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domingo, 3 de agosto de 2014

Tuitos da semana

Se me lembrar, vou passar a fazer isto: uma compilação dos tuitos da semana anterior que, ao relê-los, não me parecerem inteiramente parvos ou irrelevantes. Talvez com algumas alterações, para expandir as abreviaturas tuiteiras, explanar melhor uma ideia ou piada ou juntar num só parágrafo vários tuitos sobre o mesmo tema. Se calhar devia chamar a isto "retuitos" em vez de só "tuitos." É caso para pensar. Se me lembrar.

Acham bem?

Então cá vai a compilação da semana que acaba hoje:
Reiterando algo que já disse uma vez — Caros sites que pedem likes ou têm nagscreens antes de mostrar conteúdo: encham-se de varejeiras.
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O êxito dos oquestrada é para mim um dos grandes mistérios do universo.
——
Uma União Europeia que aceita calmamente isto é uma União Europeia a que eu recuso pertencer.
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Se isto é verdade (Observador = pé atrás), o papel do Brasil na entrada do Obiang foi perfeitamente vergonhoso. Já agora: que raio interessa que um documento venha escrito em Comic Sans, em Garamond ou em Helvetica?! Que coisa mais parva.
——
Pelos cabelos quando as pessoas dizem "os partidos", referindo-se exclusivamente a coisas feitas por PS e PSD.
——
Continua, Israel. Ainda não convenceste toda a gente de que o melhor é riscar-te do mapa, mas lá chegarás.
——
Não há uma tenda grande o suficiente para cobrir a Madeira? É que circo já existe, só falta mesmo a tenda.
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Os brasileiros (e em especial as brasileiras) têm uma relação de amor com a palavra "super".
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Nunca deixarei de me surpreender com a estupidez humana. Nem de me deprimir com ela.
——
A princípio disseram que o cometa da Rosetta era um patinho de borracha. Não é: é uma bota.
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E lá vamos nós para a nacionalização dos prejuízos e manutenção em mãos privadas de tudo o que dá lucro. Tão bom. E depois "o Estado é mau gestor." Pois.
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Ideia para um programa de TV: um Shark Tank tuga, com Oliveira e Costa, Ricardo Salgado, Jardim Gonçalves e João Rendeiro. Ia ser tãlindo ver os liberaloides todos a apresentar ideias de negócio aos mestres!
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Olhem uma lei fixe: "Empresa que tenha de ser nacionalizada só será privatizada depois de dar lucros ao Estado dez vezes superiores ao que custou." Sim, que o que se preparam para fazer ao BES é simplesmente pornográfico.
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Coisas como o BPN e o BES continuarão a acontecer enquanto o Estado meter dinheiro e deixar as empresas voltar alegremente a mãos privadas. Coisas como o BPN e o BES continuarão a acontecer enquanto não se perceber que empresas demasiado grandes para falir devem ser públicas. E pelos mesmos motivos, os monopólios naturais também devem ser públicos. Sempre. Até porque um Estado financiado por mais-valias é um Estado que precisa de cobrar menos impostos para o mesmo nível de despesa.
——
Para que se perceba bem o que é a banca hoje em dia.
——
Normalmente não leio BD, mas quando leio, ela é brilhante!
——
Diz que o BES vai passar a ter um só acionista — uma empresa cujo capital é, em parte, dinheiro pelo qual o Estado está a pagar juros. Mas não, não é uma nacionalização. Nacionalizações são coisas malignas que só os comunistas fazem. E o Sócrates.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A minha nota de rodapé nas ciências astronómicas

Quem topar por um improvável acaso com este minúsculo cantinho da vasta internet e, em vez de se ir imediatamente embora, passar os olhos pela longa lista de apelidos que lá se encontra, é possível que repare que perdido no meio daquele matagal de letras se podem ler as seguintes: "J. Candeias."

Sim, sou eu.

Para quem olha para ali e não percebe do que se trata, eu explico. É a publicação científica respeitante à descoberta de dois pequenos mundos, e eu estou listado como co-descobridor por ter colaborado com o projeto Ice Hunters (entretanto fechado), uma iniciativa de "ciência cidadã" que propunha aos cibernautas passarem a pente fino imagens captadas por alguns dos melhores telecópios do planeta em busca dos pontinhos e dos traços que indicam a presença de objetos do cinturão de Kuiper (KBO) ou de asteroides. Ou de estrelas variáveis, a praga do projeto.

Foram achadas algumas dezenas de objetos novos, mas por enquanto só aquelas duas descobertas foram publicadas. Os dois mundinhos têm os "nomes" de 2004 LV31 e 2004 LW31, na velha tradição astronómica de dar maus nomes às coisas. Não se sabe quase nada sobre eles, claro; afinal, acabaram de ser descobertos. Mas já se lhes conhecem as órbitas e a luminosidade, o que permite ter uma vaga ideia do seu tamanho.

2004 LV31 é o mais pequeno e o mais próximo de nós. Orbita o Sol a uma distância média de 43,95 unidades astronómicas (ou seja: quase 44 vezes mais longe da nossa estrela do que a Terra) e dá-lhe uma volta a cada 291 dos nossos anos. Calcula-se que terá uns 30 ou 40 km de diâmetro, embora a palavra "diâmetro" não deva aplicar-se, porque o mais certo será nada ter de esférico. Não deve ultrapassar o tamanho do satélite de Saturno Pandora, mas deve ter uma superfície menos lisa; a de Pandora é suavizada por material que cai dos anéis.

O outro, 2004 LW31, é maior e mais longínquo. Orbita a 46,39 unidades astronómicas do Sol e dá-lhe uma volta a cada 316 anos. Terá entre 75 e 110 km de diâmetro, embora também se aplique ao diâmetro o que disse acima. Ou seja: não deve ser maior que outro satélite de Saturno, Febe, e é bem capaz de ser muito parecido com ele, visualmente falando: deve ter forma de batata e ser pejado de crateras.

Porreiro, hã?

Uma nota: eu não tenho a certeza de ter realmente detetado estes dois mundos em concreto. Sei que detetei pelo menos três novos KBOs, mas parece-me que aquela lista de co-descobridores não se refere àqueles que viram os mesmos objetos que eu, mas sim a todos os que descobriram alguma coisa no decorrer do projeto. Se assim for, é provável que todas as publicações resultantes do projeto venham com o meu nome lá perdido no meio. Já perguntei a quem geria o Ice Hunters se assim é, mas o forte deles não é a comunicação e ainda não obtive resposta. Parece-me, contudo, que tenho razão, e por isso podem vir aí mais notinhas de rodapé. Por um lado acho que é pena: gostava de saber o que foi, ao certo, que vi. Por outro... pá... sou oficialmente um descobridor de mundos! Se isto não é completamente do caraças (sim, é o termo técnico), não sei o que é.

Se quiserem tentar ter também as vossas notinhas de rodapé na ciência, o Ice Hunters tem sucessor. Chama-se Ice Investigators e está aqui. Boa sorte.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mania de meterem deus onde não é chamado

Conhecem o The Big Picture? Se não conhecem, façam um favor a vós próprios e passem urgentemente a conhecer. Trata-se de um blogue fenomenal que nos apresenta o mundo através do poder da fotografia.

Quem diz o mundo diz também o universo, pois eles não se limitam a este cantinho do todo em que vivemos e raramente hesitam em nos deixarem espreitar os outros. Foi o caso deste conjunto de imagens do Hubble, cuja função é espreitar tudo aquilo que fica fora do nosso cantinho do todo.

So far so good, lá diriam os paquistaneses. O problema é o teor dos comentários beatos, que raiam o insultuoso. Confrontados com a beleza das imagens, o beatério não tem uma palavra para quem construiu os aparelhos que lhes permitem apreciá-las, não tem um agradecimento a fazer às gerações de cientistas que acumularam o conhecimento que nos permite hoje ter um telescópio em órbita, computadores e internet. Não. Para eles, vidas inteiras de labor humano são irrelevantes. Aquela beleza é fruto de deus, como se as imagens lhes aparecessem à frente do nariz por milagre divino.

Lá tive de deixar um comentário, que traduzo aqui:

A beleza está nos olhos de quem a vê. Nós achamos estas imagens belas porque é esse o resultado do modo como estamos constituídos. E porque as pessoas que enquadraram as imagens e, por vezes, escolheram as cores (sim, algumas destas imagens mostram cores falsas) são... bem... pessoas. Não há qualquer deus nisso: há apenas as nossas mentes a trabalhar como evoluíram para trabalhar. Se tivessem evoluído de outra forma, as imagens aqui exibidas seriam diferentes, e no entanto essas pessoas alteradas fitá-las-iam maravilhadas, tal como nós.
Para terminar, nós podemos ver esta beleza não porque um bando qualquer de ascetas místicos rezou com muita força, mas porque algumas pessoas abandonaram os dogmas e se puseram a sondar a verdadeira natureza das coisas. Chamamos-lhes cientistas, e são eles o motivo de termos um telescópio em órbita, computadores nas nossas casas e a internet que traz as imagens desse telescópio aos nossos computadores. Também nisso não há qualquer deus.
Claro que sei que não serve de muito. O beatério nem sequer se dá conta do insulto implícito em deitar para o lixo todo o trabalho de quem criou as imagens e os meios para as obter e disponibilizar. Lêem isto e só conseguem ver um ateu a dizer que deus não existe, cegos perante as subtilezas daquilo que eu realmente estou a dizer. Mas não importa. Alguém há de entender, e na verdade basta que uma pessoa entenda para já valer a pena.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O (grande) disparate

Anda por aí a circular uma mensagem perfeitamente pateta em tons vagamente apocalípticos que diz que Marte, a 27 de Agosto vai "ser tão grande como a Lua cheia a olho nu". Diz também que "a próxima vez que Marte irá estar tão próximo será em 2287. O curioso é que esta palermice surge todos os anos por esta altura desde 2003. Ou seja: desde 2003 que "a próxima vez que Marte estará tão grande será em 2287". Mas ninguém dá pela marosca, e todos os anos há quem enfie uma pulga aos saltos no entusiasmo à espera do grande acontecimento. Os mais prudentes perguntam se é verdade. Notem bem: não surfam a net tentando informar-se. Perguntam se é verdade.

Se surfassem a net em vez de fazer perguntas patetas, saberiam que NÃO é verdade, porque desde 2003 que muita gente por esta internet fora publica a verdade um pouco por todo o lado. Saberiam que não é verdade e que não pode ser verdade. Marte nunca se aproxima a menos de cerca de 55 MILHÕES de quilómetros da Terra, enquanto que a Lua está apenas a uns 385 MILHARES de quilómetros de nós. 55 milhões é 144 vezes mais que 385 mil. Por causa da perspectiva (sabem? aquela coisa que faz com que as pessoas ao longe fiquem do tamanho de um dedo?) para que Marte parecesse algum dia do tamanho da Lua cheia teria de ser 144 vezes maior que ela. Não é, muito longe disso. É só duas vezes maior.

Além do mais, Marte nem sequer está no ponto mais próximo de nós na sua órbita. Esteve a 27 de Agosto de 2003, mas o planeta não fica parado no mesmo sítio à espera que a Terra dê a volta ao sol e volte a passar por ele no mesmo dia do ano seguinte. Também se mexe, e como consequência, a 27 de Agosto estará a cerca de 180 MILHÕES de quilómetros da vossa garagem.

É uma viagem e pêras. Não se esqueçam de levar farnel.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

And now for something completely different: deeeeep life!

Vida profunda foi o que encontraram num buraco escavado quase 4 km abaixo da superfície terrestre, na África do Sul. Bactérias, claro, mas umas bactérias especialíssimas que retiram a sua energia não do Sol, não de reacções químicas, mas do decaimento radioactivo das rochas no interior da Terra. Parece que estão isoladas do resto da biosfera há pelo menos três milhões de anos, se bem que a incerteza neste número é tão grande que pode chegar aos 25 milhões de anos...

Em tempos, pensou-se que toda a vida dependia do Sol para sobreviver. É com base nessa ideia que ainda hoje se procuram noutros locais indícios de vida. Mas essa parece ser cada vez mais uma ideia errada. O Sol limita-se a ser a fonte mais acessível de energia, nada mais.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Pumba!

A Terra está constantemente a ser atingida por tralha vinda do espaço. Agora, parece que um pobre septuagenário alemão ficou sem casa por causa de um calhauzinho que sobreviveu à entrada na atmosfera e causou um incêndio. O tamanho da coisa? 10 mm. Sim, milímetros.

Razão tinham os gauleses do Astérix em ter medo que o céu lhes caísse em cima da cabeça.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

2003 UB313

Perdão: Eris.

Ou seja, os dez maiores planetas do sistema solar são agora, do maior para o menor: Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Terra, Vénus, Marte, Mercúrio, Eris e Plutão.

E a luazinha de Eris também já tem um nome a sério: Dysnomia.

Disnomia? Prefixo de negação + "Nomia"? Hum... estes astrónomos são uns malandros...

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

A definição mais estúpida do Universo

Era difícil, mas os astrónomos reunidos em Praga conseguiram: depois de um início prometeder, que parecia destinado a, finalmente, colocar algum bom senso na nomenclatura planetária, eis que a volta foi de 180º e o que saiu da capital checa deverá ser a mais estúpida definição do Universo. E arredores.

A definição em causa, traduzida, é esta:

A IAU decide, portanto, que os "planetas" e os outros corpos do Sistema Solar, sejam definidos em três categorias distintas da seguinte forma:

(1) Um "planeta" é um corpo celeste que (a) está em órbita em torno do Sol, (b) tem massa suficiente para que a sua própria gravidade supere as forças do corpo rígido de modo que assume uma forma de equilíbrio hidrostático (praticamente redonda) e (c) que tenha limpo a vizinhança da sua órbita.

(2) Um "planeta anão" é um corpo celeste que (a) está em órbita em torno do Sol, (b) tem massa suficiente para que a sua própria gravidade supere as forças do corpo rígido de modo que assume uma forma de equilíbrio hidrostático (praticamente redonda), (c) não tenha limpo a vizinhança da sua órbita e (d) não é um satélite.

(3) Todos os outros objectos, excepto os satélites, que orbitam o Sol serão colectivamente denominados como "Pequenos Corpos do Sistema Solar".


A isto são acrescentadas três notas:

1. Os oito planetas são: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urrano e Neptuno.

2. Será estabelecido um procedimento da IAU para atribuir aos objectos de fronteira o estatuto ou de planeta anão ou de outras categorias.

3 Os Pequenos Corpos do Sistema Solar incluem actualmente a maior parte dos asteróides do Sistema Solar, a maior parte dos Objectos Trans-Neptunianos (TNOs) e outros pequenos corpos.


Onde está a estupidez? Por todo o lado. Para começar dizer que um planeta anão não é um planeta está ao mesmo nível lógico de dizer que um anão não é uma pessoa. Ou de dizer que uma estrela anã não é uma estrela. Ora, como o Sol é uma estrela anã, resulta daí que, a aplicar a "lógica" desta definição, nós, habitantes do planeta Terra, não somos iluminados nem aquecidos por uma estrela. Pior um pouco ficam aqueles de nós que sofrem de nanismo, que não só deixam assim de ser iluminados e aquecidos por uma estrela, como inclusivamente perdem todos os privilégios de pertencer à espécie humana. Se bem que, a ajuizar por esta definição, nesse ponto perdem muito pouco.

Mas se fosse essa a única questão estaríamos nós bem. Longe disso. Acontece que na última década e tal têm vindo a ser descobertos corpos à volta de outras estrelas e até a vogar livres pelo espaço interestelar que vão desde o tamanho de Calisto (uma lua de Júpiter não muito maior que a nossa) até muitas vezes o tamanho de Júpiter. Já vai em mais de 200. Mas, como esta definição diz que só são planetas os corpos do Sistema Solar que giram em torno do Sol, tem-se que os plan... erm... corpos que giram em torno de outras estrelas ficam sem nome. Suponho que se pode propor um, certo? Gambuzinos! Que tal?

Temos, portanto, um universo composto por biliões de estrelas conhecidas (ou não, já que a maioria são anãs e, segundo a lógica da IAU, não serão estrelas... lá vou ter de chamar-lhes outro nome... hum... trelas? OK, trelas!). Recapitulando: Temos, então, um universo composto por biliões de estrelas, muitos mais biliões de trelas, mais biliões de objectos exóticos como buracos negros, pulsares, nebulosas de vários tipos, etc., etc., e depois 8 planetas, pelo menos 3 planetas anões que não são planetas embora sejam planetas, uns quantos objectos ainda indefinidos, largas dezenas de satélites e largos milhares de pequenos corpos do sistema solar, mais duzentos e tal gambuzinos em volta de outras estrelas, trelas e pulsares ou até a vogar livres pelo espaço. E não me perguntem como se chamarão os pequenos corpos que giram em torno de outras estrelas e de outras trelas porque não quero pensar nisso agora, OK? Portanto é isso.

Ou será que não é?

É que há aquela coisa das órbitas limpas e mais não sei o quê. Deixem-me explicar: à medida que se vai passando o tempo, os planetas vão acumulando material vindo do espaço, que vai caindo e formando crateras quando o planeta não tem atmosfera ou a tem fina demais para o tamanho do calhau, ou ardendo na atmosfera quando o calhau é pequeno demais para a atmosfera. Aqui na Terra aos primeiros chamam-se meteoritos e aos segundos meteoros. Lá no espaço, chamam-se todos asteróides ou então poeira. Onde deixa de ser asteróide e passa a ser poeira, ninguém sabe, mas também não quero que me falem nisso agora se fazem favor. Ah, sim, e lá no espaço, são eles que fazem as crateras da Lua, por exemplo.

Ora bem, em tempos que já lá vão, havia muito mais asteróides e poeiras do que há hoje. Como é fácil de entender, quanto maior o planeta mais coisas destas atrai, e ao longo do tempo, vai "limpando" as redondezas da sua órbita. E, como é fácil de compreender também, quanto maior a órbita e menor o planeta, mais devagar ela fica "limpa". Ou seja: um corpo do mesmo tamanho torna-se "planeta" muito mais depressa se estiver onde está Mercúrio do que onde está Plutão. Pior: quanto mais pequeno o corpo, mais afectado é pelos outros corpos; ao fim de tempo suficiente, todos os corpos mais pequenos acabarão ou por se esmagar contra um dos corpos maiores, ou por serem atirados por um destes ou para o Sol ou para fora do sistema. E isso implica que se lhes dermos tempo suficiente, todos os corpos com uma dimensão razoável acabam por se transformar em planetas, mesmo que nada neles mude. Pior ainda, como bem sabemos, ainda hoje a Terra continua a ser bombardeada com asteróides, o que significa, obviamente, que não tem as redondezas limpas. Ops! Acabámos de excluir a Terra do grupo dos planetas?!

Bem, dado que não está definido nem o que significa "limpo" nem o que significa "vizinhança", e dado que há material de pequenas dimensões em todo o Sistema Solar, se formos aplicar a definição à letra, não só acabámos de excluir a Terra do grupo dos planetas como acabámos de excluir todos os planetas do grupo dos planetas! Não é brilhante? De repente, seguindo a definição da IAU, ficámos com 11 planetas anões onde, segundo a mesma definição, devíamos ter 3 planetas anões (que não são planetas, não se esqueçam!) e acabámos de chegar à conclusão que não há um único planeta em todo o vasto Universo! Há é 200 e tal gambuzinos.

Magnífico!

É ou não é a coisa mais imbecil que já viram?

Por minha parte, borrifo-me nos gajos e parto para o radicalismo. As definições devem ser simples. Devem basear-se em propriedades das coisas definidas. Devem ser coerentes. E as propriedades mais evidentes devem servir para definir as subdivisões de nível superior, deixando-se as subdivisões dessas subdivisões para propriedades menos convincentes, ou mais arbitrárias, ou mais incertas. Por isso, a partir de hoje o que é um planeta no meu léxico passa a ser definido pela simples frase:

Um planeta é qualquer objecto que tem massa suficiente para que a sua própria gravidade supere as forças do corpo rígido de modo que assume uma forma de equilíbrio hidrostático e não tem massa suficiente para gerar reacções nucleares no seu interior.


E mainada. Depois disto, subdivide-se em categorias. Querem planetas anões? Com certeza: saem planetas anões, planetas como os outros, mas anões; tal como os planetas gigantes que há (4) em volta da nossa estrela e também (quase 200) em volta das outras são planetas como os outros, mas gigantes. Tal como os planetas terrestres. Ou os planetas satélites (eu avisei que ia ser radical), que seriam planetas de pleno direito se girassem em torno de uma estrela. Querem subcategorizar os planetas? Força! Dêm-lhes com subcategorias em cima. Mas planetas são os corpos suficientemente grandes para ser redondos. Ceres é planeta. A Lua é planeta. Plutão é planeta. Calisto é planeta. Mimas é planeta. Vesta e Pallas vamos ver, tal como iremos ver aqueles trans-neptunianos mais pequenos. "Xena" é planeta. Epsilon Eridani b é planeta, Mu Arae e é planeta. Nada mais simples. E muito mais válido, sob todos os aspectos, do que cretinice que saiu da IAU.

Tenho dito.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Uma interrupção no retiro

Faço uma interrupção no meu retiro, que ainda deverá durar mais três dias. É que já se conhece a proposta de definição de planeta que os astrónomos vão votar a 24 da Agosto. E (oh, que bem que sabe!) é muito parecida à que eu há muito tempo que penso que é a melhor, e da qual já falei aqui e aqui. Ou seja: o que interessa, caso a proposta passe (e tudo me faz crer que sim), é a forma e se esta forma é causada pela gravidade. Em "tecniquês", pretende-se saber se o corpo está, ou não, em equilíbrio hidrostático. Se estiver, é planeta, salvo se for satélite; se não estiver, não é. Ou seja, na prática, se for grande e mais ou menos esférico, é planeta; se mais parecer uma batata grande demais, não é.

Depois há uma peculiaridade que tem a ver com os satélites. Naqueles dois posts que estão linkados acima, falo das luas como uma espécie de planetas que giram em torno dos planetas principais; pois bem, na definição proposta para planeta, há luas que passam realmente a planetas. No nosso sistema só há uma, mas poderemos descobrir mais noutros sistemas (ou até talvez neste, entre os muitos mundos que ainda estão por descobrir nos confins do sistema). Isso acontece quando o centro de massa do sistema não está dentro de nenhum dos corpos, falando-se nesse caso de planeta duplo (ou triplo, ou quádruplo, etc.), sendo que cada um dos corpos é elevado à categoria de planeta.

Assim, caso a proposta seja aprovada (sim, sim, sim), o nosso sistema passará de imediato a contar 12 planetas em vez dos actuais 9:

Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Ceres (antigamente o maior dos asteróides, mas mais antigamente ainda o quinto planeta, como agora... às vezes há círculos engraçados), Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Plutão, Caronte (ou o planeta duplo Plutão-Caronte) e 2003 UB313 (nome provisório; o definitivo deverá ser bem mais atraente que isto, mas talvez menos atraente do que a alcunha, Xena).

Além deste grupo, há mais um par de mãos-cheias de corpos que estão sob avaliação pela União Internacional de Astrónomos, à espera de se conhecerem mais coisas sobre eles para decidir da sua pertença ao clube ou não. São eles:

Vesta, Pallas e Hygiea, actualmente chamados asteróides, e ainda 2003 EL61 (alcunhado de Santa, isto é, Pai Natal), 2005 FY9, Sedna, Orcus, Quaoar, Varuna, 2002 TX300, Ixion e 2002 AW197, todos ou Objectos Trans-Neptunianos, ou "Objectos Dispersos do Disco" (será assim que se traduz isto?). Nem todos estes mundos passarão a fazer parte da lista de planetas, mas é certo que alguns sim. E ainda há muita coisa por descobrir lá longe, onde a luz quase não chega e o calor menos ainda. É provável que um destes dias o sistema solar tenha mais de 20 planetas, ou mais de 30, ou até muitos mais do que esses.

E levaram eles este tempo todo para decidir uma coisa tão óbvia... tsc, tsc, tsc...

domingo, 23 de abril de 2006

Dezoito planetas

Dezoito planetas

aqui falei sobre isto, mas uma conversa na lista de correio electrónico sobre ficção científica fez-me voltar ao assunto, reflectir um pouco mais sobre ele e garatujar um esquema numa folha de word (papel? bah!). E, se há esquema mais vale partilhá-lo.

É a grande discussão que grassa entre astrónomos e astrónomos, curiosos e curiosos e curiosos e astrónomos sobre o que raio, afinal, é um planeta. Parece que está previsto que uma resposta a essa pergunta seja finalmente dada em Setembro deste ano pela União Astronómica Internacional, mas as coisas parecem encaminhar-se para o estabelecimento de um diâmetro limite arbitrário qualquer que faria com que ficássemos no Sistema Solar com X (provavelmente 10) "planetas", todos aqueles corpos com maior diâmetro que aquele limite, e tudo o resto que estivesse abaixo, independentemente das suas características, seria chamado asteróide, planetóide, ou coisa que o valha. Espero estar enganado, mas parece que é para aqui que as coisas se encaminham.

E espero estar enganado porquê?

Porque é absurdo. Porque separa em categorias diferentes mundos praticamente idênticos. Nada há de substancialmente diferente entre um mundo com 2001 km de diâmetro a orbitar numa certa região do espaço e um outro com 1999 km de diâmetro a orbitar na mesma região. E porque há uma forma muito melhor para decidir se algo é planeta ou não: a forma.

Como sabe quem presta alguma atenção às fotografias que as sondas nos enviam do sistema solar, temos dois tipos de objectos: aqueles que nos aparecem redondos e aqueles que aparecem com formas irregulares. Há ainda os cometas, com as suas longas caudas, mas as fotografias recentes dos núcleos de alguns mostram-nos irregulares; a cauda é apenas um tipo especial de atmosfera que se perde no espaço. Ora, há um motivo para isso: de uma forma geral, os objectos redondos (i.e., esféricos ou esferóides, condição que é determinada por fórmulas matemáticas) são-no porque têm massa suficiente para que a sua própria gravidade os arredonde; os outros, mais pequenos, não têm gravidade que chegue, e assim ficam com formas que por vezes podem ser muito bizarras (há um asteróide, por exemplo, que tem tal e qual a forma de um osso de cão).

Segundo a Wikipédia, o limite entre os objectos que têm massa suficiente para ficarem arredondados e os que não a têm situa-se algures na zona dos 1019 - 1020 kg. Não é um limite inteiramente bem definido porque a quantidade de gravidade necessária para arredondar um corpo depende dos materiais de que esse corpo é feito (é mais fácil arredondar algo feito de gelo do que algo feito de pedra) e de o corpo estar, ou não, sujeito a stress provocado por marés capazes de o liquefazer parcialmente. Mas mesmo assim, excluindo os corpos cuja forma ainda não se conhece (as recentes descobertas de mundos relativamente grandes para lá de Neptuno, muitos dos quais ainda nem sequer têm nomes propriamente ditos), há apenas dois casos de mundos cuja forma destoa das formas dos mundos da mesma classe de massa: o asteróide 2 Pallas, que é irregular e está "rodeado" de esferóides, e a lua de Saturno Mimas, que já se situa na zona dos irregulares embora seja arredondada.

Ora, assumindo que nunca será possível estabelecer um limite inteiramente bem definido entre o que é planeta e o que não o é (até o limite arbitrário irá necessariamente criar distorções como "asteróides" com mais massa que "planetas"), este critério da esfericidade provocada pela massa parece-me o mais sólido de todos. Fundamentalmente porque é o único baseado exclusivamente nas propriedades físicas dos objectos e, portanto, pode ser adoptado sem adaptações para todos os sistemas planetários que se venham a descobrir e para todos os corpos que ainda faltarão descobrir no nosso.

Mas o que isto implica é que o nosso sistema deveria ter 18 planetas conhecidos em vez de 9!

Nada mudaria na zona dos planetas interiores, com os cinco corpos planetários que conhecemos, quatro planetas e uma lua: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte e a Lua. Mas depois haveria três pequenos planetas "novos" no cinturão dos asteróides: Vesta, Ceres e Hygiea. Na zona dos gigantes gasosos também nada se alteraria, com os seus 21 corpos planetários, 4 planetas e 17 luas: os gigantes gasosos propriamente ditos, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno; 4 luas de Júpiter: Io, Europa, Ganimedes e Calisto; 7 luas de Saturno: Mimas, Encelado, Tétis, Dione, Rea, Titã e Iapeto; 5 luas de Urano: Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon; 1 lua de Neptuno: Tritão. As grandes novidades chegariam da zona para lá de Neptuno, com, para já, e supondo que os maiores corpos que ainda têm forma desconhecida mas massa suficiente são, efectivamente, esferóides, 8 corpos planetários, 7 planetas e uma lua: Plutão, Varuna, 2003 EL61 (informalmente chamado "Santa"), Quaoar, 2003 UB313 (informalmente chamado "Xena", ou "o 10º planeta", isto á quem forçou todo este burburinho por ser maior que Plutão), 1996 TL66 e Sedna e a lua de Plutão, Caronte.

Como vêem se seguirem os links, todos estes corpos são arredondados. Todos eles se qualificariam, à primeira vista, e se não soubéssemos deles nada além do seu aspecto, como "planeta" ou como "lua". E na realidade é isso que é importante, porque se é verdade que partilham esta característica que é terem mais ou menos a forma de uma bola, também não deixa de ser verdade que todos eles são mundos únicos e diferentes de todos os outros, com a sua individualidade muito própria. De alguns sabemos já muito, outros são ainda completos desconhecidos, recém-detectados nos confins do sistema, onde a luz do Sol quase não chega e o frio é quase absoluto. Os nossos 18 planetas e as nossas 19 luas ali estão para atrair-nos, para despertar a nossa ancestral vontade de explorar novos territórios.

E não é muito melhor ter 18 do que apenas 9?...

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Muito interessante...

Se gostam de astronomia e astrobiologia, em especial no que nelas diz respeito à possível existência de outras civilizações sob a luz de outros sóis, se consomem ficção científica e gostariam de ter uma ideia mais precisa sobre o que as histórias de aventura espacial têm de cientificamente provável, se gostariam de saber mais antes de saber o que pensar sobre relatos de OVNIs, se sabem inglês, então aconselho vivamente a leitura deste artigo. É muito, muito interessante.

sábado, 30 de julho de 2005

Como será o sistema solar do futuro?

Quando eu andava na escola, uma das coisas de que se falava (muito por alto) era do sistema solar. Por essa altura, já eu tinha lido tudo o que tinha encontrado sobre os planetas, e já sabia que o sistema solar os tinha em número de nove que eram, do mais próximo do Sol até ao mais distante, Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno e Plutão. Sabia também que estes planetas eram muito diferentes uns dos outros, mas que se podiam dividir em dois grandes grupos, os interiores, ou terrestres, e os exteriores, gigantes ou gasosos. Plutão ficava assim meio de lado como uma espécie de patinho feio que não se encaixa em lado nenhum. Sabia ainda que entre Marte e Júpiter, no sítio onde em tempos se tinha teorizado que deveria existir um décimo planeta, havia uma cintura de centenas ou milhares de asteróides. E, claro, sabia que existiam também os cometas.

Mais tarde, com o continuar e aprofundar da curiosidade que sentia sobre o tema, vim a aprender mais coisas. Aprendi, por exemplo, que Mercúirio é quase um irmão gémeo da Lua e que há, em torno de Júpiter, Saturno, Neptuno e da Terra, satélites maiores que planetas, em especial o pequeno e misterioso Plutão. E isso começou a fazer-me alguma confusão na cabeça: é que se ordenarmos os corpos do sistema solar por tamanho não temos nenhuma indicação dos que são planetas e dos que não o são. Faz sentido? Até faz, algum. Mas fica sempre um mas. Querem ver? A lista dos objectos com mais de 1000 km de raio, ordenados do maior para o menor, é (ou era: ver à frente) a seguinte:

- Sol
- Júpiter
- Saturno
- Urano
- Neptuno
- Terra
- Vénus
- Marte
- Ganimedes
- Titã
- Mercúrio
- Calisto
- Io
- Lua
- Europa
- Tritão
- Plutão

Estão a ver? Está tudo misturado.

Depois, aprendi também outras coisas. Aprendi primeiro que os planetas eram todos esféricos, e depois que afinal isso não era bem assim, e que a palavra exacta deveria ser "esferóide", que designa um corpo cuja forma se aproxima de uma esfera mas não é totalmente esférico. É que parece que todos os planetas e satélites maiores são ligeiramente achatados devido à rotação e que os rochosos têm uma forma tornada irregular pelo relevo. A Terra, por exemplo, tem um diâmetro polar cerca de 43 km mais pequeno que o diâmetro equatorial; em Júpiter essa diferença é de mais de 9 mil km. Os asteróides, pelo contrário, são quase sempre coisas irregulares, a que só com grande boa vontade se pode aplicar a noção de "diâmetro", e o mesmo acontece com os satélites mais pequenos dos planetas. Porque são demasiado pequenos e têm gravidade a menos para se tornarem esféricos. São quase sempre assim. Ceres, por exemplo, o maior dos asteróides, é também um esferóide com um raio de quase 500 km e uma diferença entre o diâmetro maior e o diâmetro menor que não chega aos 30 km. E gira em torno do Sol. Porque razão não se lhe chama "planeta"?

Acabei por chegar à conclusão de que se tratava apenas de convenções sem grande relevância científica. Júpiter é muito mais diferente de Mercúrio do que Mercúrio é da Lua ou de Ceres, e no entanto Júpiter e Mercúrio são chamados planetas, a Lua satélite e Ceres asteróide. Plutão é muito mais parecido com alguns satélites do sistema solar exterior, como Tritão ou o seu próprio satélite Caronte, e com objectos do cinturão de Kuiper, como Qoaoar, do que com qualquer um dos outros planetas. E no entanto a ladainha permanece a mesma.

Porquê?

Tradição, conservadorismo, história da ciência. Só isso, nada mais.

Mas agora, parece que as coisas irão acabar por mudar, de uma maneira ou de outra. Foi descoberto lá nas profundezas escuras do sistema solar exterior um corpo que parece ser maior que Plutão e a que foi dado o nome provisõrio de 2003 UB313. Um corpo que gira em torno do Sol e que é maior que um planeta só pode ser chamado planeta. Ou então, é o menor dos planetas que não o é. De uma forma ou de outra, a ladainha irá ter de mudar, e algo me diz que não será a última mudança que ela sofrerá.

Gostaria que a oportunidade fosse aproveitada para uma revolução completa nos critérios que levam um corpo a receber o nome de planeta. Gostaria que o critério passasse a ser apenas a forma. Se um corpo fosse um esferóide, tornado assim pela gravidade e não por uma qualquer coincidência cósmica, deveria ser chamado planeta; se fosse irregular, seria um asteróide. Os satélites também poderiam ser divididos pelo mesmo critério, com satélites planetários por um lado e satélites asteroidais por outro. Acho muito mais simples e genérico, inclusivamente aplicável no futuro a outros sistemas solares. Imaginem, por exemplo, que um dia se descobre um corpo parecido com a Terra, com oceanos e vida e tudo, em órbita em torno de um gigante gasoso. Com que cara chamaremos "satélite" a uma Nova Terra assim?

Desconfio que a revolução não acontecerá. Mas seja como for, algo mudará e pergunto a mim mesmo como estudarão as crianças o sistema solar daqui a, digamos, 50 anos...

sábado, 13 de setembro de 2003

A incomparável magnificência da natureza

Costumo visitar com regularidade o site Astronomy Picture of the Day, um magnífico repositório de algumas das melhores imagens astronómicas (e às vezes nem tanto) captadas pelos instrumentos científicos europeus e americanos e, de vez em quando, por cidadãos individuais. Ao ritmo de uma por dia, imagens em geral fascinantes vão-se sucedendo, dando conta do desenvolvimento das ciências astronómica e astronáutica e da magnificência do universo de que fazemos parte. E por entre todas aquelas pedras preciosas, de vez em quando surge um diamante de muitos quilates

Neste caso, no entanto, talvez seja mais adequado falar em esmeralda. Ora vejam bem esta imagenzinha reduzida que aqui vai:

quarta-feira, 7 de maio de 2003

Uma possibilidade em cem milhões

Pois é. Há gente com grandes malapatas. Estava a senhora Colby Navarro calmamente em frente ao computador um destes dias, quem sabe se a consultar blogs interessantes como os que estão linkados a partir deste, quando lhe entra pelo tecto um calhau que ainda lhe vai dar cabo da impressora e fazer uma bela duma mossa na parede. Era o quê? Um meteorito, nada menos. A história, com prova fotográfica, pode ser lida no Astronomy Picture of the Day de ontem.

É preciso ter galo. As hipóteses de isso acontecer a qualquer um de nós são ínfimas.

O mais engraçado é que quando os escritores tentam passar histórias destas para literatura, vêem-se confrontados com o velho problema da verosimilhança. Há acontecimentos da vida real que são demasiado improváveis para serem credíveis em livro. Como falar deles sem ter multidões de leitores enraivecidos a atirar os nossos livros pela janela, sentindo a sua inteligência ultrajada, sentindo-se enganados?

Aceito ideias sobre isto. Eu cá, por mais que puxe pelos neurónios, não consigo encontrar lá nada...