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sábado, 30 de maio de 2015

Sobre pessoas que nunca mais deviam pôr os pés na RTP

A história é edificante.

Aqui há tempos, a RTP emitiu, tanto no primeiro como no segundo canais, uma peça miserável sobre o acordo ortográfico, repleta de mentiras, de desinformação, de comentários ao lado sobre coisas que nada têm a ver com o AO, e por aí fora. Uma coisa inqualificável.

Margarita Correia teve o desplante, vejam só, de contactar o provedor do telespetador a queixar-se da peça, ainda para mais emitida numa estação que tem obrigação de fazer serviço público. O resultado desse contacto pode ser visto aqui.

Rita Marrafa de Carvalho ficou histérica. Publicou no facebook uma imagem retirada do programa com o seguinte comentário:


E eu, quando vi isto a ser partilhado no meu facebook, fiquei abismado com tamanha falta de noção. Quem diabo é a Rita Marrafa de Carvalho para querer proibir a Margarita Correia ou seja quem for de "pôr os pés na RTP," essa televisão de serviço público pago, também, com os meus impostos?!

Perguntei-lhe isto mesmo no twitter, onde era um dos meus contactos. Era. Já não é. Porquê?

Ora, porque respondeu desta forma:


Por enquanto, enfim, escapa. Apesar de se custar a perceber onde raio está a indecência de protestar contra uma peça miseravelmente mal feita e tendenciosa, ou qual a desonestidade intelectual de repor a verdade, isto é uma resposta que se aceita, com alguma boa vontade. Ah, mas logo a seguir veio isto:


À segunda mensagem, sem sequer me dar tempo para responder à primeira, veio o primeiro insulto. Quando eu finalmente consegui responder à primeira mensagem com um "Cuspir no prato?! Fazem peças carregadas de aldrabices e depois quem vos corrige está a cuspir no prato?!" a resposta foi a seguinte:

E logo a seguir:

E logo a seguir:

Não, não estou a omitir nada. A coisa veio mesmo assim, incoerente, saltando de umas coisas para outras sem que se perceba um fio condutor, com jornalistas que pelos vistos deviam ter sido "perturbadas," e por aí fora. Daqui, no meio de muita patetice, regista-se uma coisa importante: para a Marrafa, a jornalista não está obrigada a procurar o contraditório: pode dizer todas as asneiras possíveis e imaginárias numa peça, todas as aldrabices, que não se passa nada. Mas quem se queixa ao provedor, isso sim, tem de procurar contraditório. Nem é o próprio provedor, note-se, porque a sanha da Marrafa está dirigida contra a Margarita Correia, não contra o provedor e quem elabora o respetivo programa: para a Marrafa, são os que se queixam da qualidade miserável do trabalho jornalístico que têm a obrigação de tentar ir perguntar à "jornalista" que o fez quem foram as fontes, e se calhar, já agora, por que raio não consultou uma fonte que soubesse alguma coisa sobre o que estava a falar. Sabem? Porque raio não fez... como é a palavra?... Ah!, sim.

Contraditório.

Entretanto, eu tinha conseguido finalmente responder à mensagem com o primeiro insulto, a segunda deste arrazoado, com uma mensagem sarcástica:

Citando: "Se calhar, esta senhora nunca mais põe os pés na RTP, não? "

Não é proibir nada, claro. Naaada.

 E a Marrafa:


Claaaro que não é. Pois haveria de ser o quê?


Aqui seria eu a exclamar "olhem-me bem para a indecorosa desculpabilização que aqui vai!" Seria, mas não tive tempo, porque entretanto estava a tentar responder àquela em que a pseudo-dona-disto-tudo "garante que [Margarita Correia] não volta mesmo" a pôr os pés na RTP, mais ou menos ao mesmo tempo que me tentava fazer de parvo a dizer que não estava armada em porteira de discoteca a decidir quem entra e quem não entra. E devo confessar que aqui já estava eu também enxofrado. Um tipo só consegue aturar estupidez e má-criação até certo ponto. O que lhe mandei foi o seguinte:

A fürer Marrafa manda. Indecoroso é desinformar, indecoroso é mentir. Indecoroso é aldrabar o povo.
E aí, a nossa queridinha remata com:


Boa educação a toda a prova, hã? Mas esperem. A seguir ainda veio outra:
 
Sobre as dezenas de aldrabices que a coleguinha disse, nem palavra. Aliás, é "desonestidade intelectual" falar delas. Mas a única parte da intervenção da Margarita Correia em que ela não foi cem porcento factual (sim, é verdade, ratificar não é assinar, se bem que também seja absoluta verdade que TODOS assinaram... entretanto, a miserável peça que a Marrafa defende com unhas e dentes dizia que só quatro países ratificaram, quando a verdade é que SEIS países ratificaram... mas que interessa isso?), ah, isso justifica proibi-la de entrar na RTP. E quem chama a atenção para a vigarice da peça é intelectualmente desonesto, iletrado semântico sem uma "life" e um alarve que diz alarvidades.

E é a isto que o dinheiro dos meus impostos paga o salário.

De facto há aqui alguém que devia ser proibido de entrar na RTP. Mas de certeza que não estou a falar da Margarita Correia.

No meu twitter, pelo menos, não volta a entrar. O block é uma grande invenção. E espero bem que não me voltem a maçar no facebook com partilhas de asneiras bolsadas por esta senhora.

Adenda: Este blogue é moderado precisamente para evitar que comentários que comecem com "ó Candeias, mete o AO naquele sítio," ou coisas do género, venham poluí-lo. Querem mandar-me comentários desses? Façam favor. Eu até me divirto a lê-los. Fazem bem ao ego. Mostram até que ponto estou do lado certo. Mas não esperem que eles sejam publicados, porque não serão. Esclarecidos? Ainda bem.

Adenda de 2 de maio: Parece que os "tradutores contra o acordo ortográfico" (é pelo menos um tipo, que até já foi à televisão e tudo, começar a gritar por cima de quem estava — infrutiferamente — a tentar debater com ele) acham muito bem a atitude da Marrafa. Ora veja-se:


Parece-me naturalíssimo: não há nada que mais ameace os aldrabões do que haver quem lhes rebata as mentiras. É natural que queiram proibir quem fala a verdade de ir à RTP e a qualquer outro canal de televisão. E à rádio e aos jornais e por aí fora. Para esta gente, devia haver censura prévia, não fosse dar-se o caso de alguém conseguir furar o bloqueio de vigarice e explicar as coisas tais como elas são. Aliás, há quem se aproxime de tal forma de algo que só pode ser qualificado como fascismo ortográfico que qualquer dia vão querer enfiar os "acordistas", e especialmente os "empedernidos", num tarrafalzeco para lhes passar essa tendência para "trair a pátria". Já faltou mais. Não propriamente pelo texto (até porque é texto obtido na imprensa, não é de lavra própria), mas o título... ah, o título é todo um programa político.

domingo, 24 de agosto de 2014

O zero à esquerda

Há poucas coisas mais patéticas do que alguém que expõe obra ao público ser incapaz de aceitar quando a avaliação dessa obra pelo público não é a melhor. E quando essa incapacidade de aceitar críticas ultrapassa certos limites, a coisa deixa de ser simplesmente patética para passar a sintoma de desequilíbrios mentais mais ou menos graves. Quando o "escritor" passa a percorrer compulsivamente a internet, à caça de tudo e de todos os que possam ter o desplante de não lhe estender passadeira vermelha e o colocar no pedestal que acha que merece, em estátua equestre e pose heroica e tudo, passando de seguida a tentar intimidá-los para que se calem, a insultá-los para que o insultem de volta e possa depois vir vitimizar-se, apontar dedos, rasgar camisas porque tudo é pessoal, a coisa só se resolve com visitas regulares ao psiquiatra e comprimidos, muitos comprimidos.

E quando nem é preciso que as pessoas manifestem reservas relativamente à qualidade da "obra" para haver intimidação, invariavelmente malcriada, bastando tão-só que não falem dela, por esquecimento ou pura e simplesmente por não estarem para alimentar malucos, então provavelmente nem o psiquiatra resolverá alguma coisa.

Octávio dos Santos levou anos a chatear-me por um motivo ou por outro. O mais comum foi a ausência de uma ou outra das suas "obras primas" no Bibliowiki, como se alguém tivesse alguma obrigação de fazer passar sua excelência à frente das centenas de outras publicações que estão à espera de haver tempo e paciência para as integrar no site. A princípio ainda lhe respondi, depois passei pura e simplesmente a ignorá-lo. Aí, a coisa escalou, e escalou ainda mais por causa do Acordo Ortográfico (o tipo é histericamente contra). Às tantas começaram a aparecer comentários completamente trogloditas aqui no blogue, ao mesmo tempo que um pseudónimo que ou era ele ou lhe imitava perfeitamente a falta de estilo destilava veneno por essa internet fora. Comportamento típico de troll.

Ora, um blogue é uma espécie de casa. Posso não ser o tipo mais arrumado do mundo, mas não estou disposto a abrir a porta a qualquer bestunto que assim que chega escarra para o chão, deita abaixo os quadros pendurados na parede, lança dois ou três insultos ao anfitrião, trepa para cima da mesa da sala, onde larga uma poia, invade o quarto e vomita em cima da cama, e desata depois a berrar que aqui d'el rei que o estão a maltratar quando é posto na rua a pontapé. Portanto, desde esse momento em diante Octávio dos Santos ficou proibido de comentar na Lâmpada, a menos que mantenha a mais absoluta delicadeza. Caso contrário, é apagado. Faria isso com qualquer indivíduo que se comportasse reiteradamente como ele. Mas embora já tenha havido por aqui vários casos de falta de chá, nenhum foi reiterado. Nenhum se prolongou no tempo. Com uma única exceção: ele.

Agora, atrevi-me a não gostar de um conto que a criaturinha pariu. Achei-o muito fraquinho, e na verdade não se percebe como é possível alguém achar muito fraquinho um conto que inclui superlativos exemplos de exímio estilo no manuseio da língua portuguesa como "para desse modo poderem mais facilmente atraírem e recrutarem" (p. 78), entre muitos outros que não cito agora porque não tenho pachorra para passar mais que trinta segundos a catar frases neste opus magnum. Só pode ser má vontade, com toda a certeza. Portanto lá veio o inevitável ataque de caráter, primeiro em comentário, que evidentemente foi apagado, e logo de seguida num blogue de uma pseudo associação, cuja sistemática instrumentalização para vendettas pessoais é bem o espelho da qualidade da criatura, incapaz de separar o que é pessoal daquilo que supostamente está a ser feito em nome de um coletivo, e do miserável estado a que a dita associação chegou.

(A propósito, uma associação, supostamente, não deve ter... associados? Sabem como é? Aquelas pessoas que se... associam? E não tem de prestar contas aos ditos cujos? Os associados daquilo, se é que existem, pactuam com este comportamento? Alguém sabe?)

No meio da diatribe, apercebi-me com espanto e não pouca vontade de rir que uma das coisas que o tipo me ataca por fazer é "revelar o fim do conto." Espanto e vontade de rir porque o fim do conto é óbvio desde a primeira página... ou mais especificamente desde o parágrafo que faz a transição da primeira página para a segunda. E descubro agora que isso não é propositado, que o autor pretendia fazer com que o conto tivesse um final surpreendente. Ou seja, que a coisa é ainda pior do que eu pensei a princípio. Que o tipinho não faz mesmo a mais pequena ideia do que anda a fazer.

Realmente o Santos tem razão e eu tenho de pedir desculpa aos meus leitores. O conto dele não é muito fraquinho. É, isso sim, uma gigantesca porcaria. Que me fique de lição.

E agora que venha a resposta malcriada tão fatal como o destino, que será rigorosamente ignorada. Depois de excecionalmente alimentar o troll, regresso à boa prática de o ignorar. Que é, basicamente, o que toda a gente acaba mais tarde ou mais cedo por fazer.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Ah, e depois há as gralhas

Ainda sobre o acordo ortográfico, para terminar bem o dia, e porque vi alguém referir-se a uma compilação que um caturra qualquer fez sobre usos incorretos da nova ortografia que terá ido apanhando por aí, incluindo o uso de "fato" em vez de "facto" em documentos portugueses, eis uma referenciazinha a certo tipo particularmente elucidativo de lixo.

Há que admirar, diga-se, a desfaçatez destas criaturas. Começam por intoxicar a opinião pública, espalhando um monumental chorrilho de aldrabices sobre a nova ortografia, disseminando coisas como esta imbecilidade de imagem que aqui vos mostro e a que apus o carimbo de LIXO para evitar que a reutilizem...


(Quando a verdadeira "Versão Acordo Ortográfico" é, obviamente, "O cágado está de facto na praia")

... e depois de fazerem todos os possíveis por lançar a confusão no máximo possível de cabeças vêm culpar o acordo ortográfico por a confusão estar lançada.

É impressionante.

Mas é um bom retrato do nível rasteiro a que esta cambada tem descido. Quem precise de ser elucidado quanto ao tipo de gentinha que se tem agregado no bando dos caturras, tem aqui uma magnífica ilustração.

Palavras para quê? São artistas portugueses e não faço ideia que pasta medicinal usam nem se usam alguma.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A estupidez revela-se nestas coisas

Andam aí os caquéticos da velha ortografia com tudo aos saltos porque, segundo dizem, "o Brasil meteu o acordo ortográfico na gaveta", ou vai adiá-lo, ou não sei que mais. As versões são múltiplas.

E, como é hábito nesta gente, são um chorrilho de asneiras.

A verdade é apenas a seguinte: um senador brasileiro, repito, um senador, membro do equivalente local ao nosso PSD que, como os de cá, procura qualquer pretexto para criar dificuldades ao governo quando não é da sua cor política, fez no senado uma proposta para adiar para 2016 a entrada plena em vigor da nova ortografia.

Precisam que eu repita?

1) É uma proposta.

2) Feita por um senador.

3) Destina-se a adiar a entrada plena em vigor da nova ortografia. Esta estava prevista para 2013, se não me engano.

Precisam que eu explique?

No Brasil, como em Portugal, como nos demais países lusófonos, não se adota a nova ortografia de um dia para o outro. Existe um período de transição, durante o qual estão as duas em vigor, a nova e a antiga. No Brasil, como em Portugal, estamos agora dentro desse período. Em Portugal, ele vai até 2015. E no Brasil, no caso improvável desta proposta ser aprovada (o PSDB é minoritário), iria até 2016.(*)

O tal senador, que tem tido por lá mais ou menos o mesmo papel que o Graça Moura tem desempenhado por cá, justifica o adiamento com a ideia de que é preciso tempo para reformulações e detalhamentos de alguns pontos da nova ortografia. Nunca fala em abandono ou anulamento. Fala em aperfeiçoamento.

Mas claro que os idiotas da velha ortografia não perceberam nada, como sempre, e fizeram uma monumental trapalhada com base nisto. Já andam por aí a dizer idiotices como "o Brasil meteu o acordo ortográfico na gaveta," "o Brasil deu uma chapada de luva branca em Portugal" e outras coisas do género. Por causa de uma proposta de um senador.

E é assim que se revela a monumental estupidez desta gente. Não é por terem as opiniões que têm sobre o acordo. É por serem incapazes de compreender as coisas mais óbvias e nunca se coibirem de asneirar a partir dessa sua incapacidade de compreensão.

E são isto, as "elites" desta pobre terra. Alguém ainda se admira por estarmos no estado em que estamos?

(*) Segundo diz o tal senador, Dilma Rousseff aceitou a ideia e está a preparar um decreto nesse sentido, o qual dispensa a votação no senado. Não sei bem se acredite: esta malta é bem conhecida por distorcer os factos. Na verdade, tenho estado à espera do desmentido. Mas o caso de já se terem passado alguns dias e este ainda não ter aparecido dá-lhe uma certa credibilidade. A ver vamos se essa credibilidade se concretiza ou não. Seja como for, trata-se, repito, de um adiamento do momento em que a velha ortografia deverá deixar de ser usada e só disso.

sábado, 8 de setembro de 2012

Sim, não são todos iguais

E hoje, precisamente hoje que ficámos a saber que vamos ser ainda mais roubados por este bando de canalhas que quem votou neles elegeu, precisamente hoje convém sublinhar isto:
Partidos, académicos, opinadores, ativistas que alertaram para os erros evidentes da receita do memorando - em si mesma e não apenas na intensidade da sua execução - foram invariavelmente desqualificados pela retórica política oficial e pelos fazedores de opinião sempre prestáveis aos poderes do momento. Eufóricos no seu galopante "rumo ao infinito e mais além", os troikistas disseram de quem repudiou o empobrecimento como receita para o enriquecimento, o desemprego como receita para o trabalho ou a emigração como receita para o triunfo que não passavam de um bando de irresponsáveis. Pois agora o País percebe com clareza de que lado estava afinal a irresponsabilidade.
Porque não, não são todos iguais. Porque não, este não era o único caminho. Porque houve, sim, quem alertasse e voltasse a alertar para este ser o resultado inevitável desta política completamente imbecil que esquece uma coisa tão básica na economia como sem poder de compra não existir mercado e sem mercado não existir economia e sem economia não existir a mais pálida possibilidade de reduzir o défice. Portanto o défice sobe. Inevitavelmente.

Porque há anos que há quem seja consequentemente contra o rumo que foi seguido primeiro pelo PS, depois por esta desgraça de coligação que vocês que neles votaram elegeram, e durante o tempo todo pelo bando de políticos mais medíocres, mais vendidos, mais burros que a Europa teve desde a Segunda Guerra Mundial, avisando e voltando a avisar que o resultado ia ser precisamente este.

Precisamente hoje há que recordar estes factos para ver se vocês acordam duma vez. E para ver se começam a fazer alguma coisa, em vez de se ficarem pelos lamentos nas redes sociais e pelas piadas sobre essa anedota nacional que é o Relvas. Podem começar por uma manifestação que está marcada para Lisboa, no próximo sábado, dia 15. Mas isso só pode ser o começo. Isto não mudará com uma manifestação. Mas tem de mudar, e temos de fazer o que for preciso para que isto mude.

O que for preciso. TUDO o que for preciso. Senão este bando de cretinos leva-nos a todos à miséria mais abjeta.

domingo, 29 de abril de 2012

Da retórica enquanto lixo

Cada vez me dou menos ao trabalho de rebater afirmações caluniosas ou aquelas insinuaçõezinhas torpes que tão frequentes são no modo de agir daquelas pessoas que, tantas vezes a coberto do anonimato, vêm para a internet destilar veneno. Hoje, excecionalmente, vou fazê-lo como meio de mostrar algumas diferenças.

Num dos comentários a este post, um tal "Mario" que finge não ser anónimo usando um nome comum, mas na verdade é-o porque tem um perfil vazio e mais nada, acusa-me dissimuladamente de ser alguém que "à primeira oportunidade tenta agradar aos "grandes", e enche-se de razão e finge-se [sic] saber mais do que sabe." Provas do que diz? Não dá, claro. É a típica acusaçãozinha rasteira, não substanciada e vazia que este tipo de gente tanto gosta de usar.

O que eles deviam fazer, para que alguma hipótese houvesse de terem a mínima relevância no debate era, para começar, terem a coragem básica de se identificarem quando estão a falar com gente identificada. E em segundo lugar, de consubstanciarem o que dizem com algo que pelo menos se assemelhe a factos.

Dou um exemplo.

O mesmo "Mario" produz a seguinte afirmação, plena de elegância: "O problema dos acordistas é fazerem olho cego ao verdadeiro problema do Acordo: É uma imposição de traços ditatoriais. Nenhum deles tem testículos para discutir esse ponto."

Ou seja, segundo ele, o Acordo Ortográfico, ratificado por larga maioria na Assembleia da República pelos deputados eleitos pelo povo, o mesmo tendo acontecido com os protocolos retificativos, o último dos quais, lembro-me bem, foi ratificado em cumprimento de uma promessa eleitoral, é "uma imposição de traços ditatoriais". Ora eu, baseando-me nos factos supracitados, digo que esta afirmação é absolutamente idiota e revela que o nosso comentador anónimo nada sabe sobre o que é a democracia. Para ele, as coisas são democráticas quando são do seu agrado; se não são, trata-se de "imposições de traços ditatoriais".

Eis o ponto discutido por um "acordista". Pelos vistos tenho testículos. Viva eu.

Mas o verdadeiro ponto que aqui quero sublinhar é este: rebater um argumento com factos faz parte da discussão. Anular uma afirmação de totalitarismo com os factos a respeito do modo como o acordo foi aprovado pelas instituições democráticas deste país é, realmente, produzir argumentos. E avaliar os conhecimentos ou a ignorância de quem faz uma tal afirmação com base no resultado desses argumentos é legítimo e inteiramente válido.

Pelo contrário, atirar retórica insubstanciada e caluniosa ao ar não passa de lixo.

Já há demasiado lixo por aí. Não façam mais. Mas se não conseguirem resistir, e bem sei que há por aí muita gente que não consegue resistir a produzir lixo, não esperem que eu me dê ao trabalho de vos dar alguma atenção. Vão ficar a falar sozinhos. Temos pena.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Idiotices

Cito, só cito e digo amém: "Existem dois tipos de imbecis: os superficiais e os profundos. Eu prefiro os imbecis superficiais, são mais genuínos, terra-a-terra, dizem imbecilidades sem nenhum tipo de pretensão e normalmente têm graça. Os profundos são mais elaborados, complexos, pedantes adulterados pelo estudo e que recorrem normalmente à imbecilidade dos outros para elaborar teorias tolas, com duplo sentido."

Mas há mais, o post não se esgota aqui. Citações, palavras alheias com que o Bulhosa (auto)ironiza. E nem sequer se pode achá-lo espertinho, ao Bulhosa, senão pumba, cai-nos em cima o martelo do duplo sentido, e catrapaz, fica a cretinice própria à vista para o mundo ver. Portanto disfarcem comigo, assobiem para o ar. O homem é um palerma, não é? É, pois, havia de ser o quê?

(Mas lá que a citação que aqui reproduzo acerta na muche, acerta. Com duplos sentidos ou sem eles. E também prefiro os superficiais. De longe.)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Da mediocridade

Uma notinha muito rápida para dizer uma coisa: não há sintoma mais claro de mediocridade do que a sistemática tentativa de menorização pessoal daqueles que expressam frontalmente opiniões com que não se concorda. Isto é particularmente evidente quando o assunto são escritores e as respetivas obras. Sim, falo de Saramago e das manadas de imbecis que agora se comprazem em comemorar a sua morte. Mas não só.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Limpeza dos últimos pratos

Já agora, e para limpar os pratos todos no que a esta nojeira diz respeito, vou aqui assumir, e fechar de vez, a minha "carreira anónima".

Criei, anonimamente, dois blogues. O Galgo Fedoralgo e o MacJête, ambos com a ambição de serem humorísticos. O primeiro nunca teve leitores, provavelmente por nunca ter tido piada; o segundo teve leitores e, segundo alguns desses leitores, alguma piada. Ambos estão mortos há muitos anos.

Em fóruns em que a regra era usar pseudónimos (cada vez é menos, mas numa dada altura isso era norma), fui semianónimo em alguns. Em todos já não escrevo há anos. E digo semi porque nunca neles me inscrevi com endereços de email que não fossem os mesmos que uso para tudo o resto e, portanto, ainda que os utilizadores normais não soubessem com quem estavam a falar, os administradores sempre souberam. Estão nesse caso o Bad Books Don't Exist, onde tive umas trocas azedas de palavras com o "dono" daquilo, o qual sabia perfeitamente que o "itsfullofstars" era eu, O Cantinho dos Livros, cujo admin revelou, assim que me inscrevi, e com a minha autorização, que eu era o "CantoInferiorEsquerdo", e julgo que também usei um pseudónimo qualquer no SciFreaks, que parece estar extinto (ou pelo menos inacessível de momento) e não me permite ir confirmar. E só. Noutros sítios sou ou Candeias, ou Jorge, ou uma mistura das duas coisas. Quando comento em blogues, por exemplo, é invariavelmente como Jorge, e sempre assim foi, exceto, se bem me lembro, um caso há uma porção de anos em que comentei como Jorge C. num blogue político qualquer para me distinguir de outro Jorge que andava por lá a dizer disparates.

E agora, graças a recentes canalhices provenientes do mesmo sítio de onde elas provém sempre neste deprimente fundown lusitano, só me encontrarão ou no fórum da Saída de Emergência (onde sou "candeias"), ou na minha conta de twitter ou na de facebook, ou no Thousands of Planets ou aqui na Lâmpada, ou então em blogues que me exijam autenticação. Se vir a opção de comentar anonimamente, vou-me embora, quer tenha alguma coisa a dizer, quer não tenha. As coisas chegaram ao ponto em que quem aceita comentários anónimos está a promover a canalhice, a calúnia e o respingar de lama para todos os lados. O mais certo é os anónimos serem eles próprios (na verdade, em certos casos, sei que são). E eu, de certos vigaristas e canalhas só quero uma coisa: distância. Muita.

E se vos disserem, ou de alguma forma sugerirem (certa gentalha é perita na insídia), que algum texto que não obedeça ao que ficou aqui escrito acima é meu, exijam provas. Elas não existirão. E quem o afirmar ou sugerir é um mentiroso e um canalha.

PS de alguns minutos mais tarde: entretanto consegui, por vias travessas, verificar qual o nome que usava no SciFreaks, e não era pseudónimo: era "candeias". Ficam só aqueles dois, portanto.

PPS de algumas horas depois: Esquecimento imperdoável, que no entanto se explica por nada ter a ver com o fundown! Fui também anónimo noutro sítio: no chat que o Markl tinha. Aí era itzemi. Deixei de lá ir mais ou menos na altura em que abri conta no twitter.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só filhos da puta comentam anonimamente

Vou ser brutalmente claro: só filhos da puta comentam anonimamente, especialmente quando usam o anonimato para insultos e atoardas. Digam o que disserem, o que dizem só vale o esforço de descarregar o autoclismo. E quem presta a mínima atenção a filhos da puta que comentam anonimamente é um imbecil.

Há muitos filhos da puta e imbecis? Há. Montes deles. E em certos ambientes, então, pululam como baratas. E não é de hoje nem de ontem.

De modo que vou instituir aqui na Lâmpada uma regra: comentário anónimo vai imediatamente pia abaixo. Eventuais comentários de resposta a esses comentários também, mesmo que estejam identificados. Depois de publicar este post, vou imediatamente mudar as regras de aceitação de comentários aqui para utilizadores registados. E só.

Espero que outros sites sigam este exemplo. É a única forma de nos vermos todos livres pelo menos de parte dos canalhas que por aí andam.

PS - na verdade, e pensando melhor, vou fazer mais do que esperar que sigam este exemplo, vou suspeitar de que gostam de comentários anónimos se não o fizerem. Vou suspeitar de que usam os comentários anónimos para lançar os insultos e lançar as suspeitas que lhes ficaria mal lançar em nome próprio. Vou suspeitar de que quem escreve comentários anónimos são eles.

terça-feira, 7 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

E eis que o João Seixas desce às catacumbas do asco

Com isto caíram todas as máscaras que ainda pudessem existir. Nunca vi ninguém descer tão baixo, nunca vi tamanho arraial de deturpações, mentiras, insultos, e a mais vil das baixarias. O João Seixas revelou-se com absoluta clareza como aquilo que sempre foi.

Ainda bem. Quando o sol brilha sobre as coisas feias deste mundo, os homens sabem finalmente com o que contam.

Ainda pensei se valeria a pena meter as mãos em tal lodo, porque se há coisa certa quando se metem as mãos no lodo é ficar-se com elas sujas. Mas a coisa é demasiado grave para ficar sem resposta. Portanto, mola no nariz, e vamos lá mostrar quem aqui fala verdade e quem mente.

Escreve o Seixas:

É que quer o Jorge, quer o Nuno, parecem pensar que estamos ainda nos primórdios da FC Portuguesa. O Jorge, por exemplo, acredita que a FC Portuguesa nasceu com ele, em 2000, e que desde essa data o devia orbitar, fascinada pela sua capacidade de luminosa condução do género na agreste travessia dos vários desertos que tem enfrentado.


Se o Seixas acha que o Jorge e o Nuno pensam isso, lá com o Seixas. Nada de novo. Mas o exemplo sobre as "crenças do Jorge" chega a ser divertido quando se tem em vista que naquilo que eu realmente escrevi é referida uma quantidade de colecções que já estavam todas mortas ou moribundas em 2000. A honestidade resplandece.

O que o Nuno pensa ele o dirá, se quiser, mas o que eu penso é que se foram cometendo variadíssimos erros ao longo da história da edição de FC em Portugal, erros esses que foram afastando público, que, no entanto, continua a estar lá à espera de quem o saiba ir encontrar. Nenhuma semelhança, como qualquer pessoa com olhos na cara poderá ver, com a bojarda do Seixas. E sim, Seixas, editar colecções antes do seu tempo é um sinal de incompetência, é sinal de que o editor não está sintonizado com o seu público, e que portanto é um mau editor, seja ou não membro de alguma cáfila (de camelos?), seja ou não sinistro. A Contacto é por isso mesmo um excelente exemplo do tipo de erros que afastou os leitores. Posts como este do Seixas são outro exemplo, igualmente excelente na vertente asquerosa da coisa. São precisamente estas coisas que enterram a FC portuguesa. E a culpa dos erros é de quem os comete, certamente não do público leitor.

Mais. Escreve o Seixas:

No meio da sua diatribe, meio contrafeito, ele lá acaba por dar razão àquilo que eu aqui escrevi: o principal problema, assumido ou não, que assola a presente situação da FC Portuguesa é o público leitor. Isso transparece quando afirma, referindo-se aos Editores nacionais, que “nunca lhes entrou na cabeça que públicos leitores diferentes tomam opções diferentes de leitura, e tentaram impingir aquilo que achavam o supra-sumo da modernidade ou dos clássicos, importando padrões alheios que, como deveria ser evidente para qualquer um, não funcionam necessariamente por cá (…)”. Ou seja, o nosso público leitor, pelo menos de há 45 anos para cá (embora pudéssemos alargar isso à data da criação da Colecção Argonauta) não tem padrões de cultura que lhe permitam apreender e apreciar, nem as obras clássicas da FC, nem as mais recentes evoluções do género. Ou, porque o Jorge espalha esta sua asserção indiscriminadamente pelos anos 1980s, 1990s e 2000s, seria de perguntar quando perderam os leitores esses padrões? Ou mesmo, se alguma vez os chegaram a ter?


Admire-se o grau de deturpação que aqui está patente. Eu escrevo que editores incompetentes são incapazes de se aperceber de que públicos diferentes têm necessariamente opções diferentes quando chega a hora de preferir leituras, e que portanto é erro crasso tentar simplesmente macaquear padrões alheios como bom macaquinho de imitação. Aqui o nosso impoluto amigo diz que eu digo que o público português não tem padrões de cultura. Eu falo em padrões diferentes, o tipo diz que falo em ausência de padrões. Palavras para quê? É um artista português, e se calhar até lava os dentes.

E depois tem o desplante de pedir consultadoria grátis. Paguem-me, e eu explico. Se bem que de certos tipos nem a transferência do Cronaldo chegaria, até porque o mais certo seria o cheque vir sem cobertura. E porque de nada valeria. Há gente que é incapaz de acolher uma ideia nova na caixa craniana.

Depois, vem isto:

Certamente, uma editora gerida pelo Jorge Candeias seria um motor imparável na criação de um público leitor de FC em Portugal. Aliás, a actividade do Jorge Candeias nesse campo está cheia de sucessos e bons exemplos. Ele conhece perfeitamente o público leitor, e escreve especificamente para ele. Infelizmente, os seus trabalhos foram recusados por TODAS as editoras nacionais a que foram submetidos; o seu romance on-line, gratuito, teve um afluxo de leitores digno de um best-seller, alcançando quase… duzentos! Tudo isto, observe-se, são dados objectivos e frios, independentes de qualquer consideração sobre o mérito dos trabalhos do Jorge (que, como todos nós, é capaz tanto do melhor como do pior). Mas que impõe mais uma vez a questão: culpa dos Editores que não compreendem o Público Leitor? Culpa do Público Leitor que não compreende o Jorge? Culpa do Jorge que não compreende nada?

É verdade, os meus trabalhos foram recusados por todas as editoras nacionais a que foram submetidos. A contagem completa é a seguinte: O Por Vós lhe Mandarei Embaixadores foi submetido a uma editora: a Presença. E... hm... é só. Além dessa, houve uma única submissão (que não é bem submissão, é mais um sondar de interesse sobre trabalhos que ainda precisariam de ser trabalhados) cuja resposta ainda não chegou. E rejeitei um convite para publicar um livro de contos por achar que não tinha na altura nenhum conjunto suficientemente coerente. Isto quanto a trabalhos grandes, claro. Em contos e afins tive um rejeitado pela Ficções, e sei que estou aí em óptima companhia. E é só, porque as outras antologias foram todas organizadas por convite e não por submissão, e como toda a gente sabe no convite entra-se mais no território da clique do que de qualquer outra coisa. Os dois convites que tive rejeitei-os a ambos, embora por razões diferentes. O livro que publiquei não foi propriamente submetido à edição (foi a concurso), portanto se calhar não conta. E as publicações pagas que tenho lá fora não estão em Portugal. Voltando ao Por vós..., os dados da edição electrónica estão desactualizados. Neste momento, segundo o Google Analytics, o número de visitantes já soma 277. Fizeram 420 visitas e viram quase 700 páginas.

E é esta a verdade, pura e inadulterada por seixices.

Agora vamos à mentira. A mentira é dizer-se que eu "escrevo especificamente para [o público leitor]". Nunca na vida escrevi para o público leitor, e menos ainda quando escrevi o Por vós... Este foi escrito para me divertir a mim, como, aliás, está claramente dito aqui, onde também quem souber ler nas entrelinhas verá que não o considero propriamente o supra-sumo da minha produção literária. Se o Seixas não fosse o exemplo de honestidade que é... mas que digo eu? Se o Seixas não fosse o exemplo de honestidade que é, o inferno estaria coberto por um glaciar. Há hipóteses demasiado absurdas para sequer perder tempo com elas.

Quanto ao resto, sim, tenho feito pela vida. Nos últimos três anos passaram-me pelas mãos quase cinco mil páginas, que me esforcei por traduzir o melhor possível e respeitando escrupulosamente os prazos, e estou a contar só os livros já publicados. Há mais dois por aí a rebentar - mais umas 800 páginas, mais ou menos. Garanto que foi mais fruto dos timings da editora do que de opções próprias - eu teria preferido um ritmo mais brando, especialmente no ano passado. E construí quase sozinho um site bibliográfico com 16500 entradas. Não é nada, diz o tipinho. E depois acaba dizendo uma coisa óbvia:

Quem reclama a falta de publicação de ficção curta nacional, deve divulgá-la e criticá-la (e, já agora, comprá-la) quando esta é publicada.

Isto pretendendo subentender que não é o meu caso, claro. Ora, como sabe qualquer pessoa que tenha lido ainda que um punhado dos tais posts semanais, se há coisa que neles falo é dos contos que vou lendo. Lamento só ter começado a fazê-los depois de ter lido tanto a Sombra Sobre Lisboa, como as Ficções Científicas e Fantásticas, como os Contos de Terror do Homem-Peixe. É pena. Teria tido todo o gosto em esfregá-los na cara do Seixas, até porque felizmente bits não se sujam. Mas o que não falta ali é apreciações a contos e livros nacionais. Quem tiver dúvidas vá lê-los.

Mais palavras para quê? É este tipo que acusa os outros de má-fé. É este exemplo de honradez que acusa os outros de desonestidade.

Nota: post editado para remover o pior dos insultos. Foi estúpido publicar este post de cabeça quente. Os insultos fizeram-me descer ainda mais baixo do que o tipo. Não que não ache que os mereça, e a mais alguns, mas há coisas que fazem perder a razão onde ela existe e esta é uma delas. Por mais razão que eu tenha, ela ficou diminuída com a atitude à carroceiro. Depois de respirar fundo, lamento-a.

sexta-feira, 16 de junho de 2006

A Europa civilizada e a outra Europa

Euro 2004, jogo Portugal-Espanha. Nem o mais pequeno sinal de problemas.

Mundial 2006, jogo Alemanha-Polónia. Pancadaria da grossa. Centenas de idiotas presos.

É a "rivalidade histórica", dizem na TV. Vendo as coisas por esse prisma, dir-se-ia que não há "rivalidade histórica" entre Portugal e a Espanha. Dir-se-ia que não andámos também séculos à batatada, com passeatas ocasionais de exércitos por cá e também por lá (um facto pouco conhecido: enquanto que os espanhóis nunca conquistaram Lisboa, os portugueses conquistaram Madrid uma vez).

Dir-se-ia.

Também se dizem outras coisas. Diz-se, por exemplo, lá pela Europa hiperbórea, e também nesta Europa que se deleita a queixar da "choldra", que a Europa civilizada pára nos Alpes, nos Balcãs e nos Pirenéus (e mesmo os franceses, enfim...)

Diz-se.

As coisas que se dizem são um mundo dentro do mundo. E fora dele, são dez mundos.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

O spam mais ridículo que recebi até hoje

Citação (quase) textual:

Exmo(a) Senhor (a)

O Director da Área de História, Prof. Doutor [nome omitido por pudor], da Universidade Lusófona, vem levar ao conhecimento de V. Exas. o Blog “Apostar na [omitido... pudor]”, onde encontrará opiniões e comentários aos acontecimentos políticos da nossa vida quotidiana.

[endereço do blog omitido por pudor]

Apresentamos os melhores cumprimentos
Pel’O Director
O Secretariado


Fiquei sem saber é quem é que escreve os posts, se o senhor doutor director, se a sua secretária.

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Curioso fenómeno de certas discussões

Há discussões e conversas esclarecedoras e construtivas. Mas conversas como esta são bastante mais curiosas, porque são conversas das quais cada um dos interlocutores sai convencido de que acabou de trocar palavras com um rematado idiota, por maior que fosse o respeito mútuo à partida.

É fascinante.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Como identificar um burro

É bastante simples. Se se trata da variante zoológica, basta olhar: se for equino, cinzento e tiver umas grandes orelhas e um ar robusto, está visto. Se mesmo assim persistir a dúvida, basta atentar ao comportamento: se empancar num certo sítio sem motivo aparente e daí não se mover nem que chovam pedras e lâminas de barbear, e se depois, de novo sem qualquer motivo, se puser a andar, então está mais que claro que o animal pertence a essa peculiar espécie asinina que tantas referências deu ao nosso consciente colectivo.

Se for da variante sociológica é mais complicado. Esse tipo de burro disfarça-se bem. Passamos por eles na rua sem nos darmos conta de que por nós passa zurrante jumento, embora alguns sinais forneçam pistas que ao fim de algum tempo aprendemos a detectar. Um certo olhar parado e sem vida. Uma certa apetência pelas últimas modas. Um certo ar de pasmo perante o mundo, por vezes escondido por trás de uma máscara de tédio blasé. Um algo difícil de pôr em palavras, mas que mesmo assim nos deixa a certeza: ali vai um burro.

E tal como acontece com os seus equivalentes de quatro patas, também as dúvidas relativas aos burros de duas se dissipam quando lhes damos acesso à palavra, seja oral, seja escrita.

Nos blogues, esse tipo de burro gosta de se passear pelas caixas de comentários, assinando comentários agressivos quase sempre com nome falso, à procura de causar uma reacção qualquer, em busca daquela satisfação patética de ter alguém neste vasto mundo a prestar-lhes um minuto de atenção.

Eu agora tenho por cá um. Começou com uma opinião sobre um álbum do Jiro Taniguchi que não me agradou. Nem disse que não prestava, note-se. Nem disse que era uma porcaria. Disse apenas que não me agradava, o que é uma expressão de gosto pessoal perfeitamente assumida. Mas mesmo assim, o burro sentiu-se atingido na sua fascinação cega pelo desenhador nipónico. Deixando o comentário não no post sobre o Taniguchi mas junto do pobre fanzine Phantastes, que não tem nada a ver com o assunto, coitado, o burro ordena-me que leia isto e aquilo "e depois venha cá escrever", como quem grita do alto do seu talibanismo "o menino cale-se imediatamente, que falar mal do Profeta é blasfémia". Logo a seguir, sem sequer compreender que a minha opinião pessoal se limita a um álbum e que nela não disse rigorosamente nada sobre o que quer que seja para além desse álbum específico, o burro lança a fatwa: "depois de teres lido estes dois livros, pelo menos, então podes criticar o homem", como quem diz que "és um ignorante e não sabes nada de nada". Os burros são assim: não percebem as coisas. Confundem-se. As correntes de ar que correm dentro das suas cabeças arrastam os pensamentos confusos que vão brotando dos seus cérebros pouco férteis e baralham-nos todos. Atrapalham-se. Trocam opiniões sobre um livro com críticas ao homem que o desenhou e respondem às primeiras como se das segundas se tratassem.

E chegados a este ponto, claro, temos o burro identificado com tanta certeza como se fosse quadrúpede, orelhudo e cheirasse mal. E é escusado tentar qua a criatura se mova. Não vale mesmo a pena: à semelhança dos quadrúpedes seus semelhantes, estes asnos de duas patas quando empancam não se movem um milímetro. Para ele, eu não estar disposto a ser criticado por aquilo que não escrevi (uma crítica ao Taniguchi) é sinal de que sou "um miúdo", "sem maturidade democrática" (o burro vê debates na televisão e apanha uns chavões), "virgem ofendida" ou "geniozinho". O burro acha que tem o direito de impedir que eu no meu blogue escreva precisamente o que me dá na real gana e ordena-me que "aceite os comentários e acabou". Que o blogue seja meu, que por isso seja eu o único responsável pelo que nele se escreve e que exista uma coisa chamada liberdade de expressão não lhe entra no microcéfalo. A única coisa que vê é que alguém se atreveu a não se espojar em reverência perante Sua Santidade Taniguchi, "o homem que mete o Moebius num bolso e que dá lições de BD e de humanidade absolutas". Para o burro só se pode falar do seu pequeno deus se for para dizer "amen" e "oremos irmãos". Para ele, as opiniões que não sigam a ortodoxia devem ser suprimidas. Por vontade dele, fechava-me o blogue, dava-me uma tuna de porrada e enfiava-me numa masmorra.

Isto tudo é fundamentalmente patético e dar-me-ia vontade de rir se não fosse um pequeno detalhe: este tipo de pensamento é, por natureza, fascista. E há aqui, misturado à avantajada dose de burrice de que o burro, naturalmente, dá mostras, algo de perturbador, uma maneira de pensar que causa arrepios. Gente desta é perigosa. Podemos e devemos rir-nos dela, mas não convém que nos destraiamos porque se o fizermos um dia acordamos todos a balançar na ponta de uma corda ou encarcerados numa sala sem ventilação e com um tubo cheio de verdete que verte gás.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Quão idiota será preciso ser-se para cair no conto do vigário de um vigarista estúpido?

Todos vocês já conhecem o célebérrimo "nigerian scam", não conhecem? Só para o caso de não conhecerem, trata-se de um esquema, originário da Nigéria, onde um fulano qualquer, invariavelmente próximo do poder político e/ou financeiro de um país qualquer, se propõe dar aos otários lucros fabulosos em troca da intermediação nas trasacções. Trocando por miúdos: o otário é intermediário, os fundos são fornecidos pelo vigarista e o otário fica com uma comissão. Claro que depois nada se passa assim, e para que o negócio avance o otário acaba a desembolsar quantias razoáveis e nunca chega a ver um chavo. Mas como há muita gente estúpida por este mundo fora, e como os canalhas sempre se aproveitaram da burrice alheia, parece que a vigarice dá bom dinheiro, caso contrário nunca duraria há tanto tempo.

Recebo regularmente exemplares sortidos do "nigerian scam" aparentemente vindos das mais diversas partes do mundo, em especial de África e da Europa de Leste. É parte do fluxo habitual de spam, que é quase sempre devidamente enviado para o junk folder pelo filtro de email. Mas de vez em quando há um título que me chama a atenção. Foi o caso de hoje. O motivo? Pela primeira vez envolvia um PALOP: São Tomé e Príncipe.

O vigarista seguia a cartilha habitual. Que era tradutor do antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, patati patata, que se chama Afonso dos Santos, patata patati, que tinha uma proposta de investimentos a fazer-me patati patata blá blá blá blá. Nada de novo. Mas o mais interessante estava reservado para o fim. O nosso inteligente amigo "Afonso dos Santos" achou que era boa ideia terminar o seu email da seguinte forma:

Thanks as I await your response.
Yours Faithfully
Joyce Russell


Quão burro terá de ser o otário para cair nesta?

sábado, 30 de julho de 2005

Prioridades

Esperem lá, deixem-me lá ver se percebi bem...

Então parece que um jogo chamado Grand Theft Auto, que premeia os jogadores que roubarem carros, atropelarem transeuntes inocentes, assassinarem polícias, partirem montras, etc., etc., etc., foi banido na Austrália por causa de... cenas de sexo? Que nem sequer estão integradas no jogo propriamente dito?

Quer-me parecer que há alguém que tem um sério problema de distorção de prioridades...