como é natural, aliás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-4885219976195657147?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4885219976195657147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4885219976195657147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-o-livro-dos-guerrilheiros.html' title='Lido: O Livro dos Guerrilheiros'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-1920091699344969895</id><published>2009-11-20T18:42:00.003Z</published><updated>2009-11-20T19:01:46.083Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Ol' Fairies Bar</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ol' Fairies Bar&lt;/span&gt;, apesar do título, nada tem a ver com fadas e é uma história de língua castelhana. Trata-se de uma noveleta do chileno Luis Saavedra V. que parte de uma premissa semelhante à da série &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Heroes &lt;/span&gt;e de muitas histórias de banda desenhada (e dos filmes e outros artigos que destas brotaram): a emergência de seres humanos com capacidades extraordinárias, os meta-humanos, ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;metas&lt;/span&gt;. Apesar do tema ser algo batido, o modo como Saavedra constrói a sua história — cada um dos quatro capítulos é composto por uma primeira parte "jornalística" que situa o leitor nos factos básicos do universo ficcional, uma segunda parte composta por um depoimento de um criminoso meta, e uma terceira narrada por um humano vulgar e alcoólico — e o tratamento que dá ao texto são francamente bons, transmitindo-nos uma imagem duma sociedade cujas contradições em nada foram realmente melhoradas com o surgimento dos metas e com aquilo que a sua presença impôs ao planeta. É uma história complexa e matizada, bem longe do simplismo tantas vezes presente na literatura fantástica, e com uma atmosfera francamente distópica. Pode desapontar quem gosta de ler histórias cheias de ação, porque de facto a maior parte da noveleta se circunscreve a uma conversa num bar, mas tenho a certeza de que quem preferir uma boa construção de ambientes ou a exploração psicológica das personagens a lerá com agrado. Eu, por minha parte, gostei bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser avaliar por si próprio, siga até &lt;a href="http://axxon.com.ar/rev/162/c-162cuento2.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-1920091699344969895?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1920091699344969895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1920091699344969895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-ol-fairies-bar.html' title='Lido: Ol&apos; Fairies Bar'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-8045649262153422586</id><published>2009-11-20T17:04:00.002Z</published><updated>2009-11-20T17:16:56.438Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: In Father Christmas's Court</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;In Father Christmas's Court&lt;/span&gt;, de Tavis Allison, é um conto de ficção científica razoavelmente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hard&lt;/span&gt;, que se desenrola numa Terra que não se percebe muito bem se é pós-apocalíptica se é "apenas" ambientalmente devastada. A premissa da história é a existência de um robot enlouquecido e gigantesco, dotado de inteligência artificial e produzido num habitat orbital não se chega a perceber muito bem para que fins, que quando enlouquece escapa ao controlo dos seus criadores. Estes enviam técnicos para a Terra a fim de tentar retomar o controlo do robot, que entretanto estabeleceu uma espécie de tribo, consigo à cabeça, e exige ser tratado por Pai Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma premissa curiosa, mas não gostei muito do modo como foi posta em prática. Senti falta, principalmente, de algum desenvolvimento de motivações, de perceber o que levou o orbital a fabricar o robot e a enviá-lo para a Terra, para começar, e como é que de repente a civilização humana de cariz tecnológico se desloca para órbita deixando o planeta entregue à bicharada e a luditas. Há qualquer coisa aqui que não me fez na cabeça aquele clique que diz que o cenário foi bem construído e é credível, permitindo que a descrença se suspenda eficazmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar disto, é um conto razoável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-8045649262153422586?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8045649262153422586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8045649262153422586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-in-father-christmass-court.html' title='Lido: In Father Christmas&apos;s Court'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-3193680901995561545</id><published>2009-11-19T21:59:00.002Z</published><updated>2009-11-19T22:25:17.081Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: A Sereia de Curitiba</title><content type='html'>As histórias de Rhys Hughes de que tenho vindo a falar aqui pertencem a este livro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Sereia de Curitiba&lt;/span&gt;, uma coleção de cerca de dez contos interligados dividida em quatro partes. Sim, os contos são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cerca &lt;/span&gt;de dez, pois, dependendo de como se olha para o livro, pode encontrar-se entre oito e doze. Alguns não são bem contos, ainda que o sejam, outros são contos dentro de contos (ou de notas, que talvez também possam ser vistas como contos de direito próprio), enfim, o que é conto ou deixa de ser é uma das convenções que o livro pretende pôr em cheque. E consegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como terão percebido se leram o que fui dizendo sobre cada um dos contos, o tom geral é surrealista. Pessoalmente, gostei mais do resultado quando o foram menos, o que corresponde à primeira das quatro partes, cujos três contos seguem todos uma história de amor com a sereia de Curitiba que intitula todo o livro e são por ela enquadrados. Dessas histórias gostei muito. Das outras, nem tanto, porque foi frequente sentir que o autor estava a levar tão longe o absurdo, as ligações oníricas, os elementos de enredo que nascem de trocadilhos e elementos de linguagem, etc., que perdia demasiado o controlo sobre elas. E digo demasiado porque é evidente que nunca foi intenção de Hughes controlar estas histórias. Ou seja, conseguiu fazer precisamente aquilo que pretendia. Mas, para satisfação do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;meu &lt;/span&gt;gosto, um pouco mais de controlo teria sido desejável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do surrealismo, há outras coisas presentes em todo o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De braço dado com ele vem necessariamente o humor, mas desengane-se quem pense que é humor de gargalhada. Não é. É humor de sorriso razoavelmente contemplativo e muito mais intelectual do que emocional. Feito de ironia, muita, e algum sarcasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma outra coisa de que o livro está cheio é: viagens. Viagens de todos os tipos e feitios. Ninguém para quieto um segundo que seja, e por cada chegada (invariavelmente a um sítio com algo de louco a dar-lhe um sabor especial) existe uma partida. Nisso, pelo menos, a obra é um espelho fiel do obreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avaliação geral? Gostei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-3193680901995561545?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/3193680901995561545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/3193680901995561545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-sereia-de-curitiba.html' title='Lido: A Sereia de Curitiba'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-8855335967176285713</id><published>2009-11-19T21:42:00.002Z</published><updated>2009-11-19T21:58:23.541Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: A Gala das Canções Implausíveis</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Gala das Canções Implausíveis&lt;/span&gt; é mais um conto surrealista de Rhys Hughes, que tem a originalidade de vir decorado com ilustrações a propósito, num estilo que me fez lembrar as colagens dos Monty Python. Ao contrário de algumas das outras histórias deste livro, aqui a imaginação delirante do autor está orientada por um fio condutor, o que me levou imediatamente a gostar mais desta. Volta a haver viagens com fartura, mas todas têm como objetivo levar o protagonista, músico, a festivais de música particularmente bizarros. A completar o ramalhete, há uma série de trocadilhos (Phil Espectro, tradução, imagino, de Phil Spectre, trocadilho com Phil Spector) e referências musicais (uma carta dirigida a Roger Waters por um fã desapontado), e referências quer a outros contos do livro, quer a amigos que Hughes fez nas suas viagens por Portugal. Ah, sim, e uma pequena história dentro da história, à moda das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mil e Uma Noites&lt;/span&gt;. Intitula-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Rei do Castelo de Cartão&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei. Desta última história, tratada como se de um epílogo se tratasse (e de certa maneira até é) voltei a gostar quase tanto como das primeiras do livro. E por falar em livro, passemos ao próximo post...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-8855335967176285713?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8855335967176285713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8855335967176285713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-gala-das-cancoes-implausiveis.html' title='Lido: A Gala das Canções Implausíveis'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-4612244258234575104</id><published>2009-11-16T21:44:00.003Z</published><updated>2009-11-16T21:51:41.337Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Às Vezes a Manhã Ajuda</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Às Vezes a Manhã Ajuda&lt;/span&gt; é uma pequena crónica de José Saramago que conta uma história muito humana sobre dois homens que se encontram num comboio e são unidos, durante um instante que como que roubam à cidade, por um pouco de música, de canto, que um trauteia sem que se chegue a saber porquê e o outro escuta. Literatura, e da boa, meus caros dois ou três leitores. Literatura, e da boa. Às vezes é necessário o constrangimento de se ter só x caracteres a antregar no jornal para levar à depuração da literatura. Quer-me parecer que esta história só pioraria se tivesse outro qualquer tamanho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-4612244258234575104?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4612244258234575104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4612244258234575104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-as-vezes-manha-ajuda.html' title='Lido: Às Vezes a Manhã Ajuda'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-5310742627013709998</id><published>2009-11-16T18:46:00.003Z</published><updated>2009-11-16T19:04:34.137Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Os Músicos</title><content type='html'>Ainda de Ray Bradbury, mas de um Bradbury muito mais novo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Músicos&lt;/span&gt; (&lt;a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/Os_M%C3%BAsicos"&gt;bib&lt;/a&gt;.) é um conto muito curto sobre um bando de rapazes, humanos, que têm como divertimento percorrer uma das cidades mortas e abandonadas de Marte, explorando-a mas, mais do que isso, explorando as ruínas feitas de ossos e películas pretas dos marcianos que nelas habitaram. Ao contrário do anterior, é um conto de ficção científica e, ao contrário do anterior, é um conto brilhante. Brilhante pelo modo como apresenta a crueldade irracional dum certo tipo de adolescente e pré-adolescente, o seu desrespeito pelos últimos vestígios não só duma cidade, mas duma civilização inteira e o modo como se deixam prender a um fascínio destruidor pelo macabro. E também brilhante pela forma magistral como está escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É demasiado curto para ser um conto realmente marcante, e no livro funciona como mais uma transição entre histórias maiores. Mas nada disso lhe tira seja o que for. É muito, muito bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-5310742627013709998?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5310742627013709998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5310742627013709998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-os-musicos.html' title='Lido: Os Músicos'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-5381739949268798618</id><published>2009-11-16T17:47:00.003Z</published><updated>2009-11-16T17:59:20.974Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Virgo Resuscitas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Virgo Resuscitas&lt;/span&gt; (&lt;a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/Virgo_Resuscitas"&gt;bib.&lt;/a&gt;) é mais um dos pequenos contos de Ray Bradbury que nada têm de fantástico. Neste caso, trata-se de uma discussão entre um homem e a sua amante que só não é inteiramente mundana, banal e desinteressante por causa da forma que a amante arranja para pôr a relação em cheque: a religião. A ironia que as interligações entre amante, relação e religião encerram é o que mantém este conto de pé, desvendando as origens profundas de algumas escolhas que as pessoas fazem nesse campo. Sem ela, desmoronar-se-ia num desinteresse total, e nem a habitual qualidade da prosa de Bradbury seria capaz de o salvar da mais absoluta mediania. Mesmo assim, está muito, muito longe das obras-primas do autor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-5381739949268798618?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5381739949268798618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5381739949268798618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-virgo-resuscitas.html' title='Lido: Virgo Resuscitas'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-8631730947657227426</id><published>2009-11-08T01:47:00.003Z</published><updated>2009-11-08T02:10:30.589Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Aventuras</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aventuras&lt;/span&gt;, do polaco Witold Gombrowicz, é um conto surrealista sobre, lá está, as aventuras mirabolantes do narrador, que anda o conto todo em bolandas sujeito aos caprichos de um tal "Negro", capitão de navio carregadinho de má índole. Começa por resgatar o narrador às águas do Mediterâneo, para dentro do qual caíra de um navio com destino ao Cairo, para imediatamente o aprisionar e atirar ao Atltântico dentro de um balão de vidro. O narrador consegue ter a sorte de escapar ao balão de vidro, só para ser recapturado pelo Negro e ser atirado ao mar dentro de uma bola de aço, ou talvez um cone, desta feita no ponto mais profundo do Pacífico. Também deste triste fim o narrador se salva, apenas para embarcar em nova aventura da mesma índole, e noutra, e noutra a seguir, cada uma mais estapafúrdia do que a anterior, desenrolando-se cada uma numa paragem mais exótica do que a que lhe antecede. O conto termina com o narrador a dar cabo, sozinho, das trincheiras alemãs da Primeira Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para apreciar este conto há que não o levar a sério. Mas mesmo assim, ele corre um certo risco de aborrecer o seu leitor, porque depois das primeiras peripécias já se está mais ou menos à espera do que aí vem, e o conto é algo longo, ainda que acabem por acontecer algumas reviravoltas mais ou menos inesperadas. Foi, confesso, o que aconteceu comigo. Se o conto fosse mais curto, teria gostado, mas sendo longo como é, não gostei lá muito. Sim, é divertido, mas às tantas dei por mim a pensar: "OK, já me ri. Mas é só isto? Não se sai desta inconsequência?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não sai mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-8631730947657227426?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8631730947657227426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8631730947657227426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-aventuras.html' title='Lido: Aventuras'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-5037436132296154461</id><published>2009-11-07T18:53:00.002Z</published><updated>2009-11-07T19:04:51.835Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: A Casa da Esfinge</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Casa da Esfinge&lt;/span&gt; é um conto bastante curto (2 páginas) de Lorde Dunsany que nos mostra, precisamente, uma visita a uma casa onde mora uma Esfinge, no meio duma floresta. O ponto mais interessante desta história será talvez o facto de não nos mostrar a esfinge como o monstro mitológico guardião de templos ou de cidades, capaz de impedir a entrada a indesejáveis, ou o atrator de má sorte de outras histórias, mas como um ser acossado, preocupado com a aproximação duma qualquer coisa terrível vinda da floresta. O conto diz o que é, mas eu não vou dizer; digo apenas que quando essa explicação surge, a história ganha uma nova condição de ironia de que até aí não se suspeitaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conto talvez seja curto demais para gerar grande impacto, mas é sem dúvida interessante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-5037436132296154461?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5037436132296154461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5037436132296154461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-casa-da-esfinge.html' title='Lido: A Casa da Esfinge'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-4397118391264713944</id><published>2009-11-07T16:39:00.003Z</published><updated>2009-11-07T17:19:49.480Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Cepas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cepas&lt;/span&gt;, de Juan Pablo Noroña, é uma noveleta de ficção científica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hard &lt;/span&gt;ambientada num habitat espacial, constituído por um misto de tecnologia "convencional" e biotecnologia. Esta última consiste numa espécie de planta, que pode pertencer a qualquer uma de várias linhagens diferentes. A premissa da história tem a ver com o surgimento duma doença numa dessas linhagens, e a investigação subsequente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos problemas de que a ficção científica de origem não anglófona sofre é a dificuldade que causa, a nível da própria linguagem, a quem a está a ler. É que se estamos todos mais ou menos acostumados ao estilo que os neologismos ingleses tomam, a ponto de os entendermos às vezes melhor do que os que surgem na nossa própria língua, quando saimos do âmbito anglófono e temos de lidar com os neologismos de outra língua as coisas já não correm tão bem. É que mesmo quando essa língua nos é familiar (e eu tenho-me na conta, talvez benévola, de um falante bastante razoável de castelhano), os seus neologismos de FC recorrem muitas vezes a significados mais obscuros das palavras e, para piorar as coisas, intersetam-se com os anglófonos de formas que nem sempre são óbvias a quem os olha de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já perceberam certamente que é o que se passa aqui. Os neologismos típicos da FC prejudicaram bastante a minha leitura de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cepas&lt;/span&gt;, conjugados com uma oralidade (o conto é composto em grande medida por diálogos) que nem sempre é compreensível por inteiro. De modo que o terminei sem saber bem o que pensar, embora me pareça que se dispersa desnecessariamente por detalhes algo desinteressantes sobre relações interpessoais, sem que com isso consiga construir personagens complexas, perdendo um pouco de vista o fio condutor da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser avaliar por si próprio pode encontrá-lo &lt;a href="http://axxon.com.ar/rev/159/c-159cuento1.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-4397118391264713944?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4397118391264713944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4397118391264713944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-cepas.html' title='Lido: Cepas'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-430220826665643043</id><published>2009-11-01T15:36:00.002Z</published><updated>2009-11-01T15:43:15.593Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Eight Things not to Say When you Meet the Devil in Hell</title><content type='html'>Bruce Boston, o "poeta oficial" da FC americana, tem vários textos deste género: com grande humor, junta uma série de frases embaraçosas se forem ditas em circunstâncias de FC ou de fantasia, e com elas compõe uma espécie de poema. Enquanto poemas, estes textos são francamente duvidosos, mas conseguem muitas vezes ser muito divertidos. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eight Things not to Say When you Meet the Devil in Hell&lt;/span&gt; não chega propriamente ao "muito", fica-se pelo divertido. O que já não é mau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-430220826665643043?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/430220826665643043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/430220826665643043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-eight-things-not-to-say-when-you.html' title='Lido: Eight Things not to Say When you Meet the Devil in Hell'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-6430406593929407242</id><published>2009-11-01T02:44:00.002Z</published><updated>2009-11-01T02:56:31.910Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fc e f'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Notas</title><content type='html'>Hã? Notas? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Notas&lt;/span&gt; são mesmo o que parece? Notas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, sim. E não. Daí vir aqui falar deste conjunto de textos. As &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Notas &lt;/span&gt;são, de facto, notas que Rhys Hughes faz sobre as outras histórias do livro em que se inserem, mas são também um objeto (meta)literário em si mesmas, quer pela sua posição no livro (não estão propriamente no fim), quer por contribuírem para toda a sua irreverência. Uma das notas, por exemplo, começa assim: "Não existem notas para esta história, mas vou tentar pensar rapidamente em alguma coisa. Não, não serve. Não consigo. Porque não escrevem a vossa própria nota, se não têm nada de melhor para fazer?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra razão para vir aqui falar das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Notas &lt;/span&gt;é elas incluirem uma história intitulada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Sinos Imersos&lt;/span&gt; cuja presença é explicada, numa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nota às Notas&lt;/span&gt;, por não ser suficientemente boa para ser incluída no livro, mas não tão pobre que fosse excluída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-6430406593929407242?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/6430406593929407242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/6430406593929407242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/11/lido-notas.html' title='Lido: Notas'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-4049455431013469800</id><published>2009-10-09T17:23:00.002+01:00</published><updated>2009-10-09T17:29:21.404+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: O Inevitável Poente</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Inevitável Poente&lt;/span&gt; é uma crónica de José Saramago que começa com uma espécie de pedido de desculpa: "Ao menos uma vez na vida, cronista ou literato em dificuldade de tema faz a sua glosa pessoal ao pôr do Sol. Fecha os olhos ao ridículo, arrisca-se a que o apanhem em flagrante delito de plágio involuntário (ou não) — mas paga o tributo." E pronto, está a crónica explicada. O tema andava escasso, a crónica era esperada no jornal que a pagava (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Capital&lt;/span&gt;, no fim dos anos 60), e lá teve de ser. Saramago pede desculpa, mas como fez um bom trabalho e, com ridículo ou não, com plágios ou sem eles, a crónica se lê com agrado, está desculpado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-4049455431013469800?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4049455431013469800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/4049455431013469800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/10/lido-o-inevitavel-poente.html' title='Lido: O Inevitável Poente'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-5820091838891869499</id><published>2009-10-07T20:33:00.002+01:00</published><updated>2009-10-07T20:55:02.521+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogosfera'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Réplica à resposta à contraposição ao post do Senhor Palomar</title><content type='html'>O Senhor Palomar achou por bem publicar uma &lt;a href="http://senhorpalomar.com/341073.html"&gt;réplica&lt;/a&gt; ao &lt;a href="http://lampadamagica.blogspot.com/2009/10/e-chamada-honestidade-dos-direitinhas.html"&gt;post que eu aqui publiquei há umas horitas&lt;/a&gt;. Aquece-me o coração vê-lo tão atento, e agradeço a consideração. Mas julgo ter de explicar melhor uma coisa que aparentemente deixei menos clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu problema não são as posições políticas, Palomar. Que alguém tenha ideias direitistas, esquerdistas, medianistas, alteradas, banais, radicais, etecetritais, está no seu pleno direito e tem toda a legitimidade para as divulgar quando e como muito bem entenda. Eu namorei por três anos com uma votante no CDS, e só me arrependo da segunda metade do último ano por motivos que nada têm a ver com a política. De modo que por mim, Senhor Palomar, pode ser de direita à vontade. É só através da discussão franca e honesta de ideias diferentes que se pode chegar a algum lado que se assemelhe, ainda que vagamente, a alguma espécie de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é precisamente aqui que bate o ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não existe discussão franca e honesta de ideias diferentes quando se usam subterfúgios para tentar impôr as nossas. Subterfúgios como a omissão dum facto que, por si só, explica imediatamente toda a "incoerência" que o Senhor Palomar aparenta ver na situação em Salvaterra. Não é franco, não é honesto e, convenhamos, não é lá muito bem educado, porque está nas entrelinhas a acusar o partido e/ou a autarca de não serem sinceros nas posições que são públicas ao mesmo tempo que omite aquilo que basicamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;demonstra &lt;/span&gt;essa sinceridade. E isso não lhe fica nada bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo que talvez não me seja necessário engolir o sapo soareiro para continuar a ler o blogue. Basta apenas que as ideias apareçam de futuro livres deste tipo de deturpações e omissões. Por mais erradas que me pareçam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-5820091838891869499?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5820091838891869499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/5820091838891869499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/10/replica-resposta-contraposicao-ao-post.html' title='Réplica à resposta à contraposição ao post do Senhor Palomar'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-2931614274469483929</id><published>2009-10-07T17:25:00.003+01:00</published><updated>2009-10-07T17:39:05.442+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido: Uma Mulher é um Piquenique Rápido</title><content type='html'>Curioso título, não? Pena é ter muito pouco a ver com o título original, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Woman in a Fast-Moving Picnic&lt;/span&gt;, e não, a tradução não foi feita por nenhum perigoso misógino, daqueles ainda de bigode farfalhudo e brilhantina no cabelo. O tradutor é uma tradutora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uma Mulher é um Piquenique Rápido&lt;/span&gt; (&lt;a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/Uma_Mulher_%C3%A9_um_Piquenique_R%C3%A1pido"&gt;bib.&lt;/a&gt;) é um conto curto de Ray Bradbury, ambientado numa Irlanda muito presente no imaginário americano: a Irlanda dos bêbados, dos bares e dos pântanos, onde os homens se desafiam, e ao álcool que cada um contém, a penetrar no pântano, sobre o qual se contam histórias e cantam canções sobre desaparecimentos e afogamentos. Não sendo propriamente um conto fantástico, está repleto da atmosfera misteriosa das histórias de fantasmas, e o desenlace, apesar de racional e explicado, não deixa de conter em si também algum mistério. É uma história interessante, embora não chegue nem perto das melhores histórias de Bradbury.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-2931614274469483929?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/2931614274469483929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/2931614274469483929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/10/lido-uma-mulher-e-um-piquenique-rapido.html' title='Lido: Uma Mulher é um Piquenique Rápido'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-1686273029007422127</id><published>2009-10-07T15:29:00.004+01:00</published><updated>2009-10-07T15:57:51.788+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogosfera'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>É a chamada honestidade dos direitinhas. Nada que surpreenda, portanto. O costume. Mais do mesmo. Enfim, é o que é.</title><content type='html'>O &lt;a href="http://senhorpalomar.com"&gt;Senhor Palomar&lt;/a&gt; tem um blogue porreiro. Quando fala de literatura é uma voz digna de ser ouvida, e já tem escrito e publicado coisas em que eu dou por mim a responder a cada palavra com um "pois é" interno. E não foi uma nem duas vezes que isso aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que não se fica pela literatura. E em coisas como &lt;a href="http://senhorpalomar.com/335692.html"&gt;esta&lt;/a&gt;, entra política dentro. Se o fizesse decentemente, tudo bem, mas não o faz. Fá-lo enviesadamente, com deturpações grosseiras da verdade e com insultos implícitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senão, vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insinua ele que é exemplo da "coerência habitual" do BE que o partido tenha uma posição oficial sobre as touradas e outros espetáculos de degradação taurino-equestre, enquanto a presidente-candidata à câmara de Salvaterra de Magos, eleita nas listas do BE, se manifeste favorável a tais espetáculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o Senhor Palomar, que é óbvio que não é nem inculto, nem burro, nem mal informado, sabe perfeitamente que Ana Cristina Ribeiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não é&lt;/span&gt; militante do BE. Talvez seja o BE o partido com que mais se identifica, razão pela qual se sentirá bem concorrendo nas suas listas mas, se não é militante, é porque tem pontos de divergência com a linha oficial do partido que considera suficientemente relevantes para impedir que nele se inscreva. Eu sei como é: é o que acontece comigo, com a diferença de eu não ser candidato a nada. Mas não me inscrevo no partido em que tenho votado quase sempre nos últimos anos e com o qual mais me identifico no geral porque há coisas em que discordo por completo dele. Assim são todos os não-militantes partidários, suponho eu. Ou pelo menos aqueles que têm algumas ideias políticas na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bem: pelas posições tomadas publicamente por ambas as partes, é evidente que um dos pontos de discórdia entre partido e candidata independente é o modo como devem ser encarados pela sociedade no seu todo os espetáculos tauromáquicos. Ambas as partes aceitam essa divergência como parte inevitável e natural de se lidar com pessoas que pensam pela própria cabeça, e nenhuma das partes ousa tentar reprimir ou suprimir as ideias discordantes da outra, o que é sintoma de espírito tolerante e democrático, que qualquer pessoa que fosse realmente tolerante e democrática só poderia saudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo o Senhor Palomar disto, como certamente sabe, como se explica aquela tentativa patusca de associar uma posição da independente que é candidata a presidente duma câmara a pretensas "incoerências" num discurso partidário, suprimindo precisamente a parte da história que explica as divergências? Sim, que o Senhor Palomar fala como se Ana Cristina Ribeiro e o BE fossem uma e a mesma coisa, e sabe perfeitamente que isso é uma deturpação desonesta da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é nada que surpreenda. Mesmo. A nossa lamentável direita é quase toda assim. Só tenho pena é de que o síndroma ataque desta forma devastadora um blogue que, em geral, até se pode ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-1686273029007422127?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1686273029007422127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/1686273029007422127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/10/e-chamada-honestidade-dos-direitinhas.html' title='É a chamada honestidade dos direitinhas. Nada que surpreenda, portanto. O costume. Mais do mesmo. Enfim, é o que é.'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-8991859153102587472</id><published>2009-10-01T01:58:00.003+01:00</published><updated>2009-10-01T03:13:26.527+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Ainda a abstenção</title><content type='html'>Na sequência &lt;a href="http://lampadamagica.blogspot.com/2009/09/eleicoes-e-sistemas.html"&gt;deste post&lt;/a&gt;, publicado antes da cavacal excelência nos tentar atirar para os olhos aquele inenarrável monte de areia de ontem, mas que parecia que estava a prevê-lo, pus-me a fazer umas contas e tive mais algumas ideias sobre o sistema eleitoral e a abstenção. Isto porque se estivermos à espera que certos políticos ganhem algum nível, bem podemos esperar sentados. Se alguém ainda tinha dúvidas, a comunicação ao país da pessoa mais séria de Portugal dissipou-as: é mais seguro procurar combater a abstenção reforçando o sentimento de representação das pessoas do que estar a contar com algum nível por parte dum conjunto alargado dos políticos que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo que fiz contas e tive ideias. As contas foram rápidas, aquilo a que os físicos e engenheiros anglófonos chamam, numa tradução literal, cálculos de costas de envelope. Fiz, por exemplo, uma redistribuição dos deputados por círculo não a partir do número de recenseados, como devia ser, mas a partir do número atual de deputados; deu-me mais jeito assim e o resultado é suficientemente próximo daquele que se obteria se tivesse ido buscar os números dos recenseados para ilustrar eficazmente o ponto. Para que fiz essa redistribuição? Para ver o que aconteceria com os resultados de domingo se tivéssemos o sistema de 115 deputados eleitos nos círculos e outros 115 eleitos num círculo nacional de compensação, de que falei no post de segunda-feira. Obriguei os círculos a eleger no mínimo 2 deputados, uni os dois círculos da emigração num só, e redistribuí o resto até perfazer 115. Quanto aos outros 115, resolvi seguir um caminho diferente do que sugeri na segunda-feira. Um caminho que exige alguma explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ideal, para reduzir as distorções à proporcionalidade e potenciar as hipóteses de mais sensibilidades políticas se verem representadas no parlamento é, como eu disse, um único círculo nacional. Com 230 deputados, esse círculo único teria eleito no domingo 89 deputados do PS, 70 do PSD, 25 do CDS, 24 do BE, 19 da CDU, 2 do MRPP e 1 do MEP, isto é, iriam 38,7% dos deputados para o PS, 30,4% para o PSD, 10,9% para o CDS, 10,4% para o BE, 8,3% para a CDU, 0,9% para o MRPP e 0,4% para o MEP. Se compararem estas percentagens com as percentagens dos votos válidos e não brancos obtidos por cada formação política (37,7%, 30%, 10,8%, 10,2%, 8,1%, 1,0% e 0,4%, respetivamente) verão bem como as diferenças são mínimas. As percentagens de deputados são apenas ligeiramente superiores, com um muito ligeiro, e na minha opinião muito aceitável por ser tão ligeiro, benefício do partido mais votado, devido em grande medida aos votos entregues a formações que não chegam aos cerca de 23 mil votos que marcam a fronteira entre os partidos parlamentares e os outros. Ora, não há nenhuma maneira de fazer com que através dos restos do método de Hondt, como eu sugeri na segunda-feira, se chegue a este nível de precisão. As distorções são sempre maiores. Mas eu gosto da ideia de eleger os quadros nacionais dos partidos por intermédio de um círculo nacional, deixando os círculos regionais para gente com ligação às terras. Como conciliar as duas coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito simples. Na verdade, explicar o sistema é bastante mais complicado do que o próprio sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O total de deputados que cada força elege corresponde àqueles que lhe caberiam se no país houvesse um único círculo com 230 deputados. A origem desses deputados é que pode encontrar-se nos círculos regionais ou no círculo nacional de compensação: o número de deputados eleitos através deste é o número total subtraído do número de deputados eleitos pelos círculos. E é só isto. Não perceberam? OK, então exemplifiquemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhem para os números que pus ali em cima. São esses os totais a atingir e, para os atingir, vão eleger-se 115 deputados pelos círculos e mais 115 pelo círculo de compensação. Fazendo as contas aos resultados de domingo, verifica-se que os 115 deputados eleitos pelos círculos ficariam assim distribuídos: 52 para o PS, 37 para o PSD, 9 para o CDS, 8 para o BE e 7 para a CDU. Isto soma 113: faltam ainda os da emigração, que neste sistema seriam só dois. Suponhamos que vai um para o PS e o outro para o PSD (é bastante natural que seja sempre assim), subindo os totais destes dois partidos para 53 e 38. E quantos deputados cabe a cada um pelo círculo nacional de compensação? Simples: vão 36 para o PS (89-53), 32 para o PSD (70-38), 16 para o CDS (25-9), outros 16 para o BE (24-8), 12 para a CDU (19-7), 2 para o MRPP e 1 para o MEP. Os partidos maiores elegem mais pelos círculos do que pelo de compensação, os médios elegem mais pelo de compensação do que pelos círculos, e os pequenos partidos só elegem pelo de compensação. A distorção da proporcionalidade criada pelos círculos é assim anulada, e o resultado é inteiramente proporcional, ao mesmo tempo que se mantém a representatividade territorial. Ouro sobre azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que isto não funciona com círculos uninominais. Com círculos uninominais é teoricamente possível que um partido "limpe" mais lugares através dos círculos do que os que a proporcionalidade lhe atribuiria. Mas com um sistema em que os círculos têm entre 2 (todo o interior, os Açores e a emigração) e 24 mandatos (Lisboa), funciona às mil maravilhas. E cada voto conta e vale o mesmo, independentemente do local onde é enfiado na urna, porque o número de deputados de cada força é determinado pelo total de votos que ela obtém. Se alguém quer votar no partido xis que sabe que, pelo seu círculo, tem poucas ou nenhumas hipóteses de eleger alguém, tem sempre a certeza de que o seu voto conta para eleger pelo círculo nacional de compensação. Sente-se representado, seja qual for a escolha que faça. Logo, é mais provável que vá votar em vez de ficar em casa a engrossar o número dos abstencionistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E outra coisa: o número de deputados por círculo, no sistema que temos, é determinado pelo número de eleitores que cada círculo tem recenseados. Mas há erros nos cadernos eleitorais, erros esses que têm influência direta na composição do parlamento, conforme está exemplarmente exemplificado &lt;a href="http://blasfemias.net/2009/09/29/curiosidades-eleitorais/#more-19205"&gt;aqui&lt;/a&gt; (incrível: fiz um link para o Blasfémias, e a falar bem!). E que tal esta ideia maluca: deixem lá os eleitores, e passem a fazer as contas com base nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;votantes&lt;/span&gt;, brancos e nulos incluídos. Se querem ter o número de deputados por círculo definido à partida, usem os votantes das legislativas anteriores; se não for preciso, usem o número das próprias eleições e distribuam os deputados assim que for conhecida a afluência às urnas. Aposto que muita gente, se soubesse que o simples facto de ir ou não votar poderia influenciar a quantidade de gente que é eleita pela sua região, passaria a pensar duas vezes quanto a ficar em casa ou ir à praia. Talvez engrossem o voto em branco, e as frases célebres, mas irão lá. Provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São só umas mudançazinhas que podem ser feitas para tentar diminuir a abstenção. E, de passagem, tornar o sistema mais democrático. São só vantagens, parece-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-8991859153102587472?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8991859153102587472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/8991859153102587472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/10/ainda-abstencao.html' title='Ainda a abstenção'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-6235073200203810854</id><published>2009-09-30T15:26:00.006+01:00</published><updated>2009-10-05T14:21:58.119+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='acordo ortográfico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogosfera'/><title type='text'>Blogtailor attitudes</title><content type='html'>O blogue &lt;a href="http://blogtailors.blogspot.com/"&gt;Blogtailors&lt;/a&gt; publicou ontem uma nota que &lt;a href="http://blogtailors.blogspot.com/2009/09/adopcao-do-acordo-ortografico-em.html"&gt;remete para e cita&lt;/a&gt; uma notícia a respeito de indefinições na adoção do acordo ortográfico em Portugal. Em apenas cinco linhas, a citação consegue a proeza de divulgar duas informações erróneas, e eu decidi escrever um comentário a dar conta dessas incorreções. Reconstruo de memória, mas tanto o conteúdo como o tom eram estes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Há aqui várias incorreções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, é falso que a reforma ortográfica tenha sido ratificada por quatro países. Além dos quatro que a nota refere, também Timor-Leste assinou e ratificou o acordo, ficando a faltar apenas a Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, não foi só Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe que assinaram o acordo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Todos &lt;/span&gt;os países lusófonos o assinaram, bem como aos protocolos modificativos. O que falta não é a assinatura, mas a ratificação dessa assinatura.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado do meu comentário? A sua não publicação. E a alteração da nota com a inclusão daquele "[SIC]" que agora lá se encontra. Não é uma atitude bestial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que tal coisa me acontece, e sei de outras pessoas que foram tratadas com igual desrespeito. Mas a verdade é que quem se prejudica são os próprios blogtailors. O que eles conseguem com este tipo de atitudezinha prepotente é que ou as pessoas os mandam à fava, ou então deixam de lhes comentar os disparates discretamente nas caixas de comentários, onde ficam escondidos de quase toda a gente, para passarem a fazê-lo em público noutros blogues indexados por motores de pesquisa (coisa que ou não acontece com os comentários ou acontece com a atribuição de um page-rank bem mais baixo, que faz com que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esses&lt;/span&gt; resultados sejam empurrados bem para o fim da lista), associando eficazmente o seu nome a posts como este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma escolha que os Blogtailors têm feito. Assim seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;Adenda, 4 de Outubro: Fui alertado por uma série de três comentários anónimos aqui na Lâmpada (todos publicados imediatamente, claro, apesar do insulto implícito) para o curioso facto do meu comentário ter sido entretanto publicado. Não sei quando. Sei que não foi quando o fiz, a 28 de Setembro. Sei que não foi no dia seguinte, 29 de Setembro. Sei que não foi a 30 de Setembro&lt;/small&gt;&lt;small&gt;, data deste post, e data em que reparei que o tal "sic" tinha sido adicionado ao post original, o que prova que já nesse momento o meu comentário tinha sido lido e não publicado. Sei que nem sequer a 1 de Outubro foi&lt;/small&gt;&lt;small&gt;, porque fui lá ver. Pode ter sido noutro dia qualquer desde então, mas o que mais provável me parece é ter sido hoje e o anónimo não ser propriamente anónimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que não fui só eu a constatar a ausência do comentário. Aliás, o link para o post está ali em cima para isso mesmo: para as pessoas comprovarem por si essa ausência. Foram várias as que o fizeram. De modo que se alguém sente alguma tentação de tentar passar a ideia de que isto que aqui está é uma "difamação", desiluda-se: ninguém acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não me leva a mudar uma vírgula a este meu post. Só o futuro dirá se ele serviu para os Blogtailors perceberem os tiros no pé que têm vindo a dar e os levou a mudar de atitude, se a publicação tardia do comentário serviu apenas para dar motivo a um "anónimo" para me vir aqui tentar puxar as orelhas. Se se der o primeiro caso, ótimo, fico contente; se se der o segundo, é uma crapulice sem nome. Seja qual for o caso, caro "anónimo", se alguém deve desculpas a alguém são, ainda, os Blogtailors. A mim e a todos os outros que têm sido alvo do mesmo tipo de atitude.&lt;/small&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-6235073200203810854?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/6235073200203810854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/6235073200203810854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/09/blogtailor-attitudes.html' title='Blogtailor attitudes'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5328670.post-2544164056355017343</id><published>2009-09-28T15:20:00.006+01:00</published><updated>2009-09-28T22:41:42.975+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Eleições e sistemas</title><content type='html'>Ia escrever umas coisas sobre as eleições de ontem, focando-me em resultados, vitoriosos e derrotados, esses pormenores tão originais, mas não vale a pena: &lt;a href="http://arrastao.org/sem-categoria/11659/"&gt;já houve quem dissesse basicamente o que eu queria dizer&lt;/a&gt;. Mas o que o Daniel Oliveira ali escreve não esgota o assunto, e portanto aqui fica o que eu diria depois de falar sobre os resultados propriamente ditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente fala de abstenção. Para quase toda a gente, esta é sintoma de que algo vai mal no sistema político, de que as pessoas estão alheadas da democracia, não respeitam as instituições democráticas nem as pessoas que por elas se movimentam, etc. E é verdade. Mas convenhamos: com campanhas como aquela a que assistimos é difícil continuar a respeitar certa gente, em particular quem faz da aldrabice, da calúnia e da insídia armas para a conquista do poder. As pessoas muito sérias que apregoam políticas de verdade e depois mentem com um ar muito sério e quantos dentes têm na boca, manuseando os fantoches que têm nos jornais com o único objetivo de iludir o zé pagode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, nem todo o zé pagode se deixa iludir dessa maneira. O crime até pode compensar durante algum tempo, mas no fim das contas feitas as pessoas muito sérias que agem desta forma acabam quase sempre por se revelar como aquilo que são. E o zé pagode que não é estúpido interioriza que antes os palhaços do que pessoas assim tão sérias. O zé pagode que não é estúpido mil vezes votaria nos Gato Fedorento antes de dar um voto a uma certa senhora muito séria e àquele mar de gente tenebrosa que governa um certo partido que eu cá sei, apesar de ser  assustador pensar que, mesmo assim, ele tenha quase chegado aos trinta por cento. E que seja também uma pessoa assim tão séria a ocupar poleiro em Belém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidente de todos os portugueses, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;my ass&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é, portanto, a surpresa por as pessoas não irem votar? Quem vê comportamentos como aqueles e não tem discernimento para não generalizar a toda a classe política, ou até toda a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;atividade &lt;/span&gt;política, fica em casa, claro. Ou, se quer mesmo protestar, vai à mesa de voto juntar-se aos quase 100 mil camaradas que deixaram o boletim em branco, ou aos quase 75 mil que preferiram votar nulo (o que, pela experiência que tive numa mesa, há anos, rende algumas frases bastante elucidativas quanto ao sentimento do votante). São cento e setenta mil pessoas que, se estivessem organizadas numa espécie de "Partido do Contra", teriam eleito um grupo parlamentar capaz de encher um táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois há outros fatores. No meu círculo eleitoral, não houve um único partido com hipóteses de eleger deputados que não tivesse resolvido meter à cabeça da lista um paraquedista qualquer, gente sem nenhuma identificação com esta região que ultrapasse o vir cá de vez em quando passar férias. Nem um. Qual a surpresa por as pessoas pensarem que eles vão para o parlamento defender não os nossos interesses, mas os dos respetivos partidos? Qual a surpresa por se achar que eles não fazem a mínima ideia dos nossos problemas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francamente? Se é para candidatarem a deputados pessoas sem a menor ligação aos círculos por que se candidatam, melhor seria que acabassem com os círculos e elegessem os deputados por um círculo único, nacional. Não ficaríamos a conhecê-los pior do que conhecemos agora, não ficaríamos menos próximos deles do que estamos agora, e com um círculo único o nosso sistema eleitoral tornar-se-ia realmente proporcional, em vez desta mixórdia que temos agora, que beneficia sistematicamente os dois maiores partidos. Com 230 deputados eleitos por lista única, o parlamento teria representação de mais correntes de pensamento da sociedade portuguesa, o que quem é realmente democrata só poderá aplaudir. Com os resultados de ontem, isso significaria eleger um deputado com cerca de 24 mil votos, o que somaria aos 5 partidos atualmente representados o MRPP e o MEP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, sabem?, o nosso sistema atual distorce a representação parlamentar. Os 37,7% de votos que contam para a eleição de deputados que o PS obteve (isto é, os votos expressos menos os brancos e os nulos) transformam-se em 42,5% dos deputados; os 30% do PSD viram 34,5% dos deputados; os 10,8% do CDS, os 10,2% do BE e os 8,1% da CDU são reduzidos a 9,3%, 7,1% e 6,6% dos deputados, respetivamente. É fácil de ver que a força que as diversas formações políticas obtém no parlamento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não corresponde&lt;/span&gt; à vontade dos eleitores. É mais ou menos semelhante, anda por aí. Mas a forma de eleição de deputados distorce a vontade do eleitorado. E, como foi dito várias vezes ontem na TV, não estamos livres de acontecer um cenário de distorção absoluta, em que um partido menos votado acaba mais representado do que outro mais votado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiram-se por o eleitorado olhar de viés para o sistema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por cima, a ideia teórica de que todos os votos valem o mesmo é falsa. Ontem houve quase 150 mil votos que, apesar de serem válidos e terem sido entregues a formações concorrentes, não serviram para eleger ninguém. São as sobras do método de Hondt. São 150 mil eleitores que, para todos os efeitos práticos, se veem privados de fazer ouvir a sua voz no próximo parlamento, durante o tempo que ele durar. Pior: se o círculo do Porto tivesse mais um deputado, ele teria sido eleito com 23200 votos (e seria do BE); se o círculo dos Açores tivesse mais um deputado, bastariam 11400 (e seria do PSD). Ou seja: um votante do Porto tem menos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;metade &lt;/span&gt;do poder que tem um votante açoreano. Todos os votos contam? Longe disso. Todos os votos são contados, isso sim. E o valor que cada um tem depende do ponto do país em que é introduzido na urna. Como na história do George Orwell, todos os votos são iguais, mas há uns mais iguais do que outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as pessoas interiorizam que a sua voz não vai ser ouvida, que o seu voto de nada serve e não obterá representação na AR, que há uns mais iguais do que outros, que os políticos são todos uma cambada de gente sem espinha dorsal que procura o poder não para governar mas para governar-se, onde está a surpresa por a abstenção ser a que é? Por um terço dos eleitores não estar para se incomodar e ficar em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se querem realmente diminuir a abstenção, meus senhores, tirem a cabeça da areia e façam alguma coisa que contribua para isso. Aumentem o nível do combate político discutindo política em vez de tentar conquistar o poder com golpes sujos. E deem voz a quem não a tem, transformando o sistema que temos num sistema realmente proporcional. Pode ser por círculo único, mas também pode ser doutras maneiras. Por exemplo, se aos 226 deputados eleitos ontem (faltam ainda os da emigração) se somassem 50 eleitos por um círculo nacional para o qual só contassem as sobras do método de Hondt, os tais 150 mil votos deitados à rua, o PS ficaria com 39,1% dos deputados, o PSD com 32,2%, o CDS com 10,9%, o BE com 9,1%, a CDU com 8% e o MRPP elegeria dois, isto é, 0,7% dos deputados (a votação foi de 0,96%). Veem como as percentagens de deputados se aproximam logo das de votantes? Continua a não ser perfeito, mas é muito menos imperfeito do que o que temos agora. E quanto maior, em proporção, fosse o círculo nacional, mais proporcionais os resultados finais seriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o ideal seria metade-metade. Metade dos deputados eleitos nos círculos atuais, talvez com algumas fusões nos círculos mais pequenos para evitar que se tornassem pequenos demais (não há nada que distorça tanto como círculos em que só se elegem 2 ou 3 deputados... e quanto aos uninominais, nem se fale), e a outra metade no círculo nacional. 115 para cada lado. Pelos círculos eleger-se-iam pessoas que também fossem capazes de apresentar no parlamento os problemas específicos de cada zona; o círculo nacional ficaria para os quadros dos partidos, que eles hoje em dia distribuem por todo o lado ao sabor das suas conveniências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iam ver se a abstenção não diminuía logo. Desde que o sistema adotado fosse suficientemente simples para que as pessoas o compreendessem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5328670-2544164056355017343?l=lampadamagica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/2544164056355017343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5328670/posts/default/2544164056355017343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lampadamagica.blogspot.com/2009/09/eleicoes-e-sistemas.html' title='Eleições e sistemas'/><author><name>Jorge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09670245742463915748</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07417596423250179185'/></author></entry></feed>