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segunda-feira, 13 de novembro de 2006

O meu segundo livro

Se eu fosse editor, nunca editaria este livro. Um editor quer é vender livros, e quem sou eu? Um Zé Ninguém, cujo nome não atrai potenciais compradores além de um punhado de amigos e conhecidos. Uma edição que tenha o potencial de vendas que este livro tem é uma edição condenada a dar prejuízo.

Mas perguntaram-me algumas vezes por que não reunia em livro as crónicas que publiquei entre 2000 e 2002 no jornal Região Sul. Mas aconteceu algumas vezes que tive de ir perder muito tempo a vasculhar velhos jornais poeirentos à procura de uma ou outra dessas crónicas para mostrar a alguém, ou para verificar se tinha mesmo escrito isto ou aquilo. Mas quis testar-me, verificar se conseguia pôr sozinho um livro cá fora, fazendo eu tudo, da capa à paginação, da revisão às esotéricas esquisitices dos depósitos legais e ISBNs. E etc.

Vai daí, decidi fazer esta edição. O livro chama-se Os Pés e a Cabeça, título que é idêntico à designação genérica das crónicas do Região Sul. Contém uma variedade razoável de assuntos, embora pendendo mais para a política em todas as suas vertentes, do local ao regional, do nacional ao internacional. Contém duas ou três coisas que se assemelham mais a contos do que propriamente a crónicas. Contém humor e também irritações. Contém 164 páginas de prosas várias.

Suponho que quando se fizerem as contas, daqui a uns anos, se chegue à conclusão de que se acabaram por imprimir, ao todo, uns 30 exemplares deste livro. Mas ele aí está, para quem o quiser ler, e pela parte que me toca, agora que já o tenho na mão (demorou 11 dias a ser impresso e a chegar-me pelo correio), posso dizer que satisfaz plenamente o que esperava dele. E, como objeto, é um livro igualzinho aos outros, com uma encadernação impecável e uma impressão bastante boa.

Quanto a vocês, se gostam da maneira como escrevo talvez gostem deste livro. Se vos agradam os posts mais políticos e mais elaborados que têm lido aqui na Lâmpada talvez gostem deste livro. Talvez não seja um bom presente de natal para dar aos amigos e à família, mas se me quiserem dar a mim um presente de natal, podem encontrá-lo à venda aqui. Clicando na imagem, podem ver a capa em tamanho maior, e nas ligações que estão por baixo podem ver a contracapa e podem espreitar as primeiras dez páginas, que incluem a introdução, o índice e as duas primeiras crónicas (ainda num registo um pouco inseguro... afinal, sempre foram as primeiras).

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Pato de internet

De vez em quando surge-nos à frente uma expressão tão genial que dá vontade propagar. Esta apareceu-me ontem e tem origem brasileira. "Já que pato é aquele bicho que nada, mas nada mal, anda, mas anda mal, canta, mas canta mal", escreve o amigo de quem li a expressão, assim o pato de internet seria aquele "tipo de pessoa que se mete a dar palpite no que lhe dá na cacholeta, mesmo que não entenda nem medianamente do assunto (o que costuma ser a regra)".

É brilhante.

Mas atenção: o verdadeiro pato de internet não deve ser confundido com aproximações parciais e pontuais, como a do Nuno Seabra Lopes quando se mete a discorrer sobre o caso de takeover do bloque freedomtocopy, blogue que ou foi fechado pelo seu criador e reaberto, no mesmo endereço, por outra pessoa - o que custa a crer - ou foi simplesmente roubado, chamando-lhe "reencaminhamento para um outro blogue promocional da obra Equador". E apetecer-me-ia perguntar por que motivo um acto que será pouco ético caso se confirme (a denúncia de plágio feita com base em manipulação da realidade) é condenável ao passo que um outro acto pouco ético (o roubo de um endereço electrónico com substituição de conteúdo) já é "genial" e digno de aplauso.

Não, o Nuno Seabra Lopes não é um pato de internet. Limitou-se a fazer figura de pato de internet naquele post. São coisas diferentes.

domingo, 15 de outubro de 2006

Mais um

E pronto: já tá mais um livro entregue ao editor. Este não será todo "meu", que é um livro de contos e há outro tradutor (e um dos bons). Mas é como se fosse: serão ao todo oito contos e uma introdução, e eu lá tive de verter para português (hehehehe... estes linguajares presunçosos partem-me todo) a introdução e sete dos contos.

Suponho que ao fim de alguns anos estes momentos passem com um encolher de ombros. Mas por enquanto, cada trabalho terminado traz consigo um sentido de realização que não é nada displicendo. Realização que, às vezes, vem acompanhada por um indisfarçável alívio.

Enfim; agora há tempo para tratar de uma série de assuntos pendentes. E alguns deles estão pendentes há demasiado tempo!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Cores celestes

Aqui a Lâmpada recebeu há pouco tempo uma visita de alguém que procurava por "james runcie cor céu", e eu, curioso, fui ver o que se apanhava com essa busca.

Pouca coisa: o site da editora, a Lâmpada, claro, um fórum onde está reproduzido o texto promocional sobre o livro, sem comentários, e duas coisas que desconhecia: uma crítica de Luís Mateus, bastante amável, no Portugal Diário, e um post num blogue onde não se compram jornais (pelo menos hoje), que acha o livro de leitura obrigatória.

Nenhum destes textos fala da tradução. Parece-me bom sinal.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

O Literolixo

O cada vez mais desinteressante Aspirina B (Ó Rainha! Ó Rainha! Salva aquilo!) ainda vai tendo uns motivozinhos de interesse de vez em quando, em geral nos comentários, por estranho que pareça. O último foi este post, que em si mesmo é apenas mais uma variante da celebérrima Choldra queirosiana, mas que serviu ao Fernando Venâncio para, nos comentários, claro, declarar a sua definição do que é um bom texto.

Sem citar integralmente o comentário, que é sempre chato citar coisas integralmente sem pedir licença, e resumindo, o que ele defende é que um bom texto se reconhece por "aquela vaga, quase indetectável, mas oh tão saborosa vontade de ler mais, de prosseguir, de haver mais páginas para virar", e que é essa qualidade que falta à ficção portuguesa. Gostaria de ter respondido lá, mas aquele sistema de comentários anda, ou é, almariado da cabeça, e não deixou. Por isso, e como o tema até tem piada, respondo aqui:

Venâncio, essa teoria é muito linda. O problema ululantemente óbvio (já sentia falta de ironizar com esta palavrita) é, claro, que não há nenhum iluminado que tenha a verdade no bolso e o monopólio do bom gosto. Um texto que dá uma vaga quase indetectável mas oh tão saborosa vontade de ler mais ao sr. Fulano de Abreu, não passa de um monte de palavras estapafúrdias a escorrer chatice para o dr. Sicrano de Oliveira. E geralmente têm os dois razão.

É verdade, todavia, que a grande maioria dos livros de ficção nacional não mostra uma única dessas virtudes. É natural: aqueles que as mostram para o sr. Fulano de Abreu não as mostram para o dr. Sicrano de Oliveira, o eng. Beltrano Cunhal e mais um imenso mar de criaturas tão ou mais cultas que o Fulano apreciador original. Porque aquilo de que não se gosta é sempre mais do que aquilo de que se gosta. Está na própria natureza do gosto.

Pois, gosto e não qualidade. É que essa maneira de decidir o que é "bom" ou "mau", na realidade, não é nada disso: não passa de uma forma de se decidir aquilo de que se gosta ou não. O mais subjectivo gosto pessoal dos gostos pessoais.

Eu também gostava muito mais que em Portugal se publicasse toda a melhor ficção científica contemporânea do que todo o lixo vazio que enche os escaparates, seja em original, seja em tradução. Mas, infelizmente, estou rodeado de Sicranos de Oliveira e Beltranos Cunhais e outros maus gostos mais. Fazer o quê...

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Continuo na Ciméria

Por aqui não há agentes de viagens. É território selvagem, habitado por brutamontes. Até as mulheres têm cabelos no peito do excesso de testosterona que paira no ar. O ambiente é opressivo, e um tipo, passeando pelas ruas de máquina fotográfica ao peito, à japonesa, sente-se assim numa espécie de Parque Jurássico feito de palhotas e becos enlameados.

Vou-me embora amanhã. Juro. E só cá voltarei se tiver mesmo de ser!

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Vale de Almeida

É por causa de coisas como esta que eu gostava mesmo que o MVA se preocupasse menos com a sua, e dos outros, condição de homossexual e escrevesse mais. Porque a orientação sexual devia ser irrelevante mas o talento não, em vez do contrário.

quarta-feira, 29 de março de 2006

A Margarida Rebelo Pinto é estúpida

Só a estupidez explica que tenha interposto nos tribunais um pedido de providência cautelar contra a publicação de um livro do João Pedro George que expõe em toda a sua crueza a dimensão da nulidade literária da senhora. Compreende-se que se cheteie: ninguém gosta de ver exposta ao mundo a sua incompetência. Mas o processo é a maneira mais certa de assegurar o êxito do livro do George e, consequentemente, uma muito maior divulgação dessa mesma incompetência rebelopintina.

Tenho a certeza de que já os primeiros efeitos se vão fazendo sentir no Esplanar.

Estupidez.

Redondinha.

(Esta, além do mais, faz-me lembrar qualquer coisa de "celeste"... private joke para a malta ligada à FC portuguesa pelo menos desde 2000)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

O ser-se português e a crítica literária

O ser-se português e a crítica literária

Não tive grande pachorra para mergulhar fundo na mais recente polémica estéril a sacudir a blogosfera, desta vez uma patetice qualquer sobre crítica literária, que opõe o José Mário Silva ao João Pedro George. Mas porque o assunto crítica literária até me interessa, acabei por deixar um comentário na Aspirina B, que transcrevo em seguida, e que complemento depois. O comentário foi este:

Com polémicas destas nunca se chegará a discutir realmente o que importa: que há crítica literária honesta, em que o crítico faz o melhor que sabe e pode para discorrer sobre os livros sem se prender em aspectos assessórios como o nome do autor, da casa editora, do tradutor, etc. e que há crítica literária desonesta, em que o crítico faz fretes a torto e a direito. E que saber separar uma da outra faz toda a diferença.

Um crítico honesto deve escrever sobre livros de amigos, sim senhor. Se eu tivesse o tipo de mentalidade do João Pedro George poderia dizer que ao não escrever sobre livros de amigos o crítico honesto está a prejudicar esses livros ao não lhes dar a "visibilidade" que os livros dos não amigos recebem. Como não tenho essa mentalidade, direi apenas que um crítico honesto deve escrever sobre todos os livros que achar que merecem que sobre eles escreva. Ponto final. Parágrafo.

Mas aqui há um mas: há muito pouca crítica literária em Portugal, quer seja honesta quer seja desonesta. Muito menos do que a que devia haver. Numa situação ideal, deveria haver alguém para escrever sobre todos os livros que aparecem no mercado, sem excepção. Nem que fosse meia dúzia de linhas. Fosse para dizer bem, fosse para dizer mal, fose para dizer assim assim.

E claro que como há muito menos crítica literária do que a que devia haver, inevitavelmente quem é ignorado pela crítica - e mais ainda quem é sistematicamente ignorado pela crítica - tem tendência a suspeitar de compadrios. É apenas humano que isso aconteça. Portanto os críticos também têm de estar preparados para apanharem de vez em quando com sovas deste tipo, por mais injustas que elas sejam. Vem com o território.


O complemento:

Há em Portugal uma doença gravíssima, que por vezes chega a parecer terminal: o amiguismo. É uma verdade insofismável, estende-se a todos os ramos de actividade, e tem consequências gravíssimas que levam ao predomínio da cunha sobre a competência, à escolha dos indivíduos com melhores relações sociais em detrimento daqueles que estariam melhor preparados para desempenhar as tarefas, a um ambiente em que, em geral, aquilo que se faz tenha muito menos importância do que aquilo que os zunzuns dizem que se faz. O boatério, o diz-que-disse, as comadres, são instituições enraizadas com séculos de experiência nos seus mesquinhos tráficos de influências. E a consequência mais óbvia é o péssimo desempenho do país em tudo aquilo que exige o profissionalismo de grupos razoavelmente grandes de profissionais.

Todos sabemos disso. E portanto não é novidade nenhuma o que João Pedro George acha que descobriu no meio literário português. O meio literário, como parte da sociedade que é, sofre precisamente dos mesmos sintomas do resto da sociedade: amiguinhos e inimiguinhos, capelinhas, mesquinharias variegadas, promoção da mediocridade pelos medíocres e uma atitude de enorme desconfiança perante os outsiders, em especial os outsiders com qualidade.

Agora, entendamo-nos: a solução para o problema não é tapá-lo com uma capa de hipocrisia, que é o que João Pedro George sugere. É, isso sim, torná-lo transparente e ter a inteligência suficiente para separar o trigo do joio. De pôr de um lado os que fazem crítica literária de forma honesta e do outro os que não a fazem, e de não crucificar os honestos por falarem de amigos. É que um crítico honesto é mais credível a escrever sobre um amigo do que um desonesto a escrever sobre o que quer que seja. Um crítico desonesto é frequentemente pago (em numerário, em géneros ou com emprego) para escrever sobre os livros que interessam da maneira que interessa, ao passo que pode perfeitamente acontecer a um crítico honesto ter de desancar livros de amigos. Um crítico que é desonesto não passa milagrosamente a ser honesto por não escrever sobre o que escrevem os amigos, nem passa um honesto a desonesto por fazer o contrário.

Assumir que alguém, lá porque escreve sobre os amigos, está necessariamente a ser sintoma da doença nacional é, isso sim, sintoma da doença nacional. É pôr, uma vez mais, a aparência das coisas à frente da sua substância. É julgar pelo embrulho e não pelo conteúdo.

Não conheço nem o João Pedro George nem o José Mário Silva. Não frequento os seus meios. Raramente leio o que escrevem fora da blogosfera. Ambos me parecem críticos razoavelmente honestos, o que, admito, pode ser apenas boa vontade de quem está grandemente por fora e que acha que devia haver muitas mais pessoas a fazer crítica literária neste país. Adorei a descasca do JPG à Margarida Rebelo Pinto. Mas neste caso, francamente, e tendo tido oportunidade de ler a crítica do JMS, parece-me que quem está doente de portuguesice crónica é o JPG, não o JMS.

E sempre gostava de saber se, digamos, no meio literário do Liechtenstein também há broncas destas. É que lá, se houver algum João Pedro George no principado, ninguém deve ser autorizado a escrever sobre ninguém. Porque, a não ser que ao crítico seja reservada a condição de eremita e lhe seja oferecida uma gruta nos Alpes, deverá bastar estar presente no lançamento de um livro para ficar a conhecer pessoalmente todo o meio literário do país. Já viram os tráficos de influências que isso deve gerar? Upa, upa!

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Gutenberg d'Azevedo

Ou Guilherme d'Azevedo, mais precisamente, um poeta razoavelmente obscuro do século XIX, cujo livro "A Alma Nova" acaba de ser acrescentado ao Gutenberg.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Hoje espanca-se

Hoje espanca-se

É a Florbela Espanca e os seus tristíssimos e apaixonadíssimos (e muitos mais íssimos) versos que acabaram de se somar ao Gutenberg. Através do Livro de Máguas. Máguas? Máguas. É assim que lá está escrito.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

BN e Gutenberg

Recebi um email da Biblioteca Nacional que passo a transcrever na íntegra, para vossa informação. Os links fui eu que acrescentei:

A Biblioteca Nacional, no âmbito da iniciativa da Biblioteca Nacional Digital, decidiu apoiar o incremento de obras em língua portuguesa na colecção do Projecto Gutenberg.

O «Distributed Proofreaders» (DP) é um projecto cooperativo utilizando a Internet para correcção de textos resultantes do reconhecimento óptico de caracteres (OCR) de páginas digitalizadas de livros do domínio público. O propósito da revisão é eliminar os erros desses textos, os quais se destinam à colecção do Projecto Gutenberg (livros disponíveis na Internet, de acesso gratuito).

Neste momento estamos a precisar de mais voluntários fluentes na Língua Portuguesa nos esforços de revisão de textos e de submissão de projectos.

Ajude-nos a divulgar!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Vêm em bandos

Falo das novidades em língua portuguesa no projecto Gutenberg. Depois de uma ontem e outra anteontem, chega o dia de hoje e uma mais. Desta vez é o célebre livro de poemas de António Nobre chamado (e quase não havia necessidade de dizer isto) .

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Joaquim Possidónio Narciso da Silva

O dono deste improvável nome era para mim, até há 5 minutos, um ilustre desconhecido. Agora sei que tentou dar aos ignaros do seu tempo algumas "Noções elementares de archeologia", que acabam de ser disponibilizadas aos ignaros do meu tempo pelo Projecto Gutenberg. Todavia, para este vosso escriba, ignaro também ele, o amigo Joaquim Possidónio Narciso da Silva mantém-se ilustre desconhecido, mesmo que um pouco mais ilustre e um pouco menos desconhecido. Bem-haja, herr Gutenberg.

domingo, 27 de novembro de 2005

Há coincidências bestiais, ou mais uma notinha sobre o Gutemberg

Dois dias depois do Jorge Palinhos ter fechado o BdE com este magnífico post, que teve sequência aqui e, imagino, em muitos outros sítios, adivinhem o que acaba de ser disponibilizado na nossa língua no Gutemberg.

Não adivinham?

As Farpas, pois então. As originais, do Eça, o único gajo que conseguia falar da choldra e manter a dignidade.