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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Letra1

Há sensivelmente dois anos, recebi um simpático convite para participar num projeto online, o Letra1, iniciativa do Pedro Junqueira Lopes. Aceitei, embora com algumas dúvidas por não saber bem que tipo de colaboração poderia vir a dar ao site.

Essa indecisão teve impacto desde o início da minha participação no L1, reduzindo-a a coisa pouca e irregular. E no ano passado, a gigantesca seca de ideias e de vontade de escrever por que passei e que também levou aqui a Lâmpada a ficar inativa por longos períodos (foi de tal forma grande que ainda continuo a publicar opiniões a coisas que li em 2014, só para se ter uma ideia da quantidade de material que deixei acumular) conseguiu o feito de reduzir ainda mais essa participação, zerando-a por completo. Durante mais de um ano não publiquei lá nada.

Agora, com um último texto, ponho um ponto final oficial na minha colaboração com o Letra1. O saldo final soma meros 5 textos, e só posso pedir desculpa ao Pedro e aos demais colaboradores por a minha colaboração ter sido tão escassa.

Os 5 textos foram:

- De Empresariado e Parasitismo, um texto sobre empresários, parasitas, participação cívica e assuntos conexos. Continua inteiramente atual;
- Um Arremedozinho de Fábula que Talvez Leve Alguém a Pensar, um texto sobre passarinhos e raposas, que aparentemente não levou ninguém a pensar e que também continua inteiramente atual. Aliás, vamos ver exatamente quão atual quando tivermos na mão os resultados das próximas legislativas.
- Um Bode Alado a Fazer Mergulho com Garrafas Enquanto Canta a Grândola e Recita Pessoa, um texto sobre as esquerdas, como o título deixa mais que evidente. Aliás, orgulho-me bastante deste título. E mais atual, impossível.
- As Aspas dos Comentadores e Outras Socratices, um texto sobre o comentário político televisivo, um bocado datado, até porque o Sócrates entretanto mudou de endereço. Provavelmente o pior texto do quinteto.
- De Democracia, Representação e Ideologias, com um Saltinho à Natureza Humana, um texto sobre a democracia representativa, o que diabo isso significa e por que motivo tem alguma tendência a não correr lá muito bem. Talvez o melhor dos cinco textos, mas é bem possível que isto seja o mais fresquinho a falar.

Lamento não ter colaborado mais, mesmo, mas fez-se o que na altura se pôde. E chegada a hora da despedida, ela é feita à Sousa Veloso: com amizade.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Caro Eduardo Pitta

(Qualquer semelhança entre este título e os típicos títulos "chega-lhe-com-força" da Jonas não é coincidência nenhuma, nem pura nem impura)

Caro Eduardo Pitta,

Folgo em vê-lo descobrir, talvez finalmente, as delícias da leitura de Bradbury. É, de facto, um grande autor, coisa que nós que lemos ficção científica com regularidade e gosto já sabemos há muito tempo, e é ótimo que outras pessoas, geralmente mergulhadas num preconceito absurdo contra o género, vão tomando disso consciência.

Tenho pena, no entanto, de que tenha feito acompanhar a nota elogiosa com desinformação algo grotesca a respeito da edição de Bradbury em Portugal.

Costumo dizer que o Google é nosso amigo, embora neste caso nem o seja muito: a fama internacional de Bradbury e a consequente hiperabundância de referências que lhe foram sendo feitas, a sua morte recente, que também contribui para isso, o facto de o seu romance mais conhecido ter o mesmo título em português e em inglês, o facto de a sua coletânea mais conhecida ter o mesmo título em português e em espanhol, e por aí fora, geram uma certa cacofonia googliana que dificulta o encontro fácil entre pesquisador e informação.

No entanto, apesar disso, a afirmação de que "Bradbury não tem tido fortuna na edição portuguesa, estando embora traduzidos os dois ou três livros mais conhecidos" não tem desculpa. Já nem lhe faço notar que existe um site chamado Bibliowiki, cuja página dedicada ao autor lista não "os dois ou três livros mais conhecidos" mas 8 romances, duas coleções de contos interligados e 9 coletâneas. Não são "dois ou três" livros: são 19. Convenhamos que há uma diferençazinha, não é verdade? E isto mesmo estando incompleta: reparará que precisamente o livro de que fala não consta ainda da lista.

Mas, como disse, nem lhe faço notar isso, embora sempre o vá fazendo: é natural que quem não conheça previamente o Bibliowiki não dê com ele ao procurar por Bradbury no Google. Compreende-se e aceita-se.

Porém, alguém que está ligado profissionalmente à literatura tem toda a obrigação de conhecer o site da Biblioteca Nacional. E aí, meu caro Pitta, ao fazer uma pesquisa por Bradbury no catálogo encontra cerca de 50 registos. Cinquenta. O que mostra bem quão absurda é a sua afirmação e o quanto ela diminui a qualidade da crítica.

E é uma grande pena: devia haver muito mais críticas e críticos capazes de não se prender no rótulo "ficção científica" e analisar de facto e sem preconceitos a qualidade literária das coisas, tal como você apesar de tudo acabou por fazer.

Mas para a próxima informe-se melhor, amigo. É melhor para os seus leitores, para os autores de que fala e até mesmo para si.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Fábula política no Letra1

Há dias escrevi um arremedozinho de fábula política, com moral inclusa como é da praxe nas fábulas, para publicação no Letra1. É sobre pássaros, aparentemente. E também sobre raposas. Ou quiçá sobre a doença infantil do esquerdismo: o facciosismo.

Vão lá ler, andem. Se me perguntarem se vale a pena, eu, suspeitíssimo, respondo-lhes que oh, sim.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Baú

Como ainda tinha poucas coisas para fazer e montes de tempo disponível para as fazer, meti-me em mais uma alhada. E nem fui convidado para ela nem nada: fui eu mesmo a ter a ideia e, como é minha mania e, digamos, postura, tratei logo de a pôr em prática.

Não sabem de que estou a falar? A imagem junta serve de pista. O título dado ao post também, embora seja algo redundante face à imagem. O baú é, julgo, facilmente reconhecível (e façam favor dizer que sim senhor, porque fui eu mesmo a desarrincar o boneco assim mais ou menos apressadamente). De dentro, espreita um par de olhos amarelos, vagamente felinos, mas decerto sugestivos (ver o parêntesis mais acima, ó se faz favor). Pronto, eu escrevo a coisa por extenso. É o Baú da FC, um blogue nascido há quatro dias, que se propõe recuperar e redivulgar textos sobre obras da ficção científica e do fantástico lusófonos, produzidos há tempo suficiente para terem sido guardados no baú e deixados lá à espera de um ataque de nostalgia, que é o que geralmente acontece às coisas que vão parar aos baús.

No nosso caso, não se trata bem de nostalgia, mas da ideia de que só conhecendo o que ficou para trás se pode avaliar capazmente o que há agora, de que uma continuidade na produção dentro dos géneros fantásticos em português não se pode alcançar sem uma continuidade também na sua leitura, e se quiserem saber mais pois façam favor de ler a página de introdução à coisa, que está lá tudo bem explicadinho. Espera-se.

Em quatro dias, soma quatro textos. Provavelmente não será sempre tão vivo, porque apesar do blogue ser coletivo, e pretender vir a sê-lo mais (há uns convites à espera de resposta, e haverá mais), somos todos gente ocupada, mas contamos encontrar-vos por lá com alguma regularidade. E se o que tirarmos do baú vos chamar a atenção para as obras de que falarmos, então ouro sobre azul. É mesmo essa a ideia. Contrariar um pouco o frenesi da novidade que tão prevalente se tem tornado nas blogosferas portuguesa e brasileira.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ratazanas

É em dias como o de hoje (ou de ontem, se vocês se regem pela arbitrariedade do relógio) que uma série de contos que começam quase todos com «O ministro abriu a boca e dela saíram ratazanas.» faz o mais completo dos sentidos.

sábado, 18 de maio de 2013

A fauna no Infinitamente Improvável

Tenho andado a reparar numa tendência curiosa no material que chega e acaba publicado no Infinitamente Improvável: há por lá bicharada a dar com um pau.

A culpa é em parte minha, claro. Não só sou eu quem diz se as histórias sim ou sopas, como fui eu a inaugurar a presença de animais no ezine, com as ovelhas de Testemunhas. As intenções, juro, foram as melhores. Mas depois disso reincidi, com os mosquitos hipertecnológicos de Uma História Verdadeira, Segundo Quem ma Contou e o peixinho de prata radioativo de Quem Quer Ser Super-Herói?, o que não só já foi algo mal intencionado como me põe em primeiro plano no alinhamento dos culpados. Admito-o sem problemas. Ou com problemas, mas sem reservas. Mesmo que antes tenha aparecido O Gafanhoto do Álvaro Holstein. Mesmo assim.

Mas mais recentemente, a invasão animalesca tem sido um fartote. Especialmente sob a forma de ratazanas, oh, as ratazanas!, mas não só. E a culpa é de quem? De quem é? Do Miguel Hernâni Guimarães e da sua A Crise das Ratazanas, claro está, que eu tive de seguir com A Fome das Ratazanas. Teve mesmo de ser. E preparem-se porque o próximo conto a ser publicado também traz desses simpáticos bicharocos.

E com tanto roedor, até pode passar despercebida A Truta, do José Eduardo Lopes. Mas não devia, que não é lá por ser o primeiro peixe que merece menos atenção.

Ou seja, ele é mamíferos, ele é insetos, ele é peixes. Que virá a seguir? Passarada? Lagartagem? Alforrecas?

Atendendo aos antecedentes, já nada me surpreenderá.

E daí... se calhar surpreende.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O dedo na ferida

Façam um grande favor a vós próprios, ó punhado de fiéis leitores que por aí andam, e leiam, leiam pela vossa saudinha, este magnífico artigo do Daniel Oliveira. Mas se não quiserem lê-lo todo, no que incorrem em tremendo erro, permitam-me que destaque aqui um par de passagens que põem o dedo bem dentro da ferida:
[...] a democracia não é um centro comercial, onde se escolhe, à última da hora, o produto que se quer comprar. Aqui o cliente não tem sempre razão. Porque o cidadão não é cliente e as escolhas políticas não são produtos. A democracia é dos cidadãos e é feita pelos cidadãos. Se funciona mal a culpa é nossa. Um povo que realmente se revolta e quer ser consequente com a sua revolta luta por alternativas. O discurso populista contra os "políticos" (como se não fossem eleitos por nós) e o voto inconsequente de mero protesto - como se o protesto pudesse ser resolvido em cinco minutos, numa mesa de voto - resulta de uma infantilização dos cidadãos. Que os próprios cidadãos alimentam para se desresponsabilizarem pelas suas escolhas.

Em vez de se comportarem como donos da sua vida e responsáveis pelas suas escolhas, os italianos fizeram uma birra. Julgará, quem assim se comporta, que assusta o "sistema", o "regime" e os "políticos". Não assusta ninguém. A inconsequência do protesto é a coisa mais fácil de assimilar. Beppe Grillo é um episódio. Daqui a poucos anos, depois da dura passagem pela política lhe retirar a graça e o brilho, será mais uma estória na história política italiana, sempre tão recheada de peripécias. Nem a banca, nem os burocratas, nem a Mafia, nem Bruxelas, nem Berlim, nem os "políticos do sistema" estão preocupados. Não muda nada. E é isso mesmo que o voto de um quarto dos italianos nos diz: estão zangados mas não querem correr o risco de mudar nada. Porque a mudança dá muito mais trabalho e menos vontade de rir do que o voto irrefletido num comediante. Exige ativismo, pensamento, confronto, risco.
Será que desta feita perceberam?

sábado, 8 de setembro de 2012

E por falar em coisas repugnantes...

As coisas repugnantes andam à solta neste país. Começando pelo bando de salteadores que rouba a quem produz, a quem trabalha, para entregar o dinheiro que ganhámos com o suor do nosso rosto a especuladores e aldrabões, passando por criaturinhas que alguém parece que elegeu para o parlamento e que têm o topete de destratar de "queixinhas" quem tenta fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, que é tão só a lei fundamental deste país, à qual todas as outras estão submetidas (basicamente, se fazer cumprir a constituição é ser queixinhas, fazer cumprir qualquer das leis deste país é ser queixinhas), e acabando nos socratinos que produzem coisas nojentas como esta.

Há, na democracia portuguesa, partidos comprometidos com o rumo que as coisas levam e com os saqueadores estrangeiros que parece que agora andam por aí. Esses partidos são o PS, o PSD e o CDS. É bom reavivar a memória, que parece que há por aí muita gente esquecida. Já aquando do PEC 1, apresentado pelo PS e aprovado pelo PSD (não me lembro se também pelo CDS) a esquerda parlamentar alertava para aquelas medidas serem estúpidas e terem como resultado a situação que vivemos agora. Consequentemente, a esquerda parlamentar votou contra. Porque a esquerda parlamentar desde essa altura dizia que a austeridade só podia ter como resultado a destruição da economia. Que a destruição da economia só podia ter como resultado a diminuição da receita fiscal e o aumento dos pagamentos de subsídios de desemprego e sobreviviência. Que a diminuição da receita fiscal e o aumento da despesa só podia ter como resultado mais défice, mais dívida, mais tudo aquilo que o PEC 1 pretendia combater.

E sim, a esquerda parlamentar avançava com alternativas: a renegociação da dívida, o primeiro passo indispensável para pôr a casa em ordem e recomeçar a crescer em vez de cair numa eterna recessão. O mesmo caminho seguido pela Islândia, com ótimos resultados. Também o que a Grécia já fez, parcialmente, e tarde e a más horas, e que por isso mesmo não deu grande resultado. E o que nós também vamos acabar por ter de fazer, só que muitíssimo mais pobres, muitíssimo mais gregos, muitíssimo mais tramados.

A direita, PS incluído, não quis saber. E veio o PEC 1, seguido do PEC 2, seguido do PEC 3. Todos aprovados pelo PS e pelo PSD, todos chumbados pela esquerda, sempre com o mesmo argumento: o argumento de que era o caminho para o desastre. Os PEC eram já este caminho, o caminho da troika e dos que, na sua impressionante estupidez, se ufanam de ser mais troikistas que a troika. Numa versão menos intensa? Sim. Mas a diferença entre os PEC e as troikices é a mesmíssima diferença que há entre percorrer uma estrada que vai levar a um precipício a 50 à hora ou a 100 à hora. O resultado é o mesmo, só que de uma maneira precipitamo-nos mais depressa, da outra mais devagar.

E por isso, a esquerda sempre votou contra todos os PEC.

Depois chegou o PEC 4, o tal que levou Sócrates a fazer birra e a demitir-se (o que não tinha de fazer; o chumbo do PEC 4 não implicava a demissão do governo. Ele demitiu-se porque quis). Ao chegar o PEC 4, o PSD, com uma monumental dose de cinismo, puxou o tapete ao PS, votou contra. E os socratinos, em vez de se atirarem contra o PSD, atiram-se à esquerda. Ou ao PSD e à esquerda.

A "lógica", porque há que lhe chamar alguma coisa, parece ser: "pronto, vocês sempre votaram contra, sempre disseram que isto era péssima ideia, mas agora que os nossos amigos do outro lado fizeram uma birra e nos querem tirar o chupa-chupa, façam favor e votam a favor da ideia que sempre acharam péssima. Senão a gente faz birra e vai-se embora." Como é evidente para qualquer pessoa com um mínimo de honestidade intelectual, a esquerda nunca iria dar tal cambalhota. Se o caminho era péssimo no PEC 1, 2 e 3, não era no PEC 4 que deixava de o ser. Se alguém deu uma cambalhota, e deu até várias, foi o PSD. Portanto a esquerda votou contra com toda a coerência. E os socratinos fizeram birra, e foram-se embora, e continuam ainda hoje a fazer birra.

É preciso não ter ponta de vergonha na cara para, mais que exigir que partidos que sempre foram contra este rumo idiota passassem a apoiar este rumo idiota, atirar-lhes para cima com as culpas por estarmos a seguir este rumo idiota. Para agir assim, é preciso ter-se um topete do tamanho do mundo. Para sacudir dessa forma a água do capote é preciso ser-se um enorme cobarde. E posts como aquele, que não é nem o primeiro, nem o segundo, nem sequer o centésimo, são um completo asco.

E é por estas e por outras que os partidos do dito "arco do poder" são um nojo pegado. E que é preciso votar nos outros.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sobre a autoedição

Há dias apareceu-me no twitter um link para este artigo, no qual a autora tece uma série de considerações sobre a autoedição em print-on-demand. Em geral, acerta em cheio no alvo. A autoedição em print-on-demand, pela sua própria natureza, adequa-se muito melhor a livros com um público-alvo muito limitado do que a obras que, pelo menos em potencial, teriam um público vasto. Se não houvesse mais fator nenhum envolvido no assunto, a própria natureza do sistema de impressão adequa-se muito melhor a livros cuja tiragem total acabará inevitavelmente por ser baixa do que a livros com potencial para tiragens maiores. Se uma tiragem tradicional de 50 exemplares não compensa, economicamente, ir imprimindo um a um esses 50 exemplares é bastante mais lógico. Até que o custo do POD desça até ao nível das outras formas de impressão, o que talvez nunca aconteça, livros com um público razoável saem mais baratos a toda a gente (e em princípio ficam mais bem feitos) se forem impressos tradicionalmente do que em POD. Não é de admirar, portanto, que os serviços de print-on-demand assumam aquilo a que ela chama "long-tail business model" (não faço ideia como se traduz isto para português no jargão da gestão... se é que tem tradução), ou seja, a preferência por terem um milhão de autores a vender 100 exemplares cada a terem 100 autores a vender um milhão de exemplares cada.

E depois há tudo o resto. A distribuição que uma editora a sério faz e que um sistema POD não faz, o marketing, capa e paginação profissionais, etc., etc. Obviamente que nenhuma editora propriamente dita vai investir em livros com potencial para venderem 100 exemplares, mas livros capazes de vender mais do que isso têm direito a uma série de "achegas" que a autoedição não fornece.

E claro que isto tem consequências. Claro que a vasta maioria destes livros não valem nada. Mas será isso um problema? Ela, a autora do artigo, acha que sim. Acha que a prevalência de livros muito maus como que "tapa" o punhado de livros muito bons publicados por autoedição em POD. Porque, segundo diz, torna difícil separar o trigo do joio.

Aqui discordo. Se houver uma descrição do livro, de preferência escrita pelo autor, e se houver uma antevisão do livro disponível gratuitamente (e normalmente há ambas as coisas), parece-me bastante fácil encontrar as agulhas, ou pelo menos rejeitar a palha. Reparem nas seguintes sinopses. São as sinopses dos livros de ficção científica e fantástica que encontramos no mais popular dos "nossos" serviços de POD (nossos está entre aspas porque uma boa parte do site está em espanhol), o bubok. Algumas, as mais longas, estão abreviadas. Numa delas omitiu-se um par de nomes de autores e o título de outro livro. De resto, está tudo rigorosamente tal e qual como aparece no site:

  1. David Young tem uma missão numa cidade estranha.
  2. Num tempo em que as pessoas buscam a tão sonhada tecnologia, um homem irá descobrir um mundo em que a sua formação é a tecnologia. Ele descobrirá um novo mundo, onde perigos e aventuras são as coisas que o esperam.
  3. Genius é um cientista norte-americano que condicionou-se à esquizofrenia e aceitou parte da doença por querer ver seus amigos imaginários. Estes, eram os maiores gênios da humanidade como Albert Einstein, Aristóteles, Leonardo da Vinci, Charles Chaplin, Darwin, William Shakespeare, Confúcio e Santos Dumont. Mais tarde, ele descobre um espelho no qual acredita viajar no tempo por ver seus amigos tão reais dentre outras descobertas e pessoas de forma surpreendente. Descubra, em diálogos baseados no que estes gênios disseram e nos deixaram como herança, além de conhecer profundamente suas vidas, necessários a todas as pessoas, sejam quais forem seus erros, expectativas e experiências.
  4. Há 2000 anos atrás um jovem filosofo descobrira a magia e o seu poder destrutivo mas também curativo, receoso que esses conhecimentos se perdessem, escreveu todos os seus segredos num livro, um livro que com o passar da décadas se tornou muito cobiçado por toda espécie de feiticeiros até se lhe perder o rasto. O Livro Mágico fora mais tarde descoberto numa escola de magia em Orion, terra de feiticeiros.
  5. Uma colecção de sete contos, incluindo um totalmente escrito em inglês, com base na ficção científica e com salpicos de horror e espiritualidade.
  6. Será que as nossas opções não foram já as opções de outros? Será que os resultados dessas nossas opções não foram também já os resultados para outros? Será que não existem outros modos, outros caminhos?
  7. Para quem vivi seu mundo com sua vida, seja ela: boa, ótima ou quem sabe excelente, já enfrenta uma luta constante, você imagina para alguém que tem sua vida normal no seu cotidiano, e em certo momento se encontra dividida em dois mundos. E o pior, um sendo inverso do outro, em suas ideologias, comportamentos, dia-dia, e até mesmo, visão de seu mundo.
  8. Duas Dimensões irmãs gemeas são separadas por um grande cataclisma, devido este acontecimento nasceram grandes montes, vales e gigantescas montanhas na terra, dentre uma dessas montanhas, uma encobriu o portal que dava o acesso aos dois mundos que agora se mantém paralelos. Um jovem garoto sonhador e que não tinha sucesso com as mulheres depois de uma tragica decepção amorosa passa algumas reviravoltas na sua vida, depois de ter pensado muito e ouvido muito conselho. Logan em meio a nova fase em sua vida agora está diante da sua decepção amorosa e junto de Gabi, Eder e o Dudu o menino de rua, eles descombrem uma grande mina de ouro dentro da Montanha do Destino, ali encontram um lugar resevardo e bem escondio, onde encontram um mapa que os leva até um portal secreto.
  9. Esta historia é de um menino, de 13 anos, ele estudava em sua cidade, pode ser qualquer cidade de tamanho pequeno americana, tinha seus amigos, dois desajustados como ele, que gostavam de ler, não tinha corpo físico para ser um jogador de futebol americano, com seus quase um metro e cinqüenta não pesava mais de 29 quilos, ele adorava escrever, e sua personagem predileta, era uma menina chamada Sheila, ele adorava a fantasia de ter um personagem que fazia o que ele queria, ela era uma feiticeira, que tinha poderes mágicos, era a imagem de uma amiga de infância, mas isto era entre ele e a personagem, ninguém mais sabia.
  10. Por conta de um experimento científico, um homem toma uma vacina que o torna imortal. Quatrocentos anos após tomar a vacina o homem conta sua saga à um Rastejumano, um ser que vive no futuro. Para seu novo amigo o homem conta todas as suas angústias, e a situações que vivenciou como guerras e uma nova divisão mundial.
  11. " ... E Deus disse: Façamos o homem a nossa imagem e segundo nossa semelhança..." O homem é talvez o único animal que tem em suas mãos o poder de desobedecer as leis da natureza e do tempo, criando sua própria evolução. Este salto é inevitável, porém, infelizmente a evolução mental nem sempre anda de mãos dadas com a evolução moral.
  12. Oito amigos de países diferentes, viajam sempre juntos. Mas desta vez algo especial esta para acontecer, o destino do planeta depende deles e desta misteriosa viajem. Eles irão em busca do “ultimo milagre”, uma mudança radical que ira salvar à todos e criar um mundo novo.
  13. Após a derrota de Lúcifer, Roger Hawkins e os quatro Escolhidos continuam a sua luta contra as restantes forças de demónios, agora desorganizadas e sem líder. Contudo, Timothy prepara-se para libertar um grupo de poderosos e antigos demónios, que ameaçam colocar a civilização humana em risco, ao mesmo tempo que continua a sua demanda para ganhar poder e libertar Lúcifer...
  14. “Então, é assim... A escuridão mostra, finalmente, a sua face. A face da covardia e da insanidade. Mas agora, a coragem de poucos faz com que o grande corruptor sinta, no ar, somente o cheiro do medo de seus próprios soldados. E são esses poucos que avançam na direção de muitos, contrariando a lógica... É verdade que, nem sempre, as lutas serão travadas nos campos, planícies e montanhas deste mundo... mas no coração de cada um. E esses poucos venceram o medo... Venceram a corrupção da alma... Venceram seus próprios desafios. E eles acreditam, apenas, em poder vencer, agora, a batalha que não pode ser vencida. Por muitas e muitas centenas de anos, eu nunca presenciei tamanha bravura contra o impossível... Eu sinto isso na minha alma e na minha carne. O coração de meu filho ainda bate nessa planície e repete, para mim, o que já foi dito... Que haverá, sim, um tempo para a paz. Mas que, também, haverá um tempo para a luta. E para essa, agora, e para esses bravos que ousam ser mais do que eles mesmos, eu me rendo.”
  15. NOSSA IDEIA de uma antologia de contos sobrenaturais e fantásticos, com toques de romantismo, deu realmente muito certo. Dois meses após o lançamento da primeira antologia em e-book, [...], agora estão de novo reunidos alguns dos autores do primeiro livro, e duas novas autoras: [...].
  16. A IDEIA DE UM e-book de contos sobrenaturais, escrito por novos autores que publicavam na internet surgiu de repente. Alguns autores já publicaram antes, outros estão inaugurando aqui sua entrada no mundo da literatura e da internet. Sempre publicando independentemente, os novos autores buscavam soluções para expor seus trabalhos, seja publicando em sites especializados em literatura de ficção, seja publicando em blogs ou comunidades do Orkut. Pela primeira vez, resolveram lançar seus trabalhos juntos, em um único volume e essa foi, sem dúvida, uma boa ideia.
  17. Niagrin Campus não passava de um adolescente normal com algumas divergências familiares até que um estranho acontecimento altera o rumo da sua vida, para sempre. Perdido numa aldeia de aspecto medieval, Niagrin encontra-se com uma estranha rapariga que juntamente com o seu avô, apresentam-lhe uma nova realidade, um novo mundo, Niagrin depara-se com a existência de uns cristais mágicos com poderes ilimitados, capazes de dominar tudo o que anda sobre o solo, num remoto reino que é governado por uma cruel e implacável feiticeira e é a ele que é atribuída a missão de salvar o reino de todo o mal.
  18. Tudo parecia demasiado marcado pelo tempo; tempos que não queriam ser relembrados nunca mais. Apenas apelava para que não sofresse e, a partir daquela idade, fosse tudo mais calmo; já era a recta final. Mas o sonho não a levou para essa recta tão delineada pelo passado tumultuoso; levou-a de novo à partida - onde tudo era simples, sem dor e onde a vontade de vencer predominava. Depois de percorrer aqueles vastos caminhos, livídos e desconhecidos, encontra finalmente o destino do dia 25.
  19. A viagem às montanhas do Tibete iria trazer-lhes mais desafios que os que esperavam. A ideia de que alguém podia matar apenas com o olhar, era dificil de aceitar e de enfrentar.
  20. Em contos curtos de fantasia, o autor procura deixar ao final deles, um despertar para a realidade de que todos somos responsáveis pelo equilíbrio ecológico da Natureza e pela salvação do planeta Terra.
  21. Fora do cânone literário tradicional, o Sol e a Lua é uma obra entre a fábula psicanalítica, a alegoria mística, a epopeia cibernética e a utopia milenar. É uma viagem pelos lugares da mente numa ausência ou relativização de tempos e espaços. O Sol e a Lua debruça-se sobre duas questões.Uma de ordem semântica : O que é o mundo? E outra de ordem epistemológica: Como aceder a ele? As possiveis respostas encontre você mesmo nestas ficções...

Para quais destes livros olhariam uma segunda vez? Basta avaliar os erros de português para excluir imediatamente uma proporção significativa, não é? Quando nem a sinopse está escrita em português correto, o livro é de certeza palha. E reduz-se mais um pouco quando, ainda que formalmente correto, o português é atabalhoado ou básico. Cortemos então essas sinopses. Ficamos com os números 1, 5, 6, 13, 15, 16 e 21. De vinte e um trabalhos restam sete, sem ser preciso mais do que olhar para o fraco português das sinopses, sem ler sequer uma linha dos trabalhos propriamente ditos. Destes sete, outros serão excluídos com igual facilidade após uma leitura rápida de umas quantas linhas do miolo, de novo bastando uma análise à qualidade do português. E assim se faz a seleção. É difícil? Nada. Consome algum tempo, mas quem resiste à ditadura do best-seller e das modas literárias e vai às livrarias à descoberta está habituado a perder algum tempo a folhear, a ler uns trechos aqui, umas contracapas ali, umas orelhas acolá. Não é nada de novo, só o meio é diferente.

Ou seja, se houver livros muito bons editados independentemente em edições POD ou ebook, eles acabam por vir à tona sem grande dificuldade, por um simples processo de eliminação. Desde que as pessoas tenham a capacidade de olhar para o livro e não para o modo como foi publicado. Desde que as pessoas evitem as ideias preconcebidas. O problema, quanto a mim, está mais aqui. Se no mundo da música tem havido a capacidade para evitar os preconceitos no que toca à edição independente, analisando-se a qualidade da música em si mesma, tendo-se mesmo chegado ao ponto de levar alguns discos independentes aos tops, no da literatura não tem. Pelo menos em Portugal. O meio é demasiado preconceituoso e presunçoso para fechar os olhos aos nomes (seja da editora, seja do autor, seja da forma de impressão ou formato, seja do que for) e focar-se realmente no conteúdo. É por isso que muitos patetas falam dos livros sem os lerem, baseando-se apenas nos géneros, nas editoras onde eles foram publicados, em tudo o que nada tem a ver com literatura. É também por isso que a implantação do ebook está tão atrasada no nosso país relativamente a alguns dos outros. E é por isso que pouca gente com algumas ambições literárias tem a coragem de avançar para autoedições. Porque num meio tão cheio de peneiras parvas como o nosso é mesmo preciso ter coragem.

E é pena. Porque isso contribui para não termos uma edição regular em géneros como a ficção científica, especialmente no que toca aos contos. É sabido que contos se vendem mal. A FC, pelos vistos, também tem passado as últimas décadas a vender-se mal. Por conseguinte, contos de FC praticamente não vendem. Ou seja: a autoedição em POD seria o veículo ideal para a edição de coletâneas de contos de FC em Portugal. Mas ela não se faz. E essa ausência de edição regular contribui não só para não existir um público, como também para não existir produção. É uma pescadinha de rabo na boca que muito pouca gente (nenhuma, se calhar?) parece estar interessada em desenrolar. Entre os autores com algum nome no nosso país só posso apontar para um caso, uma tentativa que vai mais ou menos nesse sentido: o Luís Filipe Silva, que disponibilizou gratuitamente em ebook a sua velha coletânea premiada O Futuro à Janela (e é provável que só o tenha feito por ser um livro premiado, portanto sem nada a provar a ninguém). E mais nada.

Cá para mim, devíamos aprender alguma coisa com os nossos colegas produtores culturais ali do bairro do lado, o da música. Era capaz de nos ser mais proveitoso do que ficarmos eternamente sentadinhos à espera de quimeras. E queixando-nos, queixando-nos muito.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Idiotices

Cito, só cito e digo amém: "Existem dois tipos de imbecis: os superficiais e os profundos. Eu prefiro os imbecis superficiais, são mais genuínos, terra-a-terra, dizem imbecilidades sem nenhum tipo de pretensão e normalmente têm graça. Os profundos são mais elaborados, complexos, pedantes adulterados pelo estudo e que recorrem normalmente à imbecilidade dos outros para elaborar teorias tolas, com duplo sentido."

Mas há mais, o post não se esgota aqui. Citações, palavras alheias com que o Bulhosa (auto)ironiza. E nem sequer se pode achá-lo espertinho, ao Bulhosa, senão pumba, cai-nos em cima o martelo do duplo sentido, e catrapaz, fica a cretinice própria à vista para o mundo ver. Portanto disfarcem comigo, assobiem para o ar. O homem é um palerma, não é? É, pois, havia de ser o quê?

(Mas lá que a citação que aqui reproduzo acerta na muche, acerta. Com duplos sentidos ou sem eles. E também prefiro os superficiais. De longe.)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Adamastor

Com certeza não haverá muitos leitores deste blogue que não saibam já da iniciativa, mas como me pediram para divulgar, cá vai. Até porque eu acho a ideia boa, embora de concretização francamente complicada no que toca às autorizações, em especial de material mais antigo mas ainda sujeito a direitos de autor e/ou de material recente cujos autores pretendam reeditar... o que na verdade é mais um motivo para que a coisa tenha toda a divulgação que for possível. Quanto mais gente houver a conhecer o que se passa, mais fácil, em teoria, será encontrar-se alguém que saiba como contactar Fulano ou Beltrano para obtenção das tais autorizações.

Trata-se do Projeto Adamastor, que pretende criar uma biblioteca virtual de ficção especulativa elaborada mais ou menos nos moldes do Projeto Gutenberg. Julgo que não vale a pena reproduzir aqui na Lâmpada o texto que apresenta a ideia. Podem lê-lo aqui. No mesmo local têm acesso a uma sondagem sobre se a ideia vos interessa e de que forma vos interessa.

Vão lá até lá, andem. Andor. A Lâmpada não foge, podem ficar descansados.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mais duas resenhas a Flor do Trovão nos últimos dias

Isto é basicamente um post referencial, para registar que foram acrescentadas à lista duas novas resenhas à antologia Imaginários 2, na qual tenho um conto. Bom ver que, um ano depois, o livro continua a gerar opiniões. E, claro, que estas mantêm um tom geralmente positivo, quer quanto ao livro como um todo, quer quanto à minha participação nele.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sobre as dicas de escrita do David

O David Soares publicou há bocado no blogue um conjunto de dez dicas sobre escrita, e eu assim que li a primeira pensei cá com os meus botões "diabo, que isto vai ser mau". Quando acabei, achei que tinha de comentar aquilo, e aqui está o meu comentário. A negrito estão as dicas do David mas não as explicações que dá para elas. Por baixo de cada dica estão os comentários que dica e explicação me provocam. Portanto para lerem este post é imprescindível que, antes de mais, vão lá ler as dicas dele. Depois, se quiserem, podem voltar cá. Mas só depois.

Está lido? Então vamos lá.

1- Não escrever como se fala.
Dificilmente se podia começar pior uma lista de dicas sobre escrita, francamente. E a explicação não é melhor, porque aquilo que realmente denuncia falta de talento nos escritores não é a coloquialidade, não é o "escrever-se como se fala", mas sim não saber utilizar a coloquialidade e o texto erudito nos locais que lhes são próprios. Não há coisa mais triste do que ler os diálogos forçadíssimos dos escritores suficientemente medíocres para não serem capazes de usar corretamente a linguagem coloquial. Nem o uso de coloquialismos em locais em que ficaria melhor uma escrita mais elaborada é pior do que isso. E posso mesmo dizer que há magníficas obras de literatura que fazem uso quase exclusivo da linguagem oral e coloquial. Quem quiser um bom exemplo leia Quantas Madrugadas tem a Noite, de Ondjaki. A verdade é que querer amputar o coloquialismo da literatura é equivalente a serrar uma perna duma mesa ou duma cadeira. A verdade é que tudo o que faz parte do fenómeno linguístico pode e deve servir de matéria-prima para a literatura. Tudo.

2- Aprender a gramática.
Não me oponho a esta, pelo contrário, mas tenho de fazer uma ressalva. Aprender gramática é, antes de mais, aprender a usar a língua. O António Aleixo, analfabeto como era, nada sabia das formalidades gramaticais, do que era um complemento indireto ou uma voz passiva, mas usava magnífica, e corretamente, a sua língua. Aprender gramática, no sentido prescritivo da expressão, no abstrato, é pouco menos que inútil. É o conhecimento prático que é importante para quem escreve (e para quem traduz, já agora), ainda que o outro muitas vezes dê uma ajuda importante.

3- Apesar de aprender a gramática, escrever como um escritor e não como um linguista.
Esta subscrevo. Integralmente.

4- Escrever um livro e não um guião de cinema.
Aqui também tendo a concordar, mas sou muito menos radical. Já li livros excelentes baseados em diálogos e descrições de ação, praticamente sem descrições, e já li livros muito maus quase exclusivamente descritivos. Um dos piores livros que li na vida, na verdade, tinha uma única linha de diálogo nas suas cento e tal páginas. Uma. E era horrendo. O que quero dizer com isto é que há e deve haver lugar para as duas coisas, e que nehuma é superior à outra, desde que as pessoas saibam o que estão a fazer e porque o fazem. Ah, sim, e não é questão de género, é de abordagem. O Hemingway não era um escritor de género.

5- Ser erudito.
O David aqui faz alguma confusão entre dois conceitos muito diferentes. O "ser erudito" que põe na dica não tem grande coisa a ver com o "sejam inteligentes a escrever" com que começa a explicação. O que não falta por aí é gente muito erudita mas completamente idiota (e consequentemente incapaz de transpor a erudição para uma escrita inteligente) e gente com grandes lacunas no conhecimento que no entanto é capaz de transpor para o papel um nível de subtileza e inteligência que está ao alcance de poucos. Dito isto, concordo que a busca de informação é importante, desde que não funcione como bloqueio. E mais: muitas das melhores obras são aquelas em que o escritor sabe mais sobre os temas em causa do que aquilo que transparece na obra. Muitos dos melhores escritores evitam o show-off. Mas sabem. Por outro lado, conheço vários candidatos a escritores que andam há anos em worldbuilding sem conseguirem escrever uma linha, porque quando tentam são tolhidos por aquilo que ainda não sabem, pelos bocadinhos de mundo que ainda não construíram. Aqui, como na maior parte das coisas, o que é realmente importante é ter a capacidade de encontrar um equilíbrio, que será diferente para cada autor.

6- Ler os clássicos.
Não faz mal nenhum, pelo contrário. Não me parece que tenha tanta importância como o David lhe dá, mas não faz mal nenhum.

7- Ler os melhores autores que escrevem no género de literatura em que se quer singrar.
Meh. Com toda a franqueza, acho tristíssimo que um escritor aceite, acate e contribua para a ditadura dos géneros, que é uma questão mais comercial do que outra coisa. Um escritor deve querer escrever as histórias que o inspiram, não perder tempo a pensar "mas 'pera lá, isto não é do meu género, não pode ser". Escritor que aceite isso é escritor que até pode chegar aos pináculos do género que escolheu mas no grande esquema das coisas nunca passará da mediocridade porque se condenará a ser músico de uma nota só. Um escritor que almeje passar da cepa torta deve ler de tudo um pouco. Deve ler fora do género e deve ler fora de géneros. Além disso, também não me parece que colocar o fulcro da coisa nos "melhores" seja correto. É conveniente ler-se os mais influentes, isso sim, para se saber onde e como se encaixam as histórias que se quer contar. Os mais influentes não são necessariamente os melhores.

8- Ser perseverante.
Subscrevo, por inteiro. Dica e explicação.

9- Sacrificar-se.
Também subscrevo. Mas há que saber encontrar a fronteira entre sacrificar-se e crucificar-se. E não a transpor.

10- Ser sério.
E o David acaba quase tão mal como começou. Os piores livros que li na vida eram, todos eles, insuportavelmente sérios. Mas umas merdas quase ilegíveis. Também li livros que pretendiam ser humorísticos mas que na realidade eram muito maus, ainda que não chegassem a sê-lo tanto como as tais estuchas seriíssimas. Porquê? Porque não há coisa mais difícil de fazer bem do que o humor. E também não há coisa mais importante do que o humor. O humor é a coisa mais séria do universo, a única que torna suportável a existência. Escritor (ou qualquer pessoa, na verdade) que se leve demasiado a sério tem em si os esporos da mediocridade presunçosa prontinhos a germinar à primeira distração. E uma vez brotado esse horrendo fungo dos seus esporos é preciso um tratamento duro e persistente para que a vítima se cure, pois o raio dos fungos são umas bichezas notoriamente difíceis de erradicar. Um tratamento, lá está, composto da dose correta de humor e q.b. de excipiente. Os melhores livros que li na vida, já agora, tinham quase todos seriedade e humor em doses equilibradas. Aqui, como em quase tudo, o que é realmente importante é encontrar um equilíbrio e fazer bem seja o que for que se pretenda fazer. E se for rir, será rir. Fazer rir é precisamente tão nobre como fazer pensar... e há poucas formas melhores de levar as pessoas a pensar do que fazendo-as rir.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Flor do Trovão, um apanhado

Então vamos lá fazer um pequeno apanhado daquilo que se foi dizendo na web sobre o meu conto na Imaginários 2. Se souberem de mais textos disponíveis com opinião agradeço que avisem nas caixas de comentários, pelo twitter ou pelo facebook.
  • Rober Pinheiro, no Aguarrás e no seu blogue, publica um longo parágrafo sobre o conto em que o tom geral é de apreço;
  • Marcelo Augusto Galvão, no Galvanizado, também parece ter gostado; pelo menos diz que "narrativa, personagem e cenário combinam com perfeição neste conto";
  • Ana C. Nunes, na Floresta de Livros, dá-lhe 7 valores, o que na sua classificação corresponde a "bom". No post dedicado ao conto elabora mais: "termina mais que satisfatoriamente, mas poderia ter sido ainda mais desenvolvido, a nível de personagens, mas aparte disso está muito bom." Uma coisa em que reparei é que a Ana o categoriza como fantasia. Achei curioso;
  • Daniel Borba, no Além das Estrelas, também gosta: acha-o "um dos melhores contos da coletânea";
  • Antonio Luiz M. C. Costa, na Carta Capital, escreveu um texto que parece estar agora sob acesso restrito. Contudo, ainda se consegue recuperá-lo através da cache do Google, e sobre o meu conto diz o seguinte: "Flor do Trovão, de Jorge Candeias desafia o leitor a se pôr na pele de um alienígena sem nada de humano, em um mundo estranho e primitivo. É uma história para leitores dispostos a enfrentar uma ficção científica experimental e especulativa, que busca questionar mais que divertir." Também parece ter gostado, portanto;
  • Como nestas coisas nunca há unanimidade, Cristina Alves, do Rascunhos, destoa: acha que o conto "poderia ter sido engraçado, mas falhou na concretização ao se manter demasiado superficial";
  • Igor "Valente", na RedeRPG, parece ter gostado do final mas não tanto do resto: "Carregado em uma linguagem poética grandiloqüente, o conto direciona o leitor a um determinado caminho e, de repente, puxa o tapete, com um final inesperado. Ponto para ele!" (obrigado pelo toque, Marcelo);
  • Eduardo Carvalho, do Portallos, parece também ter gostado bastante, em especial do final. "Um grande destaque da coletânea," diz, "com um final que me agradou muito. Quando pensei que caminhava para o obvio, Jorge Candeias virou para mim e disse 'Rá! Pegadinha do malandro!';
  • Junior Cazeri, no Café de Ontem, dá ideia de não ter gostado muito, embora não ache a história má. Diz que "não é uma leitura fácil" e que não é "chegado a lições de moral empacotadas e embaladas", mas que "a história não é ruim, apesar de não ser para todos os gostos." E, tal como a Ana da Floresta de Livros, também classifica o conto como fantasia.
E não conheço mais nenhuma resenha ou opinião do Imaginários 2 que fale do meu conto. Se souberem de alguma, repito, sou todo ouvidos, e o post será editado em conformidade.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Anonimatos e ratos

Para quem pensa que a questão dos anónimos não tem importância porque "a net é assim", recomendo uma visitinha ao passado. Um recuo de alguns séculos.

Era uma época em que as casas das vilas e cidades europeias se encostavam umas às outras ou eram separadas por vielas ou ruas estreitas, largas apenas o suficiente para por elas passar uma carroça, e quase invariavelmente inclinadas. Esquecidas que estavam algumas das lições que os romanos deram aos povos dos territórios que conquistaram, pelo centro dessas ruas e vielas corriam regueiros nauseabundos, para onde era despejada toda a porcaria produzida nas casas em redor. Das cascas de cenoura às águas de lavagem, da urina aos excrementos de pessoas e animais e aos vómitos de bêbados e doentes. E, claro, com tanta comida à disposição, era todo um ecossistema que partilhava essas ruas e essas casas com as pessoas. Ratos e ratazanas. Baratas. Percevejos. Mosquitos. E, claro, os gatos gordos e bem alimentados que deles se serviam.

Não terão sido poucos os que, depois de pela enésima vez chegarem a casa com os sapatos cobertos de bosta, acharam que se devia fazer alguma coisa para afastar o lixo das suas vidas, mas se o tivessem dito a alguém certamente teriam recebido a resposta de sempre dos "inteligentes" de plantão: "As coisas são assim. Habituem-se."

Então, só poucos suspeitariam, mas era precisamente esse ambiente nojento que propiciava a propagação das doenças. Foi precisamente por causa dessa falta de higiene que a peste negra matou um terço da população da Europa. Porque as pragas se disseminam sempre em condições assim. E quem sofre as consequências são, sempre, as pessoas. Quer aquelas que contribuem para a nojice reinante, ou por vontade própria ou por não terem alternativa, quer as que não o fazem.

Hoje, é a internet que, segundo os génios de plantão, "é assim". Está cá tudo. O esgoto a céu aberto, as ratazanas, os percevejos, as baratas, os mosquitos. E, claro, os gatos gordos e bem alimentados que deles se servem. E as doenças, naturalmente, propagam-se, com o beneplácito, consciente ou inconsciente, dos que dão palmadinhas hipócritas nas costas de quem se indigna com tentativas anónimas de assassínio de caráter e dizem: "é assim; habitua-te".

As ratazanas agradecem.

Mas, por aqui, e num número crescente de outros locais (é esse, aliás, um dos segredos do sucesso de redes sociais como o facebook), há canalizações. São imperfeitas? Evidentemente. São melhores que nada? Só pode duvidar de que o são quem nunca teve email sem um filtro de spam eficiente.

Ou então quem goste de chafurdar no estrume, quem se alimente das ratazanas e baratas, quem as use para os seus fins inconfessáveis.

Pois bem: eles que fiquem lá bem espojadinhos na lama deles. O resto de nós, ou parte para sítios mais salubres, ou vai construindo lentamente um cordão sanitário em volta dos seus queridos esgotos. Lixo, só lê quem quer.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só filhos da puta comentam anonimamente

Vou ser brutalmente claro: só filhos da puta comentam anonimamente, especialmente quando usam o anonimato para insultos e atoardas. Digam o que disserem, o que dizem só vale o esforço de descarregar o autoclismo. E quem presta a mínima atenção a filhos da puta que comentam anonimamente é um imbecil.

Há muitos filhos da puta e imbecis? Há. Montes deles. E em certos ambientes, então, pululam como baratas. E não é de hoje nem de ontem.

De modo que vou instituir aqui na Lâmpada uma regra: comentário anónimo vai imediatamente pia abaixo. Eventuais comentários de resposta a esses comentários também, mesmo que estejam identificados. Depois de publicar este post, vou imediatamente mudar as regras de aceitação de comentários aqui para utilizadores registados. E só.

Espero que outros sites sigam este exemplo. É a única forma de nos vermos todos livres pelo menos de parte dos canalhas que por aí andam.

PS - na verdade, e pensando melhor, vou fazer mais do que esperar que sigam este exemplo, vou suspeitar de que gostam de comentários anónimos se não o fizerem. Vou suspeitar de que usam os comentários anónimos para lançar os insultos e lançar as suspeitas que lhes ficaria mal lançar em nome próprio. Vou suspeitar de que quem escreve comentários anónimos são eles.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Réplica à resposta à contraposição ao post do Senhor Palomar

O Senhor Palomar achou por bem publicar uma réplica ao post que eu aqui publiquei há umas horitas. Aquece-me o coração vê-lo tão atento, e agradeço a consideração. Mas julgo ter de explicar melhor uma coisa que aparentemente deixei menos clara.

O meu problema não são as posições políticas, Palomar. Que alguém tenha ideias direitistas, esquerdistas, medianistas, alteradas, banais, radicais, etecetritais, está no seu pleno direito e tem toda a legitimidade para as divulgar quando e como muito bem entenda. Eu namorei por três anos com uma votante no CDS, e só me arrependo da segunda metade do último ano por motivos que nada têm a ver com a política. De modo que por mim, Senhor Palomar, pode ser de direita à vontade. É só através da discussão franca e honesta de ideias diferentes que se pode chegar a algum lado que se assemelhe, ainda que vagamente, a alguma espécie de verdade.

Mas é precisamente aqui que bate o ponto.

Porque não existe discussão franca e honesta de ideias diferentes quando se usam subterfúgios para tentar impôr as nossas. Subterfúgios como a omissão dum facto que, por si só, explica imediatamente toda a "incoerência" que o Senhor Palomar aparenta ver na situação em Salvaterra. Não é franco, não é honesto e, convenhamos, não é lá muito bem educado, porque está nas entrelinhas a acusar o partido e/ou a autarca de não serem sinceros nas posições que são públicas ao mesmo tempo que omite aquilo que basicamente demonstra essa sinceridade. E isso não lhe fica nada bem.

De modo que talvez não me seja necessário engolir o sapo soareiro para continuar a ler o blogue. Basta apenas que as ideias apareçam de futuro livres deste tipo de deturpações e omissões. Por mais erradas que me pareçam.

É a chamada honestidade dos direitinhas. Nada que surpreenda, portanto. O costume. Mais do mesmo. Enfim, é o que é.

O Senhor Palomar tem um blogue porreiro. Quando fala de literatura é uma voz digna de ser ouvida, e já tem escrito e publicado coisas em que eu dou por mim a responder a cada palavra com um "pois é" interno. E não foi uma nem duas vezes que isso aconteceu.

O problema é que não se fica pela literatura. E em coisas como esta, entra política dentro. Se o fizesse decentemente, tudo bem, mas não o faz. Fá-lo enviesadamente, com deturpações grosseiras da verdade e com insultos implícitos.

Senão, vejamos.

Insinua ele que é exemplo da "coerência habitual" do BE que o partido tenha uma posição oficial sobre as touradas e outros espetáculos de degradação taurino-equestre, enquanto a presidente-candidata à câmara de Salvaterra de Magos, eleita nas listas do BE, se manifeste favorável a tais espetáculos.

Ora, o Senhor Palomar, que é óbvio que não é nem inculto, nem burro, nem mal informado, sabe perfeitamente que Ana Cristina Ribeiro não é militante do BE. Talvez seja o BE o partido com que mais se identifica, razão pela qual se sentirá bem concorrendo nas suas listas mas, se não é militante, é porque tem pontos de divergência com a linha oficial do partido que considera suficientemente relevantes para impedir que nele se inscreva. Eu sei como é: é o que acontece comigo, com a diferença de eu não ser candidato a nada. Mas não me inscrevo no partido em que tenho votado quase sempre nos últimos anos e com o qual mais me identifico no geral porque há coisas em que discordo por completo dele. Assim são todos os não-militantes partidários, suponho eu. Ou pelo menos aqueles que têm algumas ideias políticas na cabeça.

Ora bem: pelas posições tomadas publicamente por ambas as partes, é evidente que um dos pontos de discórdia entre partido e candidata independente é o modo como devem ser encarados pela sociedade no seu todo os espetáculos tauromáquicos. Ambas as partes aceitam essa divergência como parte inevitável e natural de se lidar com pessoas que pensam pela própria cabeça, e nenhuma das partes ousa tentar reprimir ou suprimir as ideias discordantes da outra, o que é sintoma de espírito tolerante e democrático, que qualquer pessoa que fosse realmente tolerante e democrática só poderia saudar.

Sabendo o Senhor Palomar disto, como certamente sabe, como se explica aquela tentativa patusca de associar uma posição da independente que é candidata a presidente duma câmara a pretensas "incoerências" num discurso partidário, suprimindo precisamente a parte da história que explica as divergências? Sim, que o Senhor Palomar fala como se Ana Cristina Ribeiro e o BE fossem uma e a mesma coisa, e sabe perfeitamente que isso é uma deturpação desonesta da realidade.

Mas não é nada que surpreenda. Mesmo. A nossa lamentável direita é quase toda assim. Só tenho pena é de que o síndroma ataque desta forma devastadora um blogue que, em geral, até se pode ler.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Blogtailor attitudes

O blogue Blogtailors publicou ontem uma nota que remete para e cita uma notícia a respeito de indefinições na adoção do acordo ortográfico em Portugal. Em apenas cinco linhas, a citação consegue a proeza de divulgar duas informações erróneas, e eu decidi escrever um comentário a dar conta dessas incorreções. Reconstruo de memória, mas tanto o conteúdo como o tom eram estes:

Há aqui várias incorreções.

Em primeiro lugar, é falso que a reforma ortográfica tenha sido ratificada por quatro países. Além dos quatro que a nota refere, também Timor-Leste assinou e ratificou o acordo, ficando a faltar apenas a Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.

Em segundo lugar, não foi só Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe que assinaram o acordo. Todos os países lusófonos o assinaram, bem como aos protocolos modificativos. O que falta não é a assinatura, mas a ratificação dessa assinatura.


Resultado do meu comentário? A sua não publicação. E a alteração da nota com a inclusão daquele "[SIC]" que agora lá se encontra. Não é uma atitude bestial?

Não é a primeira vez que tal coisa me acontece, e sei de outras pessoas que foram tratadas com igual desrespeito. Mas a verdade é que quem se prejudica são os próprios blogtailors. O que eles conseguem com este tipo de atitudezinha prepotente é que ou as pessoas os mandam à fava, ou então deixam de lhes comentar os disparates discretamente nas caixas de comentários, onde ficam escondidos de quase toda a gente, para passarem a fazê-lo em público noutros blogues indexados por motores de pesquisa (coisa que ou não acontece com os comentários ou acontece com a atribuição de um page-rank bem mais baixo, que faz com que esses resultados sejam empurrados bem para o fim da lista), associando eficazmente o seu nome a posts como este.

É uma escolha que os Blogtailors têm feito. Assim seja.

Adenda, 4 de Outubro: Fui alertado por uma série de três comentários anónimos aqui na Lâmpada (todos publicados imediatamente, claro, apesar do insulto implícito) para o curioso facto do meu comentário ter sido entretanto publicado. Não sei quando. Sei que não foi quando o fiz, a 28 de Setembro. Sei que não foi no dia seguinte, 29 de Setembro. Sei que não foi a 30 de Setembro, data deste post, e data em que reparei que o tal "sic" tinha sido adicionado ao post original, o que prova que já nesse momento o meu comentário tinha sido lido e não publicado. Sei que nem sequer a 1 de Outubro foi, porque fui lá ver. Pode ter sido noutro dia qualquer desde então, mas o que mais provável me parece é ter sido hoje e o anónimo não ser propriamente anónimo.

Note-se que não fui só eu a constatar a ausência do comentário. Aliás, o link para o post está ali em cima para isso mesmo: para as pessoas comprovarem por si essa ausência. Foram várias as que o fizeram. De modo que se alguém sente alguma tentação de tentar passar a ideia de que isto que aqui está é uma "difamação", desiluda-se: ninguém acredita.

Isso não me leva a mudar uma vírgula a este meu post. Só o futuro dirá se ele serviu para os Blogtailors perceberem os tiros no pé que têm vindo a dar e os levou a mudar de atitude, se a publicação tardia do comentário serviu apenas para dar motivo a um "anónimo" para me vir aqui tentar puxar as orelhas. Se se der o primeiro caso, ótimo, fico contente; se se der o segundo, é uma crapulice sem nome. Seja qual for o caso, caro "anónimo", se alguém deve desculpas a alguém são, ainda, os Blogtailors. A mim e a todos os outros que têm sido alvo do mesmo tipo de atitude.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ponto da situação

Parafraseando "a malta", então é assim:

Os posts "semanais" na Lâmpada morreram. Paz à sua alma, etc. e tal e coiso. Foi um ar que se lhes deu. Puf.

Estou mais bem dispostinho: a família já sofre menos, embora ainda não se saiba o que causou o início de tudo isto, aquele mui assustador ataque de há semanas. Mas o tratamento vai resultando, e isso anima as pessoas. Ir-se tendo bons resultados nas análises — estão três feitas e a última marcada para amanhã, e de duas já se sabe o resultado; por agora, está quase tudo bem — também. Fica só aquele "mas que raio foi aquilo?" a remoer a mente, mas fica quase sempre sob controlo, bem guardado lá muito ao fundo do armazém de moléculas orgânicas a que chamamos memória.

As leituras vão passar a autonomizar-se. Acabo um conto ou livro, venho aqui dizer umas palavrinhas sobre ele, se tiver tempo, sem ficar à espera de que a roda da semana assente no sábado. E não, não tenho lido muito. Na verdade, tenho lido muito, muito pouco. Falta de tempo, sim, mas acima de tudo falta de disponibilidade mental. Fases.

Quem quiser saber como vão as traduções ou outros projetos, siga-me no twitter. De vez em quando sairão por lá umas notinhas sobre essas coisas. Por aqui será mais raro, mas não digo que não fale delas de vez em quando, em especial quando algum livro sair ou algum projeto for finalizado.

Ah, sim e reavivei o Thousands of Planets. Fui mais ou menos forçado a isso, conforme está explicado aqui. Se se interessam por planetas e sabem inglês, passem por lá.