Mostrar mensagens com a etiqueta 2008 em leituras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2008 em leituras. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de dezembro de 2008

Semana

Último fim de semana do ano, e por aqui continua-se a bulir, que os prazos não alargam lá porque há feriados, pontes e fins de semana. Trabalhar em modo freelancer tem enormes vantagens (não há colegas parvos, não há horários, não há código de vestuário, não há deslocações diárias para o emprego), mas também tem as suas partes gagas (não há colegas porreiros e, quando os prazos são curtos, não há feriados nem fins de semana). Mas adiante.

O livro não-prioritário ficou parado, e acho que já posso garantir com (quase) toda a certeza que assim permanecerá até que o prioritário esteja pronto. Quanto a este, está na página 138, 54 a mais do que na semana passada, um número curto cuja exiguidade foi mais fruto de um dia em que o cérebro não conseguia ligar o inglês nem à lei da bala do que de qualquer outra coisa. Seja como for, não há atrasos: limitei-me a trabalhar num dia em que tinha planeado descansar e/ou fazer outras coisas; ou trabalhar também, se estivesse para aí virado. Faltam agora 206 páginas.

O wiki cresceu muito pouco: só houve 21 páginas novas que fizeram o total subir para 15 277.

E leu-se umas coisas. E algumas das que se leram foram concluídas. Por exemplo:

Biblioteca Particular, um conto fantástico de Zoran Zivkovic sobre um homem que um belo dia chega a casa e depara com um volume da "Literatura Universal" na caixa de correio. E de cada vez que a abre, depara com outro. E outro. E outro. Mas encara a coisa com perfeita fleuma, passando uma noite em branco a acumular uma enorme biblioteca particular (sem ler uma página, o que não deixa de ser irónico). Um conto bom, embora algo previsível. E por exemplo:

Os Ladrões de Estrelas, conto de Edmond Hamilton cuja antiquíssima ficção científica envelheceu tão mal como aquele de que aqui falei há duas semanas. Este conto não pareceria tão mau como o outro, se o enredo não fosse exactamente igual, com a mesma estrela ameaçadora, a mesma viagem interestelar, a mesma batalha e aprisionamento, a mesma fuga miraculosa, o mesmo final feliz, o mesmo imenso bocejo. Pulp no seu pior, decididamente. E por exemplo:

Delta, noveleta de ficção científica de Christine Renard e Claude F. Cheinisse, muito feminina, muito romântica, apesar dos autores serem casal, sobre uma terrestre que se apaixona por um "arcturiano". Claro, os arcturianos são idênticos aos terrestres em tudo menos em dois ou três detalhes, um dos quais é fulcral para o desenlace da história: têm três sexos em vez dos nossos dois, e três sexos que nem sempre são o que parecem. O monumental disparate biológico de tudo isto é em parte compensado por uma história bastante bem construída, um quebrar de tabus típico da época (é um original de 1967) e um muito bom uso da linguagem, respeitado por uma boa tradução, tornando o conto razoável. É daqueles contos que quem der mais relevância à coerência científica irá odiar e quem atribuir primazia à construção de personagens ou aos aspectos formais do texto poderá adorar, especialmente se for menina.

E foi só isto. A gente vê-se em 2009.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Semana

Última semana de outono, e por cá continuou-se com o ramerrame do costume. Não há tempo para mais, e também não há grande vontade, que lá fora faz frio e às vezes até chove.

A tradução lá vai andando pela página 84. O saldo da semana foi, portanto, de 50 páginas, o que não é grande coisa (mas está dentro da margem de tolerância). Consequências de ser tradução herdada, dos glossários que me foram entregues serem uma bela treta e eu ter de andar para trás e para a frente a ver que termo usou o outro tradutor para isto ou para aquilo, e do próprio tipo de escrita, bastante densa e, a espaços, rebuscada. Enfim... espero que daqui a uma semana ou duas entre em velocidade de cruzeiro quando a coisa estiver melhor encaixada. Se isso acontecer, não deverá ser muito difícil ter as 260 páginas que faltam prontas lá por meados de Janeiro, como é suposto.

Quanto ao wiki, continuou a crescer, claro. Mas menos. Foram só 58 páginas novas, o que elevou o total até 15 256. Giro é estar mesmo, mesmo quase a atingir os 2 milhões de páginas vistas. Deve chegar lá hoje mesmo ou, no máximo, amanhã.

Leituras, houve três ficções curtas que chegaram ao fim, embora uma delas não seja tão curta como isso. E em inglês. Refiro-me a The Drive-in Puerto Rico, uma novela de Lucius Shepard que é basicamente uma história de realismo mágico passada numa república das bananas (fictícia) da América Central, e que acompanha um herói local, cuja função na vida é ser exibido em ocasiões sociais, e que se vai ver envolvido em problemas que giram à volta de um torcionário seu compatriota e de jornalistas americanos que querem divulgar certas histórias pouco edificantes. Está muito bem escrita, sim senhor, mas a verdade é que não foi história que me conseguisse tocar.

O que Vale é Bola na Rede é um conto de FC de César R. T. Silva que começa bastante bem, mas que acaba por cair em algo em que muitos dos outros contos do livro que o contém também caíram: em vez de nos mostrar os acontecimentos em primeira mão, digamos assim, põe o leitor a assistir a uma conversa em que uma personagem os conta a outra. Isto às vezes até resulta. Mas o mais frequente é que não resulte, e é esse o caso aqui. De metade para a frente, que é quando devia ir em crescendo, o conto basicamente perde o interesse. Resultado final? Fraco. O Cientista, de Octávio dos Santos, foi a terceira ficção curta lida nesta semana. É outro dos contos razoáveis do autor, no qual o cientista do título é um antigo investigador nazi, emigrado nos Estados Unidos, que recebe uma visita inquietante (mas, para ele, entusiasmante) vinda directamente do seu passado. Trata-se em essência de uma obra de história secreta. Nada de superlativo, mas com algum interesse.

E é isso. Dentro de sete dias ter-se-á passado mais uma semana, e haverá, certamente, mais coisas a dizer.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Semana

Esta foi feita de altos e baixos.

A frente laboral dividiu-se entre leituras e já o início da tradução do livro prioritário. Estão despachadas 34 páginas. Faltam 310, para o primeiro volume. O segundo tem 331. O outro livro não mexeu, o que quer dizer que continuam a faltar 311 para o fim. Ao todo, 952 páginas.

Se acham o número intimidante, pois fiquem sabendo que eu também acho, especialmente tendo em conta que os prazos são apertados. Mas não há-de ser nada. A coisa faz-se.

O wiki cresceu 110 páginas saltando para 15 198, um crescimento razoável mas que apesar disso em pouco reduziu o que falta fazer. Mas não há-de ser nada. A coisa faz-se.

E, claro, ao terminarem as leituras laborais voltou a haver tempo e disposição para as outras. Não li muito, que parte da semana ainda foi ocupada com as laborais, mais deu para terminar dois contos.

Biblioteca Virtual é uma bela história fantástica movida a internet, de Zoran Zivkovic, na qual um escritor recebe uma mensagem de spam cujas consequências o deixam estupefacto. Dizer mais é entregar a história, de modo que me calo. Muito bom. Muitíssimo pior é Uma Estrela vai Chocar com o Sol, de Edmond Hamilton, que tem tudo o que existe de pior na FC pulp, embora a vetusta idade desta noveleta sirva até certo ponto para atenuar-lhe a falta de qualidade: data de 1928. Mas mesmo assim... um sol que é desviado da sua rota através do espaço fazendo-o... aa... girar?! Viajar de um sistema estelar para outro é mudar de... aa... universo?! Wha?! São detalhes, é certo, mas são detalhes que servem de adequada apresentação a uma banalíssima história pulp de guerra espacial que não é lá porque envolve fazer sóis mudar de rota que se torna menos banal. Se calhar bem pelo contrário. Uma história que nunca foi boa e que envelheceu muito e muito mal.

Estão a ver o que eu queria dizer com os altos e baixos? Pois.

E por esta semana estamos conversados. Até à próxima.

sábado, 29 de novembro de 2008

Semana

Semana gira, esta. Parte do que a tornou gira está aqui escarrapachado em baixo, mas houve outras partes, mais ou menos com o mesmo sentido geral, de que não vale a pena estar aqui a falar.

Enfim...

Laboralmente, foi passada a saltitar entre a tradução de um livro e leituras prévias à tradução de outro, que tem prioridade. De modo que a tradução sofreu uma forte travagem. Vai na página 442, o que significa que a semana teve um saldo de 26 páginas e que faltam 311.

No wiki, ironicamente quanto baste, a semana foi produtiva, com 196 páginas novas que fizeram o total subir a 14 855.

Quanto a leituras, como acontece sempre que tenho leituras laborais a fazer, a leitura de lazer ficou muito reduzida. Acabei apenas um conto, Afrodite 2080, de Michel Demuth, um conto de ficção científica razoavelmente bom (e bem traduzido) sobre um náufrago espacial num planeta alienígena com uma ecologia bizarra, no meio duma guerra. De caras, o melhor conto do respectivo livro até agora.

E é só. Para a semana não deverá haver muito mais, afinal hei-de continuar com leituras laborais, mas alguma coisa haverá.

sábado, 22 de novembro de 2008

Semana

Aqui há tempos, tinha planeado, na minha inocência e optimismo, que esta semana seria o início dumas pequenas férias que seriam aproveitadas para fazer uma série de coisas que ando a adiar há um ror de tempo. Santa ilusão. Entretanto apareceu-me mais uma pilha de trabalho a fazer, e lá se foram as férias. Só a carteira é que agradece.

Sim, já acabei todo o trabalho com o último livro (a menos que me peçam mais alguma coisa, uma sinopse ou coisa que o valha), e já comecei a mexer num dos próximos. "Num dos próximos" porque os meses que se seguem vão ser gastos a saltar de livro em livro para conseguir cumprir prazos apertados. Já o fiz antes, e curiosamente na mesma altura do ano, entre o fim do ano passado e o princípio deste, de modo que não é nada de particularmente estranho e faz-se. Mas para já ainda só mexi num deles, a continuação do livro do Martin que acabei na semana passada. Vai na página 416, o que significa que faltam 337.

Ainda foi dando para mexer no wiki, e até de uma forma razoavelmente produtiva. As 115 páginas que foram acrescentadas nesta semana levaram o total a subir a 14 659.

E leu-se umas coisas. Leu-se Lorelei, um conto de FC de Jacqueline H. Osterrath, muito fraquinho e com uma tradução bastante deficiente, sobre um planeta aquático cuja biosfera muda radicalmente em 100 anos (!), e um explorador soltário com segredos que são calmamente aceites por quem os vai investigar. Coisas do amor. Em estrangeiro, li aquilo que era suposto ser uma crónica mas é na verdade um pequeno conto de FC humorística onde Paul di Filippo extrapola até ao absurdo uma iniciativa editorial real que, obviamente, achou ridícula: romances policiais nos quais algumas das pistas são dadas sob a forma de palavras cruzadas. Chama-se a coisa Games Writers Play, e é divertida.

Em português do Brasil, li Sob o Signo de Xoth, de Carlos Orsi Martinho, um conto lovecraftiano francamente bom, no qual se entrelaça o cthulhu mythos com a política corrupta de uma cidadezinha brasileira e suas ligações com a imprensa e clube de futebol local, num todo muito bem conseguido. E também li A Criança Prodígio, de Octávio dos Santos, que é o melhor conto dele que li até agora. Um conto bastante interessante, próximo do horror, com uma escrita mais capaz do que é hábito no autor, e um final bem conseguido, sobre, como o próprio título indica, uma criança prodígio, cujo desenvolvimento e destino é relatado por um investigador num relatório confidencial.

E foi só. Para a semana haverá mais.

sábado, 15 de novembro de 2008

Semana

Isto de arranjar maneiras originais para começar estas notas rotineiras sobre a semana que passou começa a tornar-se um desafio tão grande que qualquer dia dou por mim a falar do desafio que é arranjar maneiras originais para começ... ops. Tarde demais.

Bem, indo directamente ao que interessa, trabalhou-se. Terminou-se a revisão, fez-se um ficheiro com nomes geográficos, mandou-se tudo à editora, combinou-se algumas coisas para o futuro, e escolheu-se o extracto do próximo livro, que será entregue, provavelmente, na segunda-feira. E de trabalho é tudo.

No wiki, a semana não terá sido propriamente um prodígio de actividade, mas sempre mexeu um bocadinho, acabando com 68 páginas novas (e também uma série de correcções e acrescentos; nem tudo o que se faz no wiki é acrescentar material novo), o que sobe o total para 14 544.

E também se leu umas coisas.

Leu-se, por exemplo, O Homicídio, de Orlando Neves, um pequeno conto fantástico e irónico que se lê bem mas não é nada do outro mundo. Com este conto conclui-se a colectânea A Condecoração, que contém alguns contos muito bons e é em geral uma boa leitura, apesar de fraquejar um pouco para o final (o que, em meu entender, é sintoma de deficiente organização dos contos; o impacto de um livro de contos também depende da forma como começa e acaba). Mas está decididamente aprovado. Também se leu A Lenda do Motoqueiro Sem Cabeça, de Martha Argel, um conto de fantasmas contado por um taxista. É um conto bem concebido e competentemente escrito, mas prejudicado por se tornar previsível cedo demais (e, nisso, o facto de ser uma espécie de actualização de uma lenda antiga não ajuda). Com ele terminei o pequeno nº 6 do fanzine FicZine, e devo dizer que gostei dos dois contos que ele contém, em especial do primeiro.

Em estrangeiro, li The Sleeping Woman, de Robert Reed, um conto absolutamente maravilhoso, na fronteira entre o mainstream e o fantástico, que conta a história de um homem que um dia chega a casa do trabalho e encontra a mulher morta. Magnificamente escrito e estruturado, este conto (uma noveleta, na verdade) foi o melhor naco de prosa que li desde há muito tempo. Também li Footnote from the Official Guide to Time Travel, um pequeno poema de Robert Frazier que, em contraste, me deixou completamente "meh".

De volta ao português do Brasil, li Derby, de Marcello Simão Branco, um conto de FC no qual dois dos últimos fãs de bola que resistem num Brasil futuro assistem a um jogo e vão-no comentando por entre longos infodumps sobre como se foi dando a decadência da coisa. Muito mauzinho, infelizmente, tanto em termos de escrita como de estrutura. Igualmente mauzinho é Tesouros da Humanidade, de Octávio dos Santos, este escrito no nosso português. Trata-se de uma prédica, com uma situação cheia de detalhes aos quais não há suspensão da descrença que resista, e que ainda por cima se transforma de reunião de um tal Comité Central Cultural Mundial (que soa tão mal!) em conferência de imprensa sem que o autor pareça aperceber-se do facto ou importar-se com ele. A ideia? O CCCM estaria encarregue de determinar quais dos tesouros culturais da humanidade deviam ser encerrados numa espécie de arca de Noé para obviar à sua destruição... o que, noutras mãos, até podia dar um conto interessante. Não é o caso.

Mas a pior coisa que li esta semana foi O Sonho Mineral, de Nathalie Ch. Henneberg, um daqueles contos cheios de tralha new age que infestaram a FC numa certa época. Este comete a proeza de incluir um menu quase completo: pirâmides, cristais vivos e com poderes, os maias (subtilmente) as esculturas da Ilha de Páscoa, enfim, a família toda. A premissa básica é que Mercúrio explode sem motivo aparente, e pedras vivas provenientes de lá caem na Terra e subjugam a humanidade, facto que vai ser investigado por um viajante no tempo vindo do ano 2700. Para estragar o que já era mau, o conto é comprido (é uma noveleta) e está pessimamente traduzido. Brr! E ainda há quem fale mal da FC portuguesa actual.

E foi só isto. E não foi pouco, methinks.

sábado, 8 de novembro de 2008

Semana

Lá se foi mais uma, malta. A nossa Lua lá deu mais um quarto de volta em torno da Terra, e aqui estou eu uma vez mais a discorrer um bocadinho sobre a minha semana que passou.

Passou e deu para completar umas coisas. Acima de tudo, a tradução do próximo livro do Martin, claro. Está feita e meio revista, devendo ficar completamente revista dentro de alguns dias, após o que faltará apenas escolher um extracto para o próximo volume e traduzi-lo, preparar um ficheirito com os nomes do mapa que será incluído neste, mandar tudo à editora e receber o pagamento, que é sempre uma das partes agradáveis do trabalho.

No wiki, a semana não foi muito produtiva, com apenas 33 páginas novas que fizeram subir o total para 14 476, graças também a alguma ajuda externa.

E também houve uma série de coisas lidas.

Em estrangeiro, li Bazaar of the Bizarre, de Fritz Leiber, mais uma aventura do Fafhrd e do Rateiro Cinzento que desta vez os leva a confrontar-se com uma maligna instituição comercial que vende lixo magicamente disfarçado de preciosidades. Não pude deixar de sorrir com algumas associações que me vieram à cabeça. Ainda em estrangeiro, li OpenClose, de Terry Bisson, um conto de ficção científica muito curto e divertido (e assustador, também) sobre um homem que tem problemas com a IA do carro em plena zona de segurança de um aeroporto. Nada de superlativo, mas leu-se bem. Também li Something by the Sea, de Jeffrey Ford, uma fantasia surrealista e onírica, literariamente muito forte, mas que me deixou algo insatisfeito, com a sensação de haver ali muita forma e pouco conteúdo.

Em português, mas do Brasil, li Carta à Redação, de Braulio Tavares, outro conto epistolar sobre futebol que, não sendo mau, é ainda assim muito pior do que outras histórias do autor que já li. Este é história alternativa e consta de uma carta irritada de um leitor, que faz um apanhado de uma série de acontecimentos alo-histórico-futebolísticos e termina com a melhor parte do conto: o fim. Também história alternativa é Se Cortez Houvesse Vencido a Peleja de Cozumel, de Carla Cristina Pereira. Desta vez não estamos em presença de uma carta, mas de um artigo jornalístico ficcionado, no qual a jornalista realiza um exercício de reflexão histórica alternativa sobre quais poderiam ser as consequências de não se ter dado um acontecimento determinante na história do seu mundo. É um exercício bastante interessante, com uma história alternativa dentro da história alternativa, que foge ao facilitismo de dizer "ah, e tal, é como foi no nosso mundo", comum neste tipo de estrutura.

Em português de Portugal, li mais dois dos pequenos contos de Orlando Neves: O Feliz Parto, um continho insólito sobre uma mulher cujas sucessivas gravidezes redundam sempre em abortos, e Obsceno, o maior conto do livro, no qual um enviado do Vaticano comete um faux pas divertido num país de usos culturais muito peculiares. Ambos estão bem conseguidos, mas nenhum dos dois é tão bom como outros contos do livro. Também foram dois os contos lidos de Octávio dos Santos. Prisioneiro de Guerra é um conto de FC distópica sobre, claro, um prisioneiro numa guerra infindável. Francamente mau, quer literariamente, quer em termos de concepção e enredo. O Botão é bastante melhor: apesar de continuar a ter falhas ao nível da escrita, está razoavelmente bem concebido e tem um dos melhores finais que vi em contos deste autor. Também li A Vana, de Alain Dorémieux, uma história de amor de ficção científica entre um homem e o seu animal de estimação, que apesar de irracional e proveniente de um planeta distante é igualzinho a uma mulher. Gostei da construção do conto, gostei da linguagem, mas não gostei nada nem do absurdo biológico que contém nem do final moralista. Mediano menos, portanto. Por fim, de regresso ao português do Brasil, li Vanda Volta, Vingativa (tanto V), um conto de fantasmas de Giulia Moon que achei bastante bom, em particular na forma como consegue levar o leitor por caminhos enganadores.

E foi só isto. Até à semana que vem.

sábado, 1 de novembro de 2008

Semana

Olá cá estou eu, sete dias mais velho, sem brise nem contínuo. Foi uma semana algo atípica, pois na prática interrompi o trabalho durante um dia e tal para tratar de algumas coisas que queria resolver antes de Novembro.

Ainda assim, o livro está agora traduzido até à página 376, mais 46 do que na semana passada, faltando 14 para o fim. Durante a próxima semana será terminado, e começará a ser revisto, embora a revisão talvez só se conclua na outra semana a seguir. Seja como for, está quase.

No wiki mexeu-se, e o número de páginas é agora 14 443, o que quer dizer que a semana deu um lucro de 148. Ainda não terminou a transferência dos dados do antigo site estático para o wiki, mas está cada vez mais quase.

E também houve leituras e coisas que acabaram de ser lidas.

Terminei A Invenção de Leonardo, um romance de história alternativa de Paul J. McAuley que parte duma premissa instigante: e se Leonardo DaVinci tivesse dedicado a quase totalidade do seu génio à engenharia, levando a uma revolução industrial antecipada e deslocada da Inglaterra para Florença? Com este ponto de partida conseguir-se-iam escrever histórias magníficas, mas parece-me que não é o caso. McAuley vai pelo caminho mais fácil, montando uma teia de peripécias digna de um blockbuster de Hollywood, num excesso de fogo de artifício perfeitamente desnecessário. A tradução/revisão, cheia de gralhas, também não ajuda, e se não fosse a caracterização de uma Florença submersa, literal e figuradamente, nas invenções de Leonardo, que realmente está muitíssimo bem feita, a opinião sobre o livro seria má. Essa caracterização é o que acaba por, apesar de tudo, tornar a leitura interessante, embora aqueles que se pelam por livros que não páram um segundo, façam ou não sentido, tenham certamente opinião diferente da minha.

Também li A Minha Querida Pátria, Jogo do Botão, Rifão de Fernão Tanoeiro e Chamada Geral, quatro poemas de Mário-Henrique Leiria, dos quais não gostei lá muito. São os últimos textos da colectânea Novos Contos do Gin, livro repleto de brilhantismo, com uma série de mini-contos, vinhetas e contos curtos muitíssimo bons, exemplares até, e também com poemas que, em geral, me pareceram bastante piores. Se alguém me perguntasse, aconselharia vivamente a leitura, avisando, porém, que é bom manter presente a época em que foi sendo escrito: os últimos estertores da ditadura. Muitos dos contos do MHL ganham toda uma nova profundidade se nos lembrarmos desse facto.

Quanto a outras leituras, li O Rude Esporte Humano, conto de ficção científica de Adriana Simon e Gerson Lodi-Ribeiro, e não gostei. Um conto muito fraquinho, ocupado em grande parte por um imenso infodump, e que parece deixar demasiados pontos de fragilidade lógica em toda a situação que descreve. Lodi-Ribeiro é um escritor com provas dadas, mas aqui não esteve bem. Este terá sido mesmo o pior conto com participação sua que eu li até agora. Também li A Redução, mais um dos pequenos contos de Orlando Neves, entre o horror, o fantástico e o surrealismo. Aqui vamos encontrar uma gravidez anormal, e, embora outros contos do livro sejam melhores, este também não é mau. Em estrangeiro, li The Price of Pain-Ease de Fritz Leiber, um conto curioso que não é apenas mais uma aventura do Fafhrd e do Rateiro Cinzento, mas vai para lá disso. Por fim, li A Dama da Chuva, de Octávio dos Santos, um conto de fantasmas fracote, muito prejudicado por se tornar previsível desde a primeira página. Misericordiosamente, só tem três.

E pronto. Para a semana há mais.

sábado, 18 de outubro de 2008

Semana

Melhorzinha. Foi melhorzinha. Mas esteve longe de ser boa. A martelada e berbequinada só se calou na sexta-feira, de modo que só esse dia e os do fim de semana foram realmente livres de ruídos intrusivos e persistentes. Por outro lado, o martelo pneumático ficou-se pela semana passada, e para fazer um pneumático são precisos uns dez normais. O martelo pneumático (e a britadeira) é a mais maligna maquineta já inventada.

De modo que foi melhorzinho. O livro vai na página 280, o que quer dizer que avançou 50. Não é o que traduziria numa semana normal, mas não anda muito longe. Faltam 110. E claro que estou bastante atrasado relativamente ao plano, mas como o plano desta vez tinha boa folga não há grande crise. Se as coisas voltarem ao normal.

Com a prioridade completamente posta em não deixar que a tradução se atrase demasiado, o wiki teve de ser posto em stand-by (a verdade é que até o email ficou por ler. Tenho quase uma semana de email à espera de melhores dias), e só subiu 6 páginas, graças fundamentalmente a uma ajuda externa. Está em 14 263.

Mas li e acabei coisas. Dois livros e uma listinha de contos.

Terminei A Conspiração dos Antepassados, de David Soares, um romance fantástico que explora a relação entre Fernando Pessoa e Aleister Crawley. O livro é bastante bom, muito melhor do que Os Ossos do Arco-Íris e também melhor do que As Trevas Fantásticas, as duas colectâneas do David que li. Mas tive um problema com ele: é que o tema não me desperta o mínimo interesse. Nem o mais mínimo. De modo que a leitura arrastou-se ao longo de muitos meses. Mas quem tiver mais tolerância do que eu por rosacrucianismos, alquimias, astrologias, e demais pregos na inteligência, leia, que irá gostar. O livro é bom.

Também li O Ano de 1993, um livro bizarro de José Saramago que parece que é geralmente considerado um livro de poemas, mas que a mim mais parece uma pequena novela de ficção científica distópica, escrita com grandes preocupações formais. Não me agradou o tom quase ludita com que se faz o contraponto entre o homem e a máquina, e certamente que este livro não é o melhor Saramago (data de 1975, uns aninhos antes de toda a qualidade do escritor literalmente rebentar por todo o lado), mas achei curioso o modo impressionista de contar uma história que ali acontece, a léguas da linearidade da escrita que se costuma aplicar na FC. O termo que melhor o descreve é curioso. É um exercício literário curioso que, estou certo, seria completamente odiado pela maior parte dos rapazes da FC, caso se dessem ao trabalho de o ler. Uma questão de curiosidade, suponho...

Para além dos livros, li mais uns contitos. Li Eu Matei Paolo Rossi, de Octavio Aragão, o conto inaugural da Intempol que relata o modo como um fanático brasileiro da bola se vê metido numa confusão diabólica e acaba a matar o jogador italiano, fazendo assim com que seja o Brasil a conquistar o campeonato do mundo de 1982. É um bom conto, um dos melhores do Octavio, e um conto fulcral da FC brasileira da última década. Mas seria melhor sem aquele irritante "Intempol®" que aparece bastante no fim, e com uma revisão que lhe removesse um ponto por volta dos 2/3 em que o ritmo é prejudicado por umas informações que em nada contribuem para a história. Ah, e "pesos espanhóis", Octávio?! Também li O Telefone, de Orlando Neves, um conto fantástico em que a personagem telefona (obviamente) e do lado de lá lhe responde alguém demasiado parecido consigo mesmo. Deste não gostei muito: achei-o demasiado previsível. Em estrangeiro, li Claws From the Night, de Fritz Leiber, um conto em que Fafhrd e o Rateiro Cinzento vão defrontar um bando de corvos ladrões. Também li A Floresta, de Octávio dos Santos, mais um continho demasiado óbvio, desta vez sobre uma floresta que se defende dos ataques ambientais que vai sofrendo. Muito fracote. E por fim, do Mário-Henrique Leiria li só um poemita, Que Bom, que como é hábito não me pareceu tão... ah... bom como as prosas.

E foi só isto. Para a semana terei, talvez, mais alguns contos lidos, estarei a cerca de 50 páginas do fim da tradução e haverá mais umas dezenas de páginas no Bibliowiki. Agora vamos a ver se esta zandinguice se cumpre.

domingo, 5 de outubro de 2008

Semana

Uma semana de pouco trabalho, para variar, composta com uma ida a Lisboa para passear (sim, porque este ano, ao contrário do que tem sido hábito, não apresentei nem debati nada) pelo Fórum Fantástico, encurtada por uns problemas que apareceram aqui na base operacional. Nada de sério, mas só o soube (embora já suspeitasse) quando cá cheguei.

O pouco trabalho reflecte-se nos números. O livro está na página 210, o que significa um crescimento de apenas 32 desde a semana passada. Mas já passou de meio: faltam 180.

O wiki, embora lhe tenha acrescentado umas coisas em Lisboa (isto antes da porcaria das actualizações da m**da do Vista me terem comido toda a largura de banda), subiu só para 14 243 páginas, o que dá 74 novidades. Não é mau, mas é bastante menos do que tem sido regra em semanas anteriores.

Quanto a leituras, li Santos F. C., um pequeno conto epistolar de Ivan Carlos Regina, que achei demasiado fanzinesco para uma antologia profissional, seja em elaboração, seja em estrutura e no uso do português. Fracote. Li também vários dos pequenos contos de Orlando Neves: O Espelho é uma variação bem concebida daquelas histórias em que o espelho não se comporta exactamente como é suposto. As Luvas é um conto subversivo sobre um presidente arrivista de que não gostei grandemente: a comparação com Mário-Henrique Leiria é inevitável, e neste tipo de conto, o Mário-Henrique é imbatível. A Mãe é um conto fantástico e bastante bom sobre um homem de meia-idade que se vê de súbito transplantado para a infância. A Fuga é um conto brilhante, entre o surrealista e o horror, sobre um condenado que foge da prisão de uma forma inédita. O Comboio é surrealismo puro, mas não gostei muito: pareceu-me que a ideia exigia um texto maior, talvez com o dobro ou o triplo da extensão. Finalmente, Os Destroços, é um excelente conto de fantasmas, em que o horror (embora bem-humorado) se exerce não sobre quem os vê, como o cliché manda, mas sim sobre o próprio fantasma. O bando de contos de Orlando Neves foi acompanhado por outro bando de contos (maiores) de Fritz Leiber, todos, naturalmente, em estrangeiro: The Bleak Shore leva os heróis, Fafhrd e Rateiro Cinzento, a uma misteriosa terra do outro lado do mar. The Howling Tower continua por paragens distantes, e desta feita os heróis têm de decifrar o mistério de uma torre que uiva. Regressando a casa, os heróis vão deparar com The Sunken Land, uma espécie de Atlântida de Nehwon. E em The Seven Black Priests os dois roubam algo de sagrado e vão sendo perseguidos por todo o Canto Gélido por sacerdotes com sede de sangue.

E foi só isto. Para a semana haverá mais, de novo ao sábado.

sábado, 27 de setembro de 2008

Semana

Eis que chega ao fim mais uma semana, na qual, além de ser enfiado à força numa polémica que não me dizia respeito (há por aí uns tipos que não vos digo nem vos conto...), fiz coisas bem mais úteis, a saber:

Trabalhei. O livro está agora traduzido até à página 178, mais 50 do que na semana passada. Faltam portanto 212, e o plano de chegar ao fim de Setembro com, no mínimo, metade da tradução feita vai ser cumprido.

Wikibuli (palavra nova. Atenção, senhores dos dicionários). O wiki soma agora 14 169 páginas, mais 122 do que há uma semana, curiosamente tantas novidades quantas tinha havido na semana anterior. Crescimento mais estável do que isto é impossível.

E li. Foi mais uma semana que passei principalmente com coisas grandes, que não acabei, mas também li (e acabei, claro) uns quantos contos. Li Perseguição, de Octávio dos Santos, outro dos contos razoavelmente bem conseguidos deste autor, sobre um homem que se vê mergulhado num pesadelo de perseguições sucessivas. Um conto onírico com a sua força. Na verdade, a este trabalho só faltaria um maior polimento de escrita para ser um bom conto. Também li Liberdade em Segurança, do Mário-Henrique Leiria, um pequeno conto insólito sobre um julgamento sui generis em estado policial. Também do MHL, li Manifestação de Apoio, conto sobre aquilo que acontece quando o primeiro-ministro vai agradecer a manifestação espontânea de apoio e... perde o apoio. Apenas a Lua é um conto algo poético (e terrível) sobre a impossibilidade de amor em tempo de guerra. A Crise Económica é um conto com fortes toques de horror sobre uma família carnívora que, em tempos de crise económica, recebe um general para o jantar. E ainda do Mário-Henrique Leiria, li Um Dia na Vida de Etelvino, conto de distopia política futurista em que reverbera algo de Orwell, mas claro que a iconoclastia e humor característicos do Mário-Henrique predominam. Tudo muito bom. MHL devia ser ensinado nas escolas. Por fim, li, em estrangeiro, A Democracy of Trolls, de Charles Coleman Finlay, uma magnífica novela sobre a vida de uma mãe ogre que adopta um bebé humano depois de perder o seu filho. E apesar de meter ogres, não me parece que seja um conto de fantasia, mas de ficção científica. Lendo-o percebe-se, especialmente se se tiver algum conhecimento sobre os comportamentos dos nossos primos antropóides. Excelente.

E é só. Para a semana haverá mais, embora provavelmente não ao sábado. É que, se tudo correr bem, sábado deverei estar em Lisboa, no Fórum Fantástico. Apareçam por lá.

sábado, 13 de setembro de 2008

Semana

Uma semana meio shitty, esta. Faz parte. Têm de haver semanas merdosas para se dar valor às que não o são.

Não que a sua condição acastanhada tenha tido grande impacto naquilo que aqui nos traz. O livro vai avançando em ritmo seguro e está agora na página 64, mais 52 do que há uma semana, mas relembro que estas são maiores do que as outras: enquanto que no último cada dez páginas de livro equivaliam a cerca de oito na tradução, neste a média até agora parece ser um pouco mais de 11 páginas de tradução por cada 10 de livro.

O wiki subiu até às 13 925 páginas, incluindo uma pequena ajuda, o que significa que o lucro da semana foi de 153. Não está mal.

As leituras foram, como é meu hábito, múltiplas e variadas.

Li Beijar-se em Castel Porziano da italiana Romana Petri, um conto mainstream sobre uma história de amor na terceira idade. Ternurento, mas decididamente não é esta a minha praia. O conto aborreceu-me bastante, apesar de ser curto. O principal problema das histórias cheias de bons sentimentos é serem tão absolutamente previsíveis, e esta não foi excepção. Com ela terminei a antologia Dois Mil e Quatro, uma edição da Cavalo de Ferro que reúne uma mistura heterogénea de contos e poemas, autores e tradutores. Tanta heterogeneidade tem vantagens (nunca se sabe o que nos espera ao virar a página), mas também tem desvantagens (uns contos francamente bons, outros bem fraquinhos; umas traduções francamente boas, outras francamente más, etc.). Neste livro gostei particularmente de descobrir o argentino Santiago Dabove e os romenos Urmuz e Bakonsky.

Também li O Sr. Sperling Desinfesta, um conto fantástico de Haskell Barkin sobre um tipo que tem fobia aos insectos e resolve desinfestar a casa, com consequências graves e muito imprevistas. Não gostei por aí além, devo dizer. Com ele, terminei o nº 2 do Magazine do Fantástico e Ficção Científica, breve tentativa de editar em Portugal o Magazine of Fantasy and Science Fiction, não se sabe bem quando mas tem todo o ar de ter sido nos anos 70. Este número tem alguns bons contos, mas a tradução é horrenda, e a própria edição deixa muito a desejar, com erros de paginação a dar com um pau. Não admira que não tenha vingado. Assim, de facto, é difícil.

Li também 2010 - O Ano em que Faremos Contrato, de Fábio Fernandes, uma tentativa bastante desastrada de ter piada. A ideia-base idiota (extraterrestes que chegam à Terra e se oferecem para trocar tecnologia por... um jogo de futebol) tem desculpa por o conto ser humorístico, visto que ideias idiotas dão frequentemente boa comédia, a previsibilidade do "final surpresa" tem menos mas enfim, também se perdoa, mas o que não se perdoa é a péssima estruturação do conto, que começa por ser assumidamente um conjunto de respostas a uma entrevista, para depois passar a narração simples sem motivo aparente. Nem o facto de não ter piada. Mau, francamente mau. Bem melhor é Craque na Família, de Ataíde Tartari, um conto bem contado sobre um pai que quer à viva força transformar o filho num ás da bola, e depara com algo de que não estava à espera. Nada mais digo; ir descobrindo o que se passa é metade do conto. Também li Os Pés, de Orlando Neves, mais um conto insólito e algo macabro sobre um homem que meteu na cabeça que iria arranjar maneira de se ver todo ao mesmo tempo. Bastante bom. Thieves' House, de Fritz Leiber, foi a leitura "em estrangeiro" da semana, outro conto com um forte odor a Howard. Li ainda Interrogatório, de Octávio dos Santos, até que enfim um conto razoavelmente bem conseguido deste autor, sobre um homem que é ferozmente interrogado e não sabe porquê. Provavelmente o melhor conto do livro até agora. E para rematar, li Separata Gratuita, de Mário-Henrique Leiria, um conto sobre "o que aconteceria se o arcebispo de Beja fosse ao Porto e dissesse que era Napoleão". Divertidíssimo, e para mim mais divertido ainda porque me aconteceu uma história muito parecida à que o Mário-Henrique descreve. Talvez um dia a conte por aí.

E foi só. Já podes sorrir, Cristina.

sábado, 6 de setembro de 2008

Semana

Pois é: estamos todos uma semana mais velhos.

E a minha deixou-me mais velho do que uma semana: as férias chegaram ao fim. Pois, já acabei de ler o livro e reatei o trabalho, e estou naquela fase em que é preciso dar muito à manivela até voltar ao ritmo. É difícil voltar ao ritmo, mesmo depois de umas férias só de alguns dias. Parece que o cérebro desliga, que perde ligações, que as sinapses suspiram de alívio e adormecem sem planos de voltar a acordar. Voltar a pôr tudo em movimento custa tempo e esforço. Acho esta nossa (ou será só minha?) característica um pouco bizarra, francamente.

Mas a verdade é que só depois de me tornar profissional da tradução, obrigado a prazos e a executar um x de trabalho num y de tempo, é que compreendi como é verdadeira a velha máxima que aconselha a quem quer fazer vida de escrever a fazê-lo todos os dias, sem excepção. Preguiçar tem custos maiores do que simplesmente o tempo que se leva de papo para o ar.

Mas adiante.

O livro vai na página 12. São páginas maiores do que as dos outros, porque agora não estou a traduzir a partir de um paperback, mas sim de um hardback. Ao todo, os dois volumes em português, ocupam no original 755 destas páginas, incluindo uma extensão enorme de anexos. Só faltam 743. Tá quase. É um tirinho. Heh!

O wiki mexeu e subiu às 13 772 páginas, uma boa subida de 191 desde a semana passada.

Quanto a leituras, além do livro para traduzir, li Lenda, um conto de FC de João Aniceto sobre a visão alienígena sobre os restos deixados por uma humanidade extinta. Leitura desagradável: muito banal e com a velha falha básica de concepção, tão comum em escritores que não pensam bem sobre as histórias que escrevem: se nem os terrestres são capazes de decifrar restos escritos deixados pela sua própria espécie, a menos que tenham uma pedra de roseta qualquer, como diabo irá uma espécie extraterrestre fazê-lo, com a sua psicologia necessariamente diferente e um conjunto de tradições culturais que nada terão em comum com as nossas? Bah! Este conto remata o livro A Lenda, colectânea de contos que vão do bom ao francamente mau, mas que normalmente andam entre o interessante e o medíocre.

Além disso, li também O Asseio, um conto muito pequeno de Orlando Neves que consegue a proeza de ser ao mesmo tempo surrealista, macabro e divertidíssimo. Digo-vos apenas que é sobre um nariz. Isso mesmo: um nariz. Muito bom. Em estrangeiro, li The Jewels in the Forest, de Fritz Leiber, mais uma aventura de Fafhrd e do Rateiro Cinzento, esta com um forte odor a Conan. Também li Mortimer Snodgrass Tartaruga de Jack C. Haldeman, uma fábula humorística de que não gostei por aí além. E li Metade, um continho mundano e banal de Octávio dos Santos, com um leve toque insólito, sobre o divórcio. Nada de transcendente, longe disso.

E foi só. Dentro de sete dias há mais.

sábado, 30 de agosto de 2008

Semana

Aaaaah! Férias!

Ou quase. Ainda houve umas coisinhas a rematar. E o próximo livro continua em leitura, ainda que em ritmo de passeio e de leitura de prazer. Mas de resto, descanso. Necessário e, acho, merecido.

O wiki também anda calmo, e subiu até 13 581 artigos, mais 78 do que há uma semana, em parte graças a uma ajudinha.

Quanto a (outras) leituras, li Savant Songs, de Brenda Cooper, um conto bastante bom sobre uma história de amor entre um físico e a sua orientadora autista e universos paralelos. Com esta premissa talvez surpreenda se eu disser que se trata de ficção científica dura. Mas trata. E com este conto terminei a Year's Best SF 10, antologia organizada por David G. Hartwell e Kathryn Cramer, um livro que apesar de alguns baixos é em geral muito bom e inclui algumas historias magníficas.

Li também Aurélio, um conto do húngaro Dezsö Kosztolányi passado em pleno Império Romano, sobre aquilo que os homens civilizados procuram nos militares, e não gostei particularmente. Achei o conto um bocado simplório e a tradução fraquinha, especialmente no início. E li um continho de duas linhas do Mário-Henrique Leiria, Contabilidade Final, que comprova que a literatura SMS já existia antes do SMS. Pouca coisa, que a prioridade é o Martin. E o descanso.

sábado, 23 de agosto de 2008

Semana

Uma semana de semi-descanso, com alguns dias de descanso completo. Mas ainda tive de trabalhar um pouco: lendo o próximo livro, tentando encontrar um bom ponto para o separar em dois (está difícil) e traduzindo o extracto.

No wiki é que a semana foi proveitosa, com o total de páginas a subir a 13 503, mais 163 do que na semana passada.

Também deu tempo para ler outras coisas. Li três contos de Orlando Neves: O Homem Apressado, um conto surrealista com toques de horror sobre um homem que se vai devorando aos poucos; Um Bom Pai, outro conto com toques de horror sobre o regresso a casa de um pai de família psicologicamente pouco estável; A Sombra, um conto fantástico sobre a morte. Todos bem conseguidos. Em "estrangeiro", li The Circle Curse, de Fritz Leiber, um conto de fantasia da série do Fafhrd e Rateiro Cinzento. Também li O Stutzman Voador, um conto de fantasia com toques de horror de Neal Barrett, Jr., acerca de um viajante que se vê apanhado num ciclo infinito de viagens aéreas do qual não consegue sair, e que seria bastante interessante se não estivesse tão mal traduzido. Por fim, li Ao Vivo, e Morto Também, um conto francamente mau de Octávio dos Santos, que começa por parecer uma sátira à reality-TV, mas rapidamente descamba numa espécie de discurso juvenil do autor sobre aquilo que acha estar mal no nosso mundo.

Até para a semana.

sábado, 16 de agosto de 2008

Semana

Ora vivam, caros semanófilos.

Esta semana, além de combater uma valente carraspana, daquelas que não chegam propriamente a gripe mas dão febre e dor de cabeça na mesma, acabei de rever o próximo volume do Martin, e mandei-o para o editor. O extracto do próximo também já está escolhido, resta apenas traduzi-lo, e o trabalho para este volume termina. Vão ser de novo mais de 500 páginas, e umas 500 páginas muito, muito boas. Espero que a tradução lhes faça justiça.

Do lado do Bibliowiki é que, pelo contrário, as coisas mexeram muito pouco. A semana termina com apenas 6 páginas novas, subindo o total para 13 340.

Quanto a leituras, acabei dois livros. Os Guerreiros de Madrugada de M. A. Foster, é um romance razoável de ficção científica, cheio de boas ideias mas com uma execução pobre (Foster parece ter-se apaixonado pelos seus pós-humanos ler, e infodumpa violentamente acerca deles) e estragado por uma certa atmosfera new age perfeitamente dispensável. O Lobisomem, de Virgínia de Castro e Almeida, é um conto fantástico que tem como principal motivo de interesse o facto de nos apresentar uma versão do mito do lobisomem tal como ele existe (existia?) em Portugal, sem contaminações anglo-saxónicas.

Além dos livros, li também alguns contos. Outono, de João Aniceto, é um conto de ficção científica sobre a solidão, cujo protagonista "naufraga" num planeta habitado por alienígenas que recusam contacto com os humanos. A premissa pode dar coisas boas, mas não neste caso: o conto é muito fraquinho, dos piores contos do Aniceto. Silvervit e Lillvacker, do sueco Fridtjuv Berg, é uma fábula típica, na qual a dupla de protagonistas gémeos consegue mais coisas boas do que o que desejou devido à bondade dos seus corações. Já passei da idade, mas reconheço um bom conto infantil quando o vejo. Em estrangeiro, li The Eckener Alternative, de James L. Cambias, um conto de FC sobre viagem no tempo, no qual o protagonista desata a mudar a história porque gostava de zepelins e os queria salvar. Pois, é pateta. Imagino que quem goste tanto de zepelins como o protagonista goste muito do conto, mas não é o meu caso. Por fim, Semântica, do Mário-Henrique Leiria, um pequenino conto de ficção científica no qual um extraterrestre tenta comunicar e acaba por ter de despachar um autoritariozinho, como, aliás, é frequente acontecer nos contos do MHL. Delicioso.

E foi só. Para a semana haverá mais.

sábado, 26 de julho de 2008

Semana

Outra semana de muito trabalho e sem grande coisa a mencionar além do trabalho. Este, no entanto, aproxima-se do fim, de tal maneira que por aqui se começa já a pensar em descompressão. E, a propósito de descompressão, na segunda-feira vai haver novidades. Não se esqueçam de dar cá um saltinho na segunda. Acho que vão gostar da ideia.

Mas falemos do trabalho. O livro saltou até à página 1032, ou seja, foram despachadas mais 66. Com 96 pela frente, tenho mais semana e meia de trabalho e uma revisão à minha espera. Ou seja: o prazo será garantidamente cumprido. Descompressão é isto.

O wiki também esteve activo, embora desta vez sem ajudas. Mesmo assim, tem agora mais 141 páginas, um problema técnico resolvido (embora não propriamente a meu gosto, mas enfim) e um total de 13 217 páginas.

As leituras desta semana focaram-se principalmente em textos longos, o que não significa que não tenha lido contos. Ou conto. Li O Natal, de Orlando Neves, um pequeno conto algo surrealista sobre a inversão de papéis humano/não-humano. Bastante bem construído. Maiorzita é a novela Desencontro em Lankhmar de Fritz Leiber, uma fantasia vencedora de vários prémios que conta como se encontrou a dupla Fafhrd e Rateiro Cinzento e as peripécias, aventuras e desastres que esse encontro desencadeou. E com esta novela fechei o livro apropriadamente intitulado O Encontro. Fora isso, andei a passear-me por romances.

E não se esqueçam: segunda-feira.

sábado, 19 de julho de 2008

Semana

Mais uma semana de luta, na labuta.

OK, esqueçam. Muito trabalho dá nisto.

E também em 72 páginas a acrescentar à pilha das já traduzidas e a subtrair das por traduzir. O livro vai, pois, na página 966, e ainda faltam 162. A parte que falta ainda dava um romance dos da Argonauta...

No wiki a semana foi calma, o que significa que cresceu pouco. Tem agora 13 076 artigos, mas 40 do que na semana passada. Se não der um salto valente nas próximas duas semanas (e é provável que não dê), este vai ser outro mês fraco.

Quanto a leituras, foram lidos alguns contos. O Senhor da Terra, de David Garnett, uma sátira de fantasia razoavelmente divertida (que a tradução se esforça por estragar) sobre um mago de um mundo paralelo que se apanha de repente nos EUA da era hippie. Nada de especial, mas leu-se bem. Pânico, de Octávio dos Santos, um continho inconsequente que tenta ser insólito mas não consegue. Muito fraquito. Imenso Adeus, de João Aniceto, um conto de ficção científica sobre o que significa partir para as estrelas. Literariamente melhor do que é hábito neste autor, o suficiente para o tornar razoável. Li também uma série de sonetos da Sor Juana Inés de la Cruz, poetisa e freira mexicana, uma espécie de Mariana Alcoforado lá do sítio, e O Testamento de Heiligenstadt, texto breve de Beethoven (sim, o compositor) em que ele dá largas ao desespero que lhe causou o ensurdecimento. Em "estrangeiro", li Strood, de Neal Asher, um conto curioso de FC sobre o modo como um doente terminal de cancro tem a maior surpresa da sua vida. Bom, apesar de só no fim ter chegado a essa conclusão. E li várias coisas do Mário-Henrique Leiria: Teobaldo, o Meu Amigo, um conto de vampiros bem esgalhado; As Portas, um daqueles contos de ciclo, e muito bem feito, por sinal, que a FC nos trouxe em grande quantidade numa dada época; O Repouso do Guerreiro, continho que pisca o olho à Ilha do Dr. Moreau do Wells; A Praia, mais um conto de ciclo, este não tão bom como o das portas; Anfibiologia, uma pequena perolazinha anedótica; Basta!, um poema irritado de que não gostei lá muito, o que aliás é comum acontecer-me com os poemas do MHL. Mas tirando o poema, tudo muito bom.

Pratinho cheio, portanto. Na semana passada avisei que ficava para esta, não foi? Os avisos são para se cumprir.

sábado, 5 de julho de 2008

Semana

Semana incomum, esta. Em vez de estar fechado em casa a trabalhar, como é hábito, dei um salto à capital do império para socializar um pouco com uma série de gente, em especial com o americano que escreve os gigantescos livros que tenho vindo a traduzir ao longo do último ano. Um tipo porreiro, o nosso amigo George R. R. Martin. E a nossa conversa em público, na FNAC, parece ter corrido bem, apesar dos meus gaguejos.

Não, não sou gago: tinha dormido 3 horas na noite anterior...

Se descobrir alguém que tenha tirado fotos e conseguir autorização, hei-de mostrar uma aqui.

Consequências para o trabalho? Óbvio: com a ida a Lisboa, os preparativos da ida a Lisboa e o regresso de Lisboa, atrasou. O avanço foi só de 16 páginas, para a 824ª. Faltam 304.

No wiki também pouco mexi, mas como houve quem mexesse (e duas pessoas, no less!), subiu para as 12 924 páginas, mais 11 do que há uma semana.

Quanto a leituras, enquanto estive em Lisboa li um livro bastante estranho intitulado Fadas Láureas, uma compilação de historietas (e algumas não-historietas) de uma página inspiradas por ilustrações de "pornofantasia" do Luís Louro, cheias de fadas lúbricas, faunos perversos, folhas mortas, orquídeas e cogumelos. Pena é as histórias, com duas ou três honrosas excepções, estarem muito longe de acompanhar a qualidade das ilustrações. Mas também... com autores como o João Baião...

À parte esse livro, limitei-me a dar um avanço nos dois romances que tenho actualmente entre mãos.

sábado, 28 de junho de 2008

Semana

Lá se foi mais um quarto de rotação da Lua em volta do nosso planetazinho azul, verde e ocre. E aqui neste seu canto fez-se uma série de coisas, incluindo:

Traduzir. O livro vai na página 808, o que não dá um avanço de 82 porque deixou de haver coisas traduzidas mais para diante. Faltam 320, e o plano não tem nem atrasos nem adiantamentos.

No wiki não mexi mas houve quem mexesse, de modo que há por lá mais 3 páginas: 12 913.

Ler. Nos intervalos de um par de histórias maiores fui lendo uns contos: O Carteiro, de Orlando Neves, um continho insólito, ainda que desta vez não muito macabro, sobre um carteiro sem vida própria; O Graal Profano, de Fritz Leiber, conto de fantasia que conta como o Rateiro Cinzento foi forçado a fugir para se ir encontrar com o Fafhrd; O Cão Verde, de Mel Gilden, conto de FC (ou será fantasia com disfarce?) sobre um tipo banal que encontra um cão verde. Os teóricos da "ideia", estou certo, odiariam este conto. A ideia realmente é parvinha. Mas para mim isso pouca importância teria se estivesse bem concretizada, bem traduzida e bem editada, o que não está. Caminhos de Ferro, de Octávio dos Santos, um conto distópico próximo à FC sobre viagens suburbanas de comboio. Faz lembrar alguns contos do Barreiros, o que não é uma boa coisa, porque os do Barreiros são muito, muito melhores. Mas muito melhores. E Visitantes, do João Aniceto, um conto de FC passado num futuro longínquo em que a Terra está despovoada e entregue a grupos conservadores e conformistas, periodicamente visitados por descendentes dos que partiram para o espaço. Interessante. Um dos mais interessantes contos do Aniceto.