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sexta-feira, 16 de junho de 2006

A Europa civilizada e a outra Europa

Euro 2004, jogo Portugal-Espanha. Nem o mais pequeno sinal de problemas.

Mundial 2006, jogo Alemanha-Polónia. Pancadaria da grossa. Centenas de idiotas presos.

É a "rivalidade histórica", dizem na TV. Vendo as coisas por esse prisma, dir-se-ia que não há "rivalidade histórica" entre Portugal e a Espanha. Dir-se-ia que não andámos também séculos à batatada, com passeatas ocasionais de exércitos por cá e também por lá (um facto pouco conhecido: enquanto que os espanhóis nunca conquistaram Lisboa, os portugueses conquistaram Madrid uma vez).

Dir-se-ia.

Também se dizem outras coisas. Diz-se, por exemplo, lá pela Europa hiperbórea, e também nesta Europa que se deleita a queixar da "choldra", que a Europa civilizada pára nos Alpes, nos Balcãs e nos Pirenéus (e mesmo os franceses, enfim...)

Diz-se.

As coisas que se dizem são um mundo dentro do mundo. E fora dele, são dez mundos.

sábado, 21 de maio de 2005

As Europas II - Os Povos



De volta à nossa fantasmagórica "pequenez" no contexto europeu, este mapa aqui por cima indica todos os países cuja população é claramente menor que a de Portugal, isto é, todos aqueles em que o número de habitantes não atinge os 10 milhões. Embora não pareça, são 30 estados (58% dos estados da Europa) e é também de notar que alguns destes estados têm no seu interior minorias étnicas que por vezes são suficientemente importantes para pôr em causa a unidade do respectivo povo. Lembro-me, por exemplo, dos 4 ramos etnico-linguísticos que compõem a Suíça, da minoria albanesa na Macedónia, dos lapões do norte dos países escandinavos, dos russos nos países bálticos, etc.



Mas há mais: os estados assinalados neste mapa aqui por cima são os países europeus cuja popuação é sensivelmente idêntica à nossa, ou seja, entre os 10 e os 11 milhões. São 7 ao todo (contando com Portugal, portanto), o que dá 13% da Europa. Vários destes países também são bastante plurais, em especial a Sérvia e Montenegro e a Bélgica, dois países que geram regularmente hipóteses de desmembramento.

Claramente mais populosos que o nosso, portanto, são só... 29% dos países europeus! Menos de um terço. Onde está a tal pequenez?



Se calhar o mapa acima explica. Mostra os grandes povos da Europa, aqueles com mais de 3 vezes o número de habitantes de Portugal, isto é, todos os que são habitados por 30 milhões ou mais de pessoas. Embora na maioria sejam países pouco homogéneos, com vários povos no seu interior (ver-se os casos de Espanha, Reino Unido, Ucránia ou, até certo ponto, mesmo a França ou a Itália), ocupam a maior parte da Europa e quase todos os nossos vizinhos mais próximos pertencem a este grupo de países. Tal como acontece em termos de área, também quando se leva em conta a população Portugal está um pouco isolado entre nações maiores aqui nesta parte da Europa.

Mas a verdade é que o nosso é um país de média dimensão, seja qual for o critério utilizado. Vamos passar a tratá-lo como tal?

As Europas



Aqui há tempos escrevi um post em que dava conta do meu desagrado perante a contínua afirmação de que Portugal é um país pequeno. O mapa que vêm acima é a representação gráfica do motivo. Inclui Portugal e todos os países mais pequenos que o nosso que há na Europa, alguns dos quais têm um tamanho razoável, outros que quase nem se vêm. No mapa nem parece muito, mas isso é porque a maior parte da área da Europa é ocupada pelo punhado de países que são verdadeiramente grandes. A vermelho conta-se um total de 29 estados, incluindo o nosso. Isso corresponde a 56% dos países europeus.



Aqui por cima encontra-se um mapa em que estão assinalados os países europeus com um tamanho sensivelmente igual ao do nosso, isto é, entre os 80 mil e os 110 mil quilómetros quadrados. São 5 países (9% da Europa): Áustria, Hungria, Islândia, Portugal e Sérvia e Montenegro. A Bulgária é muito ligeiramente maior que 110 mil km² e está nas margens deste grupo.



E aqui em cima estão os grandalhões, ou seja, todos os que têm mais de 300 mil km². Apesar da grande mancha vermelha que originam, são só 11 estados, isto é, 21% dos países europeus.

Portugal está, portanto, no meio, embora esteja um pouco isolado enquanto país de tamanho médio aqui na Europa Ocidental, o que talvez contribua para a nossa sensação de pequenez. Mas é uma sensação falsa, e mais falsa ainda será se contarmos não com a área do país mas sim com o tamanho do povo. Mas isso ficará para outro post.

(mapas feitos graças a estes gajos)

terça-feira, 26 de abril de 2005

Prós e Contras

Não sou público habitual do Prós e Contras, programa que, embora lhe veja interesse em princípio, cai demasiadas vezes, parece-me, num círculo vicioso de discursos inconsequentes dos quais nunca se parte para a concretização de alguma coisa e nem sequer serve para o esclarecimento dos cidadãos que precisam de facto de ser esclarecidos (não garanto, mas cheira-me que o público do P&C é composto quase integralmente por elites à partida bem informadas), mas o tema hoje interessou-me e vi o programa desde o princípio.

O programa ainda não acabou, mas já me irritaram profundamente duas coisas:

Parece que faz uma falta diabólica ao país gente como eu. Gente com competências formais e informais que lhes permitem mover-se com alguma à-vontade no admirável mundo novo das tecnologias de informação, gente que é capaz de gerar conteúdos, gente capaz de dialogar com o mundo que fica lá fora do nosso país e da nossa língua. Então se eu sou assim tão necessário, por que caraças não recebo uma proposta de emprego por semana? Por que caraças é que todos os licenciados desempregados que conheço me dizem que lhes é muito mais difícil encontrar emprego do que um qualquer matarruano que mal assinar o nome sabe? Por que caraças o mesmo já me foi dito por gente que trabalha no IEFP? Por que caraças os técnicos do IEFP admitem que não sabem como encontrar empregos para licenciados porque não há empresas a abrir vagas? Por que caraças toda esta conversa da necessidade de gente qualificada cada vez mais me soa como uma enorme e amarga mentira?

A outra: somos pequeninos, parece. Às vezes, somos muito pequeninos. E parece que isso é uma tragédia. Então não compreendo porque é que o mesmo não se passa com a Irlanda, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Áustria e Dinamarca, só para firarmos na Europa dos 15, todos países mais pequenos que Portugal. São 6 países mais pequenos que nós. Ou, se o critério for a população, podemos excluir a Holanda e incluir a Suécia e a Finlândia. Passam a 7, os países mais pequenos que nós, ou seja, metade da Europa dos 15 tem mais população que Portugal, a outra metade tem menos. Mas não, nós somos pequeninos, e por sermos pequeninos não temos hipótese no confronto com os outros, os grandes, dizem eles. Estou cada vez mais farto desta conversa de chacha, que só serve para atirar areia para os olhos das pessoas, para tentar levá-las a não ver aquilo que começa cada vez mais a ser impossível de esconder: a raiz dos problemas portugueses.

Que não é mais do que a superior incompetência dos nossos gestores, dos nossos empresários, do nosso sistema de justiça, da nossa administração, pública e privada, dos governos que tivemos de aturar ao longo de séculos. Esta é a raiz de todos os nosso problemas, não a fantasmagórica pequenez que cada vez menos existe. Na Europa actual, seja qual for o critério que se utilize à excepção da UE de antes do alargamento, que concentrava em si a maioria dos grandes países do continente, Portugal está no topo da tabela entre os estados, quer em dimensão territorial, quer em população. Metam-me isso nessas cabecinhas duras, meus senhores, e párem de dizer asneiras. Já fartam.