O português do Brasil tem peculiaridades curiosas. Uma delas é a palavra "queima" que, para lá do significado vulgar assume também o de "saldo". A expressão, suponho, deverá ter vindo de "queima de stocks" ou algo de semelhante, e que dito assim a coloca num plano mais banal e menos exótico.
Outra das peculiaridades do português do Brasil é ter-se optado por não traduzir a sigla inglesa de Objecto Voador Não Identificado, que por cá deu no neologismo ovni. Por lá ficou ufo (de Unidentified Flying Object), e deu origam a mais algumas palavras, como por exemplo ufológico.
Vem tudo isto a propósito de um spam que eu recebi e que anunciava cheio de entusiasmo uma "grande queima de material ufológico".
E eu desejei que se tratasse de uma quema a sério, com altas labaredas. Afinal de contas, um dos processos aceites para nos desembaraçarmos de lixo é a incineração.
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quinta-feira, 27 de abril de 2006
sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Sabia que o português não é oficial nas Nações Unidas?
Sim, o português, apesar de ser uma das 10 línguas mais faladas do mundo, uma das 4 que são faladas em todos os continentes, uma das línguas universais do planeta, não é língua oficial das Nações Unidas. Há agora uma petição para fazer pressão para que essa injustiça seja solucionada. Eu já assinei.
terça-feira, 25 de outubro de 2005
Sobre o Glossário da Sociedade da Informação
Há um par de dias ouvi pela primeira vez falar de uma coisa que eu, em princípio, achava utilíssima e que já fazia falta há muito, muito tempo. É que sou, há muito, defensor de que todos lucraríamos com uma adaptação bem feita da miríade de anglicismos que nos têm entrado à martelada na língua por via da informática. Defendo, entre outras coisas, que os brasileiros deviam deixar-se de "mouses" a adoptar o nosso "rato" e que é bom que nós paremos de falar em barbarismos como "dauneloudear" ou "fazer dauneloude" e adoptar o "baixar" brasileiro duma vez por todas.
Hoje, resolvi ir lá ver que tal era, afinal, o novíssimo Glossário da Sociedade da Informação, formal e academicamente disponível aqui (em PDF).
Aparentemente, o glossário junta terminologia bem estabelecida, descrevendo o significado e indicando o equivalente (ou a ascendência) inglês a tentativas de tradução e adaptação de termos que nós teimamos em usar em inglês. Parece bem feito, em geral, mas padece de um enorme defeito que, na minha modesta opinião, irá corroer grande parte da sua eficácia.
Para explicar melhor, deixem-me divagar um pouco. Tudo na minha modestíssima opinião, bem entendido.
Uma das forças da língua inglesa, e um dos motivos por que se presta tanto à penetração noutros idiomas (àparte o poderio comercial de coisas como a música ou o audiovisual) é a facilidade, o à-vontade e mesmo o humor com que integra e desenvolve neologismos ou adapta palavras para tudo quanto surja de novo. "Bit" é simplesmente uma nova palavra que resulta da contracção de "binary digit", o seja "dígito binário". "Byte", por seu lado, significa "mordida" e é um caso de aplicação cheia de humor de uma palavra pré-existente a um novo conceito por via da sua semelhança fonética e gráfica com o neologismo bit. Se fôssemos transpor esta filosofia para o português, ao bit chamaríamos "dib", e ao byte "bibe", ou algo de semelhante (um bibe, afinal, é algo usado pelos putos).
Mas no português não temos essa tradição. Especialmente em Portugal. Tratamos a língua de um modo demasiado sisudo, demasiado sacrossanto, demasiado inflexível na plasticidade que as palavras poderiam ter. A excepção são as camadas mais marginalizadas, onde surgem gírias e termos novos que, no entanto, é raro atravessarem a barreira da exclusão e entrarem no léxico comum, muito menos em léxicos especializados como o informático. O Brasil, nisso, tem a grande vantagem de ser mais aberto à experimentação, mas a verdade é que os resultados são frequentemente catastróficos, porque em vez de se basearem no conhecimento da língua se baseiam principalmente na sua ignorância. O mesmo, diga-se de passagem, aconteceria em Portugal caso por cá arriscássemos mais. Se há coisa que nos une aos brasileiros é o nosso fraco conhecimento da língua que partilhamos.
Além disso, em Portugal há muito quem tenha orgasmos quando consegue complicar o que é simples.
E é assim que no tal glossário que é o tema deste post aparecem termos como "administrador web" (para "webmaster" - e podia ser-se tão criativo com "webmaster"), "análise criptográfica" (para "criptoanalysis" - mas que mal tem "criptoanálise"?!), "barreira de segurança" (para "firewall"), "caixa de envio" (para "outbox"), "centro de atendimento" (para "call center"), etc., etc.
Se repararem bem, todos estes exemplos têm uma coisa em comum. Ou antes: duas. Em primeiro lugar são traduções sem qualquer imaginação. Em segundo, as expressões portuguesas são maiores que as inglesas. E este último facto é quase omnipresente em todo o glossário, com raríssimas excepções.
Ora, como os feitores do glossário tinham obrigação de saber, a língua, especialmente a oral (que é a que realmente interessa), é preguiçosa. Tende a seguir atalhos sempre que os encontra, para poupar tempo e esforço. E é por esse motivo que ninguém dirá coisas como "administrador web" quando pode dizer "webmaster". Só se tivesse de enrolar muito a língua, o que não é o caso (facilmente se pronuncia a palavra "uebmasster"). E é por isso que me parece que este glossário será em grande medida ineficaz. Toda a gente continuará a preferir "email" a "correio electrónico" ou "e-trade" a "trocas comerciais electrónicas" (gah!) por falta de uma alternativa realmente boa. E isso, é uma pena.
Hoje, resolvi ir lá ver que tal era, afinal, o novíssimo Glossário da Sociedade da Informação, formal e academicamente disponível aqui (em PDF).
Aparentemente, o glossário junta terminologia bem estabelecida, descrevendo o significado e indicando o equivalente (ou a ascendência) inglês a tentativas de tradução e adaptação de termos que nós teimamos em usar em inglês. Parece bem feito, em geral, mas padece de um enorme defeito que, na minha modesta opinião, irá corroer grande parte da sua eficácia.
Para explicar melhor, deixem-me divagar um pouco. Tudo na minha modestíssima opinião, bem entendido.
Uma das forças da língua inglesa, e um dos motivos por que se presta tanto à penetração noutros idiomas (àparte o poderio comercial de coisas como a música ou o audiovisual) é a facilidade, o à-vontade e mesmo o humor com que integra e desenvolve neologismos ou adapta palavras para tudo quanto surja de novo. "Bit" é simplesmente uma nova palavra que resulta da contracção de "binary digit", o seja "dígito binário". "Byte", por seu lado, significa "mordida" e é um caso de aplicação cheia de humor de uma palavra pré-existente a um novo conceito por via da sua semelhança fonética e gráfica com o neologismo bit. Se fôssemos transpor esta filosofia para o português, ao bit chamaríamos "dib", e ao byte "bibe", ou algo de semelhante (um bibe, afinal, é algo usado pelos putos).
Mas no português não temos essa tradição. Especialmente em Portugal. Tratamos a língua de um modo demasiado sisudo, demasiado sacrossanto, demasiado inflexível na plasticidade que as palavras poderiam ter. A excepção são as camadas mais marginalizadas, onde surgem gírias e termos novos que, no entanto, é raro atravessarem a barreira da exclusão e entrarem no léxico comum, muito menos em léxicos especializados como o informático. O Brasil, nisso, tem a grande vantagem de ser mais aberto à experimentação, mas a verdade é que os resultados são frequentemente catastróficos, porque em vez de se basearem no conhecimento da língua se baseiam principalmente na sua ignorância. O mesmo, diga-se de passagem, aconteceria em Portugal caso por cá arriscássemos mais. Se há coisa que nos une aos brasileiros é o nosso fraco conhecimento da língua que partilhamos.
Além disso, em Portugal há muito quem tenha orgasmos quando consegue complicar o que é simples.
E é assim que no tal glossário que é o tema deste post aparecem termos como "administrador web" (para "webmaster" - e podia ser-se tão criativo com "webmaster"), "análise criptográfica" (para "criptoanalysis" - mas que mal tem "criptoanálise"?!), "barreira de segurança" (para "firewall"), "caixa de envio" (para "outbox"), "centro de atendimento" (para "call center"), etc., etc.
Se repararem bem, todos estes exemplos têm uma coisa em comum. Ou antes: duas. Em primeiro lugar são traduções sem qualquer imaginação. Em segundo, as expressões portuguesas são maiores que as inglesas. E este último facto é quase omnipresente em todo o glossário, com raríssimas excepções.
Ora, como os feitores do glossário tinham obrigação de saber, a língua, especialmente a oral (que é a que realmente interessa), é preguiçosa. Tende a seguir atalhos sempre que os encontra, para poupar tempo e esforço. E é por esse motivo que ninguém dirá coisas como "administrador web" quando pode dizer "webmaster". Só se tivesse de enrolar muito a língua, o que não é o caso (facilmente se pronuncia a palavra "uebmasster"). E é por isso que me parece que este glossário será em grande medida ineficaz. Toda a gente continuará a preferir "email" a "correio electrónico" ou "e-trade" a "trocas comerciais electrónicas" (gah!) por falta de uma alternativa realmente boa. E isso, é uma pena.
quinta-feira, 15 de setembro de 2005
quinta-feira, 30 de junho de 2005
Go see if it's raining!
Esta foi desavergonhadamente roubada de um fórum, onde por sua vez foi parar a partir de outro, o que é o mesmo que dizer que não faço ideia quem foi o autor. Se alguém sabe, sou todo ouvidos.
For those of you interested in learning portuguese i leave you with a (literaly) translated conversation between two people so you can get a hold on some figures of speech. Hope it helps.
- So, shovel?
- How is it going?
- It's been a long time since I've put the view on you.
- Yea. Oh, shovel, I bought a new house.
- Where do you live now?
- Oh, I'm living in the middle of the ass of Judas now! Now, imagine that the place doesn't even have public lighting! At night you can't even see the tip of a horn! Now I have to go around "oh uncle, oh uncle" for them to put there a public lighting post. I went to the Together of Parish to complain about that and they immediatley started throwing mouths, asking if I really had to go to live in a hole like that, where Judas lost his boots. Man, I completely passed myself from the gears.
- Hey, mine, put yourself slim! The only thing they will do is tell you to go around the great billard.
- What, but have we reached the wood, or what? That would be sweet! They should put themselves at stick, because I'm not afraid of them! That is the side to which I sleep better. With me they don't make flour and I find well that they don't arm themselves to the cuckoos, because I won't give my arm to twist.
- But have you been there to talk with anybody?
- I went there to speak with the President and he stayed looking at me like an ox to the palace. He told me to put myself at miles.
- You're passing yourself!
- At serious, mine! The guy started to arm himself in racing parrot, saying that donkey's voices don't reach the sky and telling me to put myself in the bitches.
- And what did you tell him?
- I told him this: "Bad Mary! You guys don't even now how you got here - you don't see an ox of this sh*t! One guy comes here and you immediately start belching slices of hake. You are all the same sh*t, only the smell is different: you neither f*ck nor get out of the top."
- Hey, big scene. And what did he say?
- First he said that I could speak at ease, because the dogs bark and the caravan goes by and then he told me to go comb monkeys to China. But when he saw that I was passing myself from the horns, he started with a high conversation, terreeteetee, sparrows to the nest, that I should have calm, and so on. Yes, because if I really would pass myself, all that **** would go with the pigs!
- Alright, alright. Let's change the topic. Have you already fixed a girlfriend?
- Hey, mine, I think I have. I met a chick who is good as corn and I immediately started dragging the wing to her, but when I went to see, she had put herself in the little female of garlic. At the nekt weekend I found her again and I made myself to the floor again. First she armed herself in racing stickface, but then she came eating at my hand.
- That's how it tastes better...
- Ya, it fell like cherries.
- And the chick, is she really good?
- Well, actually she isn't there a big shotgun, but one can eat it. Who doesn't have a dog, hunts with a cat, right?
- And have you already made yourself to the steak?
- Are you armed in silly, or what? You are here you are there!
- Sorry. And the chick, has she already lost the three?
- Hey shovel, go look if it is raining. Or then go see if I'm over there at the corner.
- Say there, mine!
- Oh, shovel, it's like this: I still didn't do it because Benfica Lisbon is playing at home, alright?
- Ready, you just climbed on my scale.
- You already know that I don't leave my credits in foreign hands.
- Ok. So, I will be going, I must go to the chop chop.
- And I'm going to the morphs, too.
- See ya.
- See ya. Doors yourself well.
- Until the sight!
For those of you interested in learning portuguese i leave you with a (literaly) translated conversation between two people so you can get a hold on some figures of speech. Hope it helps.
- So, shovel?
- How is it going?
- It's been a long time since I've put the view on you.
- Yea. Oh, shovel, I bought a new house.
- Where do you live now?
- Oh, I'm living in the middle of the ass of Judas now! Now, imagine that the place doesn't even have public lighting! At night you can't even see the tip of a horn! Now I have to go around "oh uncle, oh uncle" for them to put there a public lighting post. I went to the Together of Parish to complain about that and they immediatley started throwing mouths, asking if I really had to go to live in a hole like that, where Judas lost his boots. Man, I completely passed myself from the gears.
- Hey, mine, put yourself slim! The only thing they will do is tell you to go around the great billard.
- What, but have we reached the wood, or what? That would be sweet! They should put themselves at stick, because I'm not afraid of them! That is the side to which I sleep better. With me they don't make flour and I find well that they don't arm themselves to the cuckoos, because I won't give my arm to twist.
- But have you been there to talk with anybody?
- I went there to speak with the President and he stayed looking at me like an ox to the palace. He told me to put myself at miles.
- You're passing yourself!
- At serious, mine! The guy started to arm himself in racing parrot, saying that donkey's voices don't reach the sky and telling me to put myself in the bitches.
- And what did you tell him?
- I told him this: "Bad Mary! You guys don't even now how you got here - you don't see an ox of this sh*t! One guy comes here and you immediately start belching slices of hake. You are all the same sh*t, only the smell is different: you neither f*ck nor get out of the top."
- Hey, big scene. And what did he say?
- First he said that I could speak at ease, because the dogs bark and the caravan goes by and then he told me to go comb monkeys to China. But when he saw that I was passing myself from the horns, he started with a high conversation, terreeteetee, sparrows to the nest, that I should have calm, and so on. Yes, because if I really would pass myself, all that **** would go with the pigs!
- Alright, alright. Let's change the topic. Have you already fixed a girlfriend?
- Hey, mine, I think I have. I met a chick who is good as corn and I immediately started dragging the wing to her, but when I went to see, she had put herself in the little female of garlic. At the nekt weekend I found her again and I made myself to the floor again. First she armed herself in racing stickface, but then she came eating at my hand.
- That's how it tastes better...
- Ya, it fell like cherries.
- And the chick, is she really good?
- Well, actually she isn't there a big shotgun, but one can eat it. Who doesn't have a dog, hunts with a cat, right?
- And have you already made yourself to the steak?
- Are you armed in silly, or what? You are here you are there!
- Sorry. And the chick, has she already lost the three?
- Hey shovel, go look if it is raining. Or then go see if I'm over there at the corner.
- Say there, mine!
- Oh, shovel, it's like this: I still didn't do it because Benfica Lisbon is playing at home, alright?
- Ready, you just climbed on my scale.
- You already know that I don't leave my credits in foreign hands.
- Ok. So, I will be going, I must go to the chop chop.
- And I'm going to the morphs, too.
- See ya.
- See ya. Doors yourself well.
- Until the sight!
sexta-feira, 7 de maio de 2004
Uma questãozita ortográfica
Pergunta-me retoricamente o Boemius, nos comentários do post abaixo, se este post não estará umbilicalmente ligado a um dos "fast fictions" que ainda não saíram da caixa de comentários do Ene Coisas para aqui. E eu, em vez de lhe responder nos comentários, respondo aqui.
Direitinho, Boemius, direitinho. Em particular porque parte dos 6 minutos foi gasta em dúvidas sobre como se escreveria o raio da palavra, se "maciço", se "massiço". Acabei por decidir que, dado que a sua origem etimológica está na palavra latina para "massa", devia ser "massiço", ainda que me soasse um bocado estranho. Enganei-me. É daquelas esquisitices da ortografia portuguesa em que os ss passam a c sem grande motivo para isso.
Enfim, mas não será por isso que há a iliteracia que há em Portugal (e mais ainda no Brasil e etc.): a ortografia francesa ainda é mais bizarra e ilógica que a nossa, e não é por isso que a França é um país de analfabetos como Portugal é. Em todo o caso, que uma simplificação ortográfica era muitíssimo desejável, lá isso era.
Direitinho, Boemius, direitinho. Em particular porque parte dos 6 minutos foi gasta em dúvidas sobre como se escreveria o raio da palavra, se "maciço", se "massiço". Acabei por decidir que, dado que a sua origem etimológica está na palavra latina para "massa", devia ser "massiço", ainda que me soasse um bocado estranho. Enganei-me. É daquelas esquisitices da ortografia portuguesa em que os ss passam a c sem grande motivo para isso.
Enfim, mas não será por isso que há a iliteracia que há em Portugal (e mais ainda no Brasil e etc.): a ortografia francesa ainda é mais bizarra e ilógica que a nossa, e não é por isso que a França é um país de analfabetos como Portugal é. Em todo o caso, que uma simplificação ortográfica era muitíssimo desejável, lá isso era.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Isto é...
As linguagens mais faladas no mundo:
1. Chinês
2. Espanhol
3. Inglês
4. Bengali
5. Hindi/Urdu
6. Árabe
7. Português
8. Russo
9. Japonês
10. Alemão
11. Francês
As maiores Wikipédias:
1º Inglês
2º Alemão
3º Francês
4º Polaco
5º Sueco
6º Holandês
7º Japonês
8º Dinamarquês
9º Espanhol
10º Esperanto
11º Catalão
12º Italiano
13º Esloveno
14º Interlingua
15º Chinês
16º Finlandês
17º Romeno
18º Português
... uma vergonha!...
1. Chinês
2. Espanhol
3. Inglês
4. Bengali
5. Hindi/Urdu
6. Árabe
7. Português
8. Russo
9. Japonês
10. Alemão
11. Francês
As maiores Wikipédias:
1º Inglês
2º Alemão
3º Francês
4º Polaco
5º Sueco
6º Holandês
7º Japonês
8º Dinamarquês
9º Espanhol
10º Esperanto
11º Catalão
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13º Esloveno
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15º Chinês
16º Finlandês
17º Romeno
18º Português
... uma vergonha!...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Bisnaquemos então sobre o verbo
Ora bem... vamos lá bisnacar um bocadinho acerca do verbo bisnacar. Diz a Ana, da Janela Indiscreta, que acha a ideia bonita mas que lhe provoca dúvidas delirantes. Gosto disso. O delírio, acho eu, é pré-condição para todos os avanços da humanidade, e quanto maior o putativo avanço, maior terá de ser o delírio prévio.
A primeira dúvida delirante da Ana é a seguinte: "se o que fazemos na blogosfera é bisnacar e se bisnacamos na blogosfera portuguesa, não será o verbo bisnacar uma forma polida de dizer que nos desdobramos, diluímos e dispersamos em infinitas conversas de café porém escritas, mais ou menos coerentes e geralmente isentas de erros formais? O verbo mais apropriado não seria pois bifanar?"
Vejamos. Acho que aqui há várias questões. Em primeiro lugar, eu falei especificamente de blogosfera portuguesa porque não conheço as demais, embora tudo me faça crer que nesse aspecto deverão ser iguais. Como rima, deve ser verdade. Já a minha referência a Portugal, é mesmo específica a este país pequenino de tamanho, mentalidades e vamosemborismo. Em segundo lugar, há a questão de bisnacar ser uma forma polida de dizer que nos perdemos em conversas de café. Pois é, cara Ana: acertaste na mouche à primeira seta. Já quanto ao bifanar, tal verbo não consta do Houaiss, logo para todos os efeitos formais não existe. Em todo o caso, eu considerá-lo-ia uma substituição credível para bisnacar caso a conversa não fosse de café mas sim de snack-bar e pelo menos um conviva acompanhasse o bisnacanço com valentes dentadas numa bifana, acompanhada, ou não, de uma cervejinha fresca. Isto sim, seria bifanar!
Já o Luís, depois de se lamentar sobre a sua não inclusão nos candidatos a divulgadores do novo verbo, manifesta o seu apoio à ideia, avançando, no entanto, e também ele, com uma dúvida: O verbo prometer não tem em Portugal esse mesmo significado de falar muito acerca de uma coisa sem nunca chegar a fazer algo quanto a ela?
Sim e não. É uma questão de grau. Para ilustrar o conceito, nada como as leis. As leis neste país começam a sua ida em indolentes bisnacadelas nos gabinetes ministeriais e na AR. A maior parte delas, claro, e mantendo a pureza do conceito bisnacante, nunca chega à mínima concretização (se descontarmos, bem entendido, uma avultada troca de correspondência, que no fundo é mais ou menos o que fazemos aqui na blogosfera), mas há algumas que passam á concretização, momento em que todas as conversas prévias deixam de poder englobar-se no bisnaque para se deverem passar a considerar trabalho. Acontece, porém, que as leis nunca passam de promessa, mesmo depois de aprovadas e postas em vigor, visto que ninguém as cumpre.
Ou seja: primeiro bisnaca-se, depois promete-se e de seguida incumpre-se.
A virtude do sistema é tal que permite que logo em seguida se possa recomeçar a bisnacar, agora acerca dos motivos do incumprimento, fechando-se o círculo. Perfeito.
Ah, e quanto a não te incluir na lista dos putativos divulgadores da nova palavra... mas tu pensavas mesmo que fechavas o Ene Coisas à má fila e não sofrias represálias? Ha!
A primeira dúvida delirante da Ana é a seguinte: "se o que fazemos na blogosfera é bisnacar e se bisnacamos na blogosfera portuguesa, não será o verbo bisnacar uma forma polida de dizer que nos desdobramos, diluímos e dispersamos em infinitas conversas de café porém escritas, mais ou menos coerentes e geralmente isentas de erros formais? O verbo mais apropriado não seria pois bifanar?"
Vejamos. Acho que aqui há várias questões. Em primeiro lugar, eu falei especificamente de blogosfera portuguesa porque não conheço as demais, embora tudo me faça crer que nesse aspecto deverão ser iguais. Como rima, deve ser verdade. Já a minha referência a Portugal, é mesmo específica a este país pequenino de tamanho, mentalidades e vamosemborismo. Em segundo lugar, há a questão de bisnacar ser uma forma polida de dizer que nos perdemos em conversas de café. Pois é, cara Ana: acertaste na mouche à primeira seta. Já quanto ao bifanar, tal verbo não consta do Houaiss, logo para todos os efeitos formais não existe. Em todo o caso, eu considerá-lo-ia uma substituição credível para bisnacar caso a conversa não fosse de café mas sim de snack-bar e pelo menos um conviva acompanhasse o bisnacanço com valentes dentadas numa bifana, acompanhada, ou não, de uma cervejinha fresca. Isto sim, seria bifanar!
Já o Luís, depois de se lamentar sobre a sua não inclusão nos candidatos a divulgadores do novo verbo, manifesta o seu apoio à ideia, avançando, no entanto, e também ele, com uma dúvida: O verbo prometer não tem em Portugal esse mesmo significado de falar muito acerca de uma coisa sem nunca chegar a fazer algo quanto a ela?
Sim e não. É uma questão de grau. Para ilustrar o conceito, nada como as leis. As leis neste país começam a sua ida em indolentes bisnacadelas nos gabinetes ministeriais e na AR. A maior parte delas, claro, e mantendo a pureza do conceito bisnacante, nunca chega à mínima concretização (se descontarmos, bem entendido, uma avultada troca de correspondência, que no fundo é mais ou menos o que fazemos aqui na blogosfera), mas há algumas que passam á concretização, momento em que todas as conversas prévias deixam de poder englobar-se no bisnaque para se deverem passar a considerar trabalho. Acontece, porém, que as leis nunca passam de promessa, mesmo depois de aprovadas e postas em vigor, visto que ninguém as cumpre.
Ou seja: primeiro bisnaca-se, depois promete-se e de seguida incumpre-se.
A virtude do sistema é tal que permite que logo em seguida se possa recomeçar a bisnacar, agora acerca dos motivos do incumprimento, fechando-se o círculo. Perfeito.
Ah, e quanto a não te incluir na lista dos putativos divulgadores da nova palavra... mas tu pensavas mesmo que fechavas o Ene Coisas à má fila e não sofrias represálias? Ha!
quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
Pela inclusão na língua portuguesa do verbo bisnacar
É perfeitamente incompreensível que num país e numa cultura como a nossa, em que aquilo que esta expressão designaria é, autenticamente, característica primordial quer da vida quotidiana de todos nós, quer da vida pública das instituições, não exista nenhuma expressão de uso corrente que signifique o que bisnacar poderá significar. Assim, proponho aqui formalmente que incluamos esta palavra, há muito necessária, na língua portuguesa. Seria óptimo ter nesta cruzada o auxílio de outros blogueiros, como os multi-culturais indiscretos da Janela, ou escritores como o Cachapa ou o Luís Filipe Silva, ou poetas/jornalistas como o José Mário Silva ou jornalistas não poetas, como o Paulo Querido, etc., etc., e nesse sentido apelo a todos estes bloggers e a todos os demais que considerem o termo adequado que o divulguem por todos os meios possíveis e imaginários.
Mas — devem vocês estar, nesta altura, a coçar a cabeça em confusão — será que este tipo está por aqui só a bisnacar?! Ou, por outra, de que raio de bicho está ele a falar?!
Para deixar tudo claro, permitam-me uma citação do último número do fanzine inglês de FC, Ansible:
Fred Lerner on the A197 Language Lesson: "Greer Gilman left out my favourite Shetland Norse word, which I learned from An Etymological Dictionary of the Norn Language of Shetland. «Bisnaak» is a verb meaning to talk a lot about something without ever doing anything about it, as in the phrase «to bisnaak aboot a t'ing». A useful addition to Fanspeak, I should think ..."
Para os menos versados em inglês, eu traduzo:
Diz Fred Lerner sobre a Lição de Linguagem na Ansible 197: "Greer Gilan não referiu a minha palavra favorita em Nórdico das Shetland, que aprendi no An Etymological Dictionary of the Norn Language of Shetland. «Bisnaak» é um verbo que significa falar muito acerca de uma coisa sem nunca chegar a fazer algo quanto a ela, como na frase «to bisnaak aboot a t'ing». Parece-me uma adição útil à gíria do fandom..."
Se a Lerner a palavra parece uma adição útil à gíria do fandom, eu vejo nela imensa potencialidade para descrever não só o fandom de FC em Portugal, como também a blogosfera portuguesa e, em geral, Portugal considerado como um todo. Passamos a vida a bisnacar indolentemente uns com os outros, e quanto a pôr as mãos na massa, népia. Acho, por isso, fundamental acrescentar esta palavra ao nosso léxico o quanto antes.
Divulguem, utilizem, adaptem! Vamos bisnacar com palavra própria!
Mas — devem vocês estar, nesta altura, a coçar a cabeça em confusão — será que este tipo está por aqui só a bisnacar?! Ou, por outra, de que raio de bicho está ele a falar?!
Para deixar tudo claro, permitam-me uma citação do último número do fanzine inglês de FC, Ansible:
Fred Lerner on the A197 Language Lesson: "Greer Gilman left out my favourite Shetland Norse word, which I learned from An Etymological Dictionary of the Norn Language of Shetland. «Bisnaak» is a verb meaning to talk a lot about something without ever doing anything about it, as in the phrase «to bisnaak aboot a t'ing». A useful addition to Fanspeak, I should think ..."
Para os menos versados em inglês, eu traduzo:
Diz Fred Lerner sobre a Lição de Linguagem na Ansible 197: "Greer Gilan não referiu a minha palavra favorita em Nórdico das Shetland, que aprendi no An Etymological Dictionary of the Norn Language of Shetland. «Bisnaak» é um verbo que significa falar muito acerca de uma coisa sem nunca chegar a fazer algo quanto a ela, como na frase «to bisnaak aboot a t'ing». Parece-me uma adição útil à gíria do fandom..."
Se a Lerner a palavra parece uma adição útil à gíria do fandom, eu vejo nela imensa potencialidade para descrever não só o fandom de FC em Portugal, como também a blogosfera portuguesa e, em geral, Portugal considerado como um todo. Passamos a vida a bisnacar indolentemente uns com os outros, e quanto a pôr as mãos na massa, népia. Acho, por isso, fundamental acrescentar esta palavra ao nosso léxico o quanto antes.
Divulguem, utilizem, adaptem! Vamos bisnacar com palavra própria!
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